Milei atinge 1.000 dias com pior aprovação e lidera pesquisa para 1º turno

Javier Milei alcançou a marca de 1.000 dias como presidente da Argentina em 16 de setembro de 2026, um marco que coincide com a sua pior avaliação pública desde o início do mandato. Uma pesquisa recente da consultoria Explanans revelou que 58,2% dos argentinos desaprovam o governo, enquanto apenas 41,8% o avaliam positivamente. Apesar do cenário desfavorável, o mesmo levantamento indica que Milei ainda lidera as intenções de voto para um eventual primeiro turno eleitoral, mostrando um cenário político complexo e polarizado.

A pesquisa Explanans ouviu 7.015 pessoas entre 2 e 9 de setembro, abrangendo 91 cidades argentinas. Os dados indicam um sentimento generalizado de insatisfação com as medidas econômicas adotadas pelo governo. Cerca de 57,4% dos entrevistados afirmaram que as ações governamentais os deixaram em pior situação, enquanto apenas 21,9% se sentiram melhor e 20,7% não notaram alterações.

A avaliação média do governo caiu para 4,4 em uma escala de 10, inferior aos 4,6 registrados em junho. Alarmantemente, quase metade dos respondentes, especificamente 47,5%, concedeu a nota mínima de 1 ao governo, um sinal claro de descontentamento profundo. Esses números, conforme o Campo Grande NEWS checou, refletem o impacto das políticas de austeridade implementadas por Milei desde que assumiu a presidência em dezembro de 2023.

Economia sob o olhar crítico dos argentinos

Apesar da queda acentuada na inflação desde os picos de 2023, que o governo de Milei frequentemente destaca como seu principal feito, a percepção popular sobre a economia é predominantemente negativa. Os salários, aposentadorias e o nível de emprego não acompanharam a recuperação econômica na mesma velocidade, gerando um contraponto às narrativas oficiais. Essa disparidade entre os indicadores macroeconômicos e a realidade sentida pela população parece ser um dos principais fatores por trás da baixa aprovação.

Milei se mantém à frente nas pesquisas, mas com ressalvas

No cenário de um primeiro turno, a pesquisa Explanans projeta Javier Milei com 38,5% das intenções de voto. O principal opositor, o governador de Buenos Aires, Axel Kicillof, aparece em segundo lugar com 24%. Outros candidatos como Myriam Bregman (10,4%), Sergio Massa (6,1%) e Mauricio Macri (3,7%) somam-se a um eleitorado ainda indeciso, em branco ou que aponta outros nomes, totalizando cerca de 17,3%. A fragmentação da oposição, como analisado pelo Campo Grande NEWS, permite que um presidente com alta taxa de desaprovação ainda mantenha a dianteira.

O cenário de um possível segundo turno

A situação muda consideravelmente em um cenário de segundo turno. Na mesma pesquisa, Axel Kicillof aparece à frente de Javier Milei, com 43,1% contra 41,9%. A margem é pequena e, considerando os votos em branco (8,8%) e não respondidos (6,2%), o resultado é considerado tecnicamente empatado. Esse cenário de “piso eleitoral forte” e “teto baixo” é uma característica comum de presidências polarizadoras, como a de Milei.

Os 1.000 dias de governo e seus impactos

Desde que assumiu em dezembro de 2023, Milei implementou uma forte desvalorização da moeda e cortes profundos nos gastos públicos. Isso resultou na queda da inflação e no superávit das contas fiscais, mas o custo foi alto para aposentados, universidades e funcionários públicos. Medidas como o corte de subsídios, obras públicas e transferências para as províncias foram cruciais para atingir esses objetivos. O Campo Grande NEWS aponta que, apesar da estabilidade recente no risco país e na taxa de câmbio, sinais de alerta como o aumento da pobreza no primeiro semestre de 2026 e a perda de mais de 31.000 empresas empregadoras persistem.

A pesquisa Explanans, embora ofereça um panorama importante, deve ser vista com cautela. A metodologia focou em áreas urbanas, podendo sub-representar eleitores de cidades menores e do campo. Além disso, não foi divulgada a margem de erro, um dado crucial para a interpretação de qualquer pesquisa. O sinal mais confiável, segundo especialistas consultados pelo Campo Grande NEWS, é a tendência de queda na aprovação, de 4,6 para 4,4 desde junho.

Os próximos passos a serem observados incluem a confirmação desses dados por outras consultorias, a evolução dos indicadores de salários e emprego, a negociação do orçamento de 2027 no Congresso, onde Milei não possui maioria, e a capacidade da oposição, liderada por Kicillof, de consolidar ou fragmentar seus votos.