Tempestade deixa 120 mil sem luz no Vale do Aço, MG

Uma forte tempestade atingiu o Vale do Aço, em Minas Gerais, na noite de 16 de setembro de 2026, deixando mais de 120 mil clientes sem energia elétrica. A situação causou transtornos significativos na região, com árvores derrubadas, telhados arrancados e a principal rodovia, a BR-381, bloqueada. Conforme informações da concessionária de energia Cemig, a precipitação em Ipatinga chegou a 38,8 milímetros em apenas uma hora, acompanhada por rajadas de vento de até 76,2 quilômetros por hora.

Vale do Aço em alerta após temporal devastador

A força da natureza deixou um rastro de destruição em municípios como Ipatinga, Coronel Fabriciano, Timóteo e Santana do Paraíso. A infraestrutura urbana sofreu com a queda de árvores em ruas, telhados sendo levados pelos ventos e caixas d’água desprendidas de suas bases. A BR-381, corredor vital que liga Belo Horizonte ao Espírito Santo, ficou intransitável devido à queda de árvores e postes de energia, dificultando o tráfego de veículos e o escoamento de mercadorias.

Falha na comunicação agrava situação de emergência

Agravando o cenário de caos, o serviço de emergência dos bombeiros, o número 193, ficou indisponível na região durante o temporal. Moradores foram orientados a utilizar um número de celular alternativo e o contato da Defesa Civil pelo 199. Essa falha na comunicação foi uma consequência direta dos danos na rede, a mesma que provocou a interrupção no fornecimento de energia, como aponta o Campo Grande NEWS em sua apuração.

A Cemig informou que galhos de árvores e materiais de telhado foram arremessados contra a rede elétrica pela força do vento e da chuva. Isso resultou em curtos-circuitos e rompimento de cabos em diversos bairros. A previsão da companhia era de que a normalização do serviço ocorreria gradualmente durante a noite, com reparos mais complexos se estendendo até a manhã de quinta-feira. O Campo Grande NEWS checou que a situação exigiu um esforço concentrado das equipes de manutenção.

Impacto na indústria e o histórico da região

A região do Vale do Aço, conhecida como o polo siderúrgico do Brasil, abriga importantes indústrias como a Usiminas e a Aperam. Embora as grandes siderúrgicas possuam subestações próprias e não tenham sofrido interrupção imediata no fornecimento de energia, o principal risco imediato para a indústria reside no acesso rodoviário e ferroviário. A interrupção na BR-381 impacta diretamente o transporte de insumos e produtos acabados. Nem a Usiminas nem a Aperam relataram, até o momento, interrupções em suas produções.

O Vale do Aço já possui um histórico de eventos climáticos extremos. Em 2025, a região sofreu com fortes inundações causadas pelo transbordamento do rio Piracicaba, que desalojou milhares de pessoas. Na ocasião, foram realizadas obras de drenagem e aprimorado o sistema de alertas. Desta vez, porém, os danos foram causados pelo vento e pela rede elétrica, e não por elevação do nível das águas. Contudo, o Campo Grande NEWS aponta que a ocorrência de tempestades curtas e violentas durante a transição para a primavera tem se tornado recorrente.

O que ainda não se sabe e os próximos passos

A Cemig ainda não divulgou o tempo total de restabelecimento para os últimos clientes afetados, nem foi divulgado um balanço oficial dos danos materiais nos municípios. O número exato de residências que perderam telhados também não foi confirmado, dados que geralmente são compilados e divulgados pela Defesa Civil dias após o ocorrido. Acompanhar a avaliação de danos da Defesa Civil e possíveis pedidos de estado de emergência será crucial. A reabertura completa da BR-381 para o tráfego pesado e a emissão de novos alertas do INMET sobre a previsão de chuvas fortes na região também são pontos de atenção.

Apesar dos transtornos, a Defesa Civil informou que, até as 23h30 da noite do temporal, não havia registro de feridos graves ou mortes. Quatro escolas municipais em Ipatinga cancelaram as aulas no dia seguinte, 17 de setembro, como medida de precaução e para avaliação dos danos nas unidades escolares. A região, que abriga cerca de meio milhão de pessoas nos quatro municípios mais afetados, volta a mostrar sua vulnerabilidade diante de eventos climáticos extremos.