Paraguai em Alerta: Risco de Faltar Energia em 2030 Cresce com Meta de Dobrar Exportações para os EUA

O Paraguai, um gigante na exportação de energia elétrica, pode enfrentar sérias crises de abastecimento, incluindo apagões, já em 2030. A advertência parte de líderes industriais do país, que veem a meta ambiciosa de dobrar as exportações para os Estados Unidos colidir com a urgência de investimentos em infraestrutura energética interna. O paradoxo reside no fato de que o Paraguai consome apenas cerca de 16% da eletricidade que produz, exportando o restante a preços baixos, uma situação que se agrava com o aumento da demanda interna e a necessidade de modernizar a rede elétrica. Conforme informações divulgadas pela União Industrial Paraguaia (UIP), a situação exige um plano de investimento robusto para evitar um futuro energético incerto.

Paraguai em Rota de Colisão Energética: Exportar ou Abastecer?

A possibilidade de o Paraguai, um dos maiores exportadores de eletricidade do mundo, sofrer com a falta de energia em menos de uma década soa como um paradoxo. A nação sul-americana, impulsionada por imponentes usinas hidrelétricas como Itaipu (compartilhada com o Brasil) e Yacyretá (com a Argentina), gera um volume de energia significativamente superior ao seu consumo. No entanto, essa abundância exportada, em grande parte, a preços fixados por antigos acordos, deixa o mercado interno vulnerável.

O cenário se torna ainda mais complexo com a ambição do setor privado paraguaio de duplicar as exportações para os Estados Unidos. Essa meta, que impulsionaria a economia local com mais processamento industrial e empregos, exige um suprimento energético estável e crescente. Contudo, a infraestrutura atual da Administração Nacional de Eletricidade (ANDE) clama por investimentos urgentes em linhas de transmissão e subestações, que sofrem com anos de subinvestimento.

A União Industrial Paraguaia (UIP), principal lobby industrial do país, emitiu um alerta claro em seu relatório: sem novos investimentos, o Paraguai poderá enfrentar escassez de energia e apagões rotativos a partir de 2030. Alguns economistas, como Julio Fernández, apontam que o perigo real pode se manifestar ainda mais cedo, por volta de 2028, evidenciando a urgência da situação. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa preocupação é um ponto central no debate econômico paraguaio.

Demanda Crescente e Infraestrutura Defasada: A Receita para a Crise

Os números por trás do alerta são alarmantes. No primeiro quadrimestre de 2026, o consumo de eletricidade no Paraguai registrou um aumento de 21%, segundo dados da BNamericas. Essa demanda crescente é impulsionada por setores emergentes e intensivos em energia, como a mineração de criptomoedas e data centers, atraídos pelo custo da energia. Paralelamente, eventos climáticos extremos, como verões mais quentes e tempestades mais severas, intensificam a pressão sobre a rede elétrica existente.

A rede de transmissão da ANDE, a companhia estatal de eletricidade, necessita de modernizações significativas. Anos de políticas que priorizaram o modelo de exportação em detrimento da capacidade doméstica deixaram a infraestrutura em estado precário. É importante notar que, embora o Paraguai seja conhecido por sua energia renovável, cerca de um terço da energia total consumida internamente provém de biomassa, como carvão vegetal e madeira, e outra parcela similar vem de petróleo e gás importados. As usinas hidrelétricas cobrem a conta da eletricidade, mas não toda a economia energética do país.

O Dilema dos Contratos de Exportação e o Custo Fiscal

A complexidade da situação é acentuada pelos tratados energéticos que regem a venda de eletricidade para Brasil e Argentina. Atualmente, o Paraguai vende a maior parte de sua energia produzida a preços bem abaixo do valor de mercado. Manter uma parcela maior dessa energia para consumo interno, em vez de exportá-la a esses valores, representa um custo fiscal considerável. A indústria paraguaia, no entanto, argumenta que o benefício de utilizar essa energia em fábricas locais, gerando empregos e desenvolvimento interno, supera o ganho financeiro da exportação a baixo custo.

O Ministério de Minas e Energia do Paraguai elaborou um plano ambicioso que visa atrair US$ 11 bilhões em investimentos. Essa quantia seria destinada à modernização da rede de transmissão, construção de novas subestações e ampliação da capacidade de geração. No entanto, a alocação desses recursos compete com outras prioridades nacionais, como estradas, escolas e hospitais, tornando a decisão um complexo exercício de priorização. O Campo Grande NEWS acompanha de perto os desdobramentos dessa negociação.

Ambição Comercial Versus Realidade Energética: O Caminho a Seguir

O setor privado paraguaio demonstra otimismo e estabeleceu a meta de duplicar as exportações para os Estados Unidos. Em junho de 2026, as exportações para os EUA atingiram US$ 50,7 milhões, um aumento de 13,1% em relação ao ano anterior. Esse ímpeto comercial, que já vê os EUA como o terceiro maior comprador de carne paraguaia, precisa ser sustentado por uma infraestrutura energética confiável. A duplicação das vendas para os EUA implica em maior processamento, armazenamento refrigerado e expansão industrial, atividades que dependem diretamente de um fornecimento de energia estável e acessível.

Para evitar a crise energética iminente, o Paraguai precisa agir com celeridade. A atenção se volta para a capacidade do governo em acelerar o cronograma de investimentos, que historicamente tem ficado aquém do crescimento real da demanda. O plano de investimentos da ANDE é crucial, pois atualizações na rede levam anos para serem implementadas. A sustentação do crescimento das exportações para os EUA, que exige um crescimento anual de dois dígitos, também está sob escrutínio. Para investidores estrangeiros, a equação é clara: o Paraguai oferece energia renovável barata e baixos impostos, vantagens que se dissipam se a rede elétrica não for modernizada a tempo. Como o Campo Grande NEWS noticiou, a confiança dos investidores está diretamente ligada à solução dessa equação energética.