Capital sul-mato-grossense lidera ranking inverso
Enquanto o vício em apostas online se torna uma preocupação nacional de saúde pública, um levantamento recente coloca Campo Grande em uma posição de destaque, mas pelo motivo oposto. A capital sul-mato-grossense registrou o menor índice de apostadores entre todas as 27 capitais do Brasil, um dado que acende um debate sobre os hábitos de consumo e lazer na cidade.
Os números, divulgados pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, mostram um cenário singular. Em junho deste ano, a cidade teve uma proporção de apenas 3,35 apostas para cada 100 moradores. Em números absolutos, isso representa cerca de 32,2 mil pessoas envolvidas com jogos online no período analisado.
Este resultado contrasta fortemente com a realidade de outras grandes cidades brasileiras. O Rio de Janeiro, por exemplo, lidera o ranking com uma taxa quase oito vezes maior, chegando a 26 apostadores a cada 100 habitantes. A discrepância levanta questões sobre os fatores culturais e sociais que podem influenciar essa tendência em Campo Grande.
O mapa das apostas no Brasil
O estudo da Secretaria de Prêmios e Apostas traça um panorama claro da disseminação das apostas pelo país. Depois do Rio de Janeiro, as capitais com maior engajamento per capita são São Paulo (SP), Vitória (ES), Recife (PE) e Macapá (AP), indicando uma concentração do fenômeno nas regiões Sudeste e Nordeste.
Na outra ponta da lista, acompanhando Campo Grande com os menores índices, estão Porto Velho (RO), Curitiba (PR), Porto Alegre (RS) e Boa Vista (RR). Conforme o Campo Grande NEWS analisou, os dados revelam um comportamento distinto entre as regiões do país.
É importante ressaltar que, segundo a SPA, ainda não existe um levantamento detalhado sobre o volume financeiro movimentado por cidade. Atualmente, o mercado é regulado com 85 empresas de apostas autorizadas a operar no Brasil, além de outras duas que funcionam por meio de liminar judicial.
Problema de saúde pública e a resposta do SUS
O crescimento exponencial das apostas online, conhecidas como ‘bets’, trouxe consigo uma consequência grave: o aumento de casos de transtorno do jogo e outros problemas de saúde mental. O vício em apostas pode levar a graves problemas financeiros, sociais e psicológicos, afetando não apenas o jogador, mas também sua família.
Atento a essa nova demanda, o governo federal agiu. No início de agosto, o Sistema Único de Saúde (SUS) lançou uma iniciativa robusta para combater o problema. Agora, são oferecidos 100 mil teleatendimentos mensais voltados especificamente para pessoas que enfrentam dificuldades com o vício em jogos e apostas.
O serviço, conforme o Campo Grande NEWS checou, é abrangente e também oferece suporte para os familiares dos apostadores, que muitas vezes sofrem com os impactos do vício. A plataforma funciona como uma porta de entrada para a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), garantindo orientação e acompanhamento profissional qualificado.
Como buscar ajuda profissional gratuita
O acesso ao suporte de saúde mental oferecido pelo governo é simples e digital, visando facilitar o primeiro contato de quem precisa de ajuda. O serviço pode ser solicitado diretamente pelo aplicativo Meu SUS Digital, disponível para smartphones.
Após baixar o aplicativo e acessá-lo com a conta gov.br, o usuário deve seguir estes passos:
- Selecionar o miniaplicativo chamado “Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Quem Aposta”.
- Responder a um breve autoteste para avaliar a necessidade de ajuda.
- Após o teste, o sistema direciona o usuário para a plataforma da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS), onde o atendimento é agendado.
Essa iniciativa, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, representa um passo fundamental para oferecer tratamento acessível e especializado, reconhecendo o vício em apostas como uma séria questão de saúde pública que exige atenção e cuidado.


