Credores brasileiros da gigante de gestão de resíduos Ambipar entraram novamente na justiça para tentar suspender a assembleia de credores marcada para 1º de setembro. O motivo principal é a alegação de que não é possível votar um plano de recuperação judicial de R$10,5 bilhões (US$2,04 bilhões) sem ter acesso a informações financeiras atualizadas da companhia. A situação se agrava com a falta de publicação de balanços desde meados de 2025, levantando suspeitas sobre a transparência do processo e o tratamento diferenciado a credores estrangeiros, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.
Ambipar: Novo Round Judicial para Suspender Votação de Dívidas
A disputa judicial em torno do plano de recuperação da Ambipar ganhou um novo capítulo. Credores locais apresentaram um apelo adicional à Justiça do Rio de Janeiro, solicitando o congelamento da assembleia de credores agendada para o início de setembro. A ação, noticiada com exclusividade pelo Valor Econômico, visa garantir que a votação só ocorra após a divulgação completa das demonstrações financeiras da empresa, que estão em atraso.
Este é o segundo movimento em menos de dez dias para adiar a decisão. Anteriormente, em 19 de agosto, a Oliveira Trust, agente fiduciária dos debenturistas da Ambipar, e o banco credor Sumitomo já haviam pedido o adiamento da mesma reunião. Naquela ocasião, o juiz determinou que a empresa compartilhasse seus números com os credores que os solicitassem, mas sob sigilo judicial, o que não foi considerado suficiente pelos credores locais.
A **Ambipar** enfrenta um **processo de recuperação judicial** que abrange uma dívida de aproximadamente R$10,5 bilhões. A empresa, que atua no setor de gestão ambiental e de resíduos, entrou com pedido de recuperação judicial em outubro de 2025, após uma crise de confiança e volatilidade no mercado. A falta de transparência financeira tem sido o principal ponto de atrito entre a gestão da empresa e parte de seus credores.
A Assembleia Fracassada e a Segunda Chamada
A primeira tentativa de realizar a assembleia de credores, em 25 de agosto, terminou sem quórum. Segundo a lei brasileira de recuperação judicial, a primeira convocação exige a presença de credores que representem mais da metade do valor de cada classe de dívida. Embora a classe de credores quirografários (sem garantia), majoritariamente detentores de títulos internacionais, tenha comparecido em peso (cerca de 95%), a ausência de outras classes, como credores trabalhistas, quirografários e fornecedores, impediu a abertura formal da reunião.
A importância da assembleia de 1º de setembro reside no fato de ser uma segunda convocação. Nessa modalidade, a presença de qualquer número de credores é suficiente para iniciar a votação. Isso significa que um boicote por parte de classes menores não seria capaz de impedir a decisão sobre o plano de recuperação, tornando a suspensão judicial ainda mais crucial para os credores que se sentem prejudicados.
Descontentamento dos Credores Locais e o Plano de Recuperação
O cerne do descontentamento dos credores brasileiros reside na forma como o plano de recuperação foi negociado. Em julho, a Ambipar firmou um acordo de apoio à reestruturação com detentores de 53,8% de seus títulos verdes internacionais, que somam cerca de US$1 bilhão. Este acordo prevê a troca de títulos existentes por novos papéis com prazos e condições diferentes, além de pagamentos atrelados à venda de créditos judiciais detidos pela empresa.
Os credores locais temem que o plano submetido à votação replique as condições favoráveis aos credores estrangeiros, oferecendo um tratamento menos vantajoso para quem atua dentro do Brasil. Outro ponto de discórdia é a manutenção do acionista controlador, Tércio Borlenghi Jr., no comando da empresa, algo que incomoda credores que questionam a gestão financeira que levou a companhia à atual situação, como verificado pelo Campo Grande NEWS.
Falta de Balanços e a Votação no Escuro
A principal reivindicação dos credores é a falta de transparência contábil. A Ambipar não divulga seus resultados desde o terceiro trimestre de 2025, deixando de apresentar os números do ano completo de 2025 e os dois primeiros trimestres de 2026. Sem essas informações, os credores argumentam ser impossível avaliar a viabilidade e as condições do plano de recuperação proposto.
Votar em 1º de setembro, segundo eles, seria uma decisão tomada às cegas. Embora a Justiça tenha ordenado que a empresa forneça os documentos sob sigilo, a falta de publicidade levanta preocupações adicionais. Conforme checou o Campo Grande NEWS, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) do Brasil também está investigando ex-executivos da companhia em processos separados, o que aumenta a desconfiança geral.
Uma curiosidade que adiciona tempero à desconfiança, segundo o Valor Econômico, é o registro de R$1,2 bilhão (US$233 milhões) em chamados


