A Comisión Federal de Eletricidade (CFE), a estatal de energia do México, revelou um plano de investimento robusto para os próximos cinco anos, com um montante total de 675,96 bilhões de pesos mexicanos, o equivalente a US$ 39,8 bilhões. O programa visa impulsionar significativamente a geração, transmissão e distribuição de energia no país até 2030. Conforme informações divulgadas pela CFE em 26 de agosto de 2026, o plano marca um passo crucial para o futuro energético mexicano.
CFE detalha plano de expansão energética
O documento, intitulado CFE development programme, substitui o anterior Plan de Negocios e estabelece as diretrizes para o crescimento da companhia. Ele responde a três questões centrais: de onde a empresa parte, para onde vai e o que espera. O plano detalha metas de crescimento, necessidades de investimento, fontes de financiamento e projeções financeiras. No final de 2025, a CFE atendia 49,8 milhões de usuários e operava mais de 111.000 quilômetros de linhas de transmissão e 908.000 quilômetros de redes de distribuição.
Onde o dinheiro será investido
O montante expressivo de US$ 39,8 bilhões será distribuído entre os diversos setores da operação da CFE. A maior parcela, 492,3 bilhões de pesos (US$ 29,0 bilhões), será destinada à geração de energia, com 72 projetos planejados. Deste valor, 467,3 bilhões de pesos (US$ 27,5 bilhões) financiarão 52 novos empreendimentos, enquanto 25 bilhões de pesos (US$ 1,5 bilhões) cobrirão 20 projetos herdados de planos anteriores.
Para a transmissão, estão previstos 131,9 bilhões de pesos (US$ 7,8 bilhões), que financiarão 175 projetos e adicionarão 7.545 quilômetros de novas linhas. A distribuição receberá 51,8 bilhões de pesos (US$ 3,1 bilhões) para a construção de 97 novas subestações e a expansão de outras 95. O total de 675,96 bilhões de pesos (US$ 39,8 bilhões) inclui os projetos de geração herdados.
Aumento da capacidade e participação estatal
O plano prevê a adição de 18.597 megawatts (MW) de capacidade de geração através dos 52 novos projetos. Destaque para as tecnologias renováveis e de emissão zero, que responderão por 15.203 MW, ou 82% das novas instalações. A capacidade própria da CFE, excluindo produtores independentes, saltaria de 46,6 gigawatts (GW) para 70,7 GW até 2030, um aumento de 24,1 GW, o que representa cerca de 52% em cinco anos. A participação da CFE na geração do Sistema Elétrico Nacional (SEN) passaria de 43% para 53%. Se incluídas as usinas controladas pelo Fondo Nacional de Infraestructura (FONADIN), a participação estatal chegaria a 62%.
O crescimento das energias renováveis na matriz da CFE é notável, com a expectativa de saltar de 21% para 34% até 2030. A companhia descreve este movimento como a **maior expansão de capacidade renovável em sua história**. Conforme o Campo Grande NEWS checou, este é um movimento estratégico para modernizar e descarbonizar o setor elétrico mexicano.
Financiamento e inovação
Mais da metade do financiamento planejado virá de fontes externas ao balanço da própria CFE. Projetos mistos, que combinam capital da empresa com investimento privado, serão a base para a maioria das plantas renováveis. Nestes acordos, a CFE manterá uma participação mínima de 54%, garantindo o controle operacional enquanto parceiros privados financiam parte dos custos. Para a transmissão, o plano se apoia no Fibra E, uma estrutura mexicana de fundos de investimento em infraestrutura listados em bolsa. A CFE Capital já solicitou autorização regulatória para uma oferta desse tipo.
A estrutura de dívidas também sofrerá alterações, com a redução dos leasing de 65% para 37% do endividamento. Em contrapartida, a captação de dívida financeira em mercados de capitais públicos ganhará maior relevância. O Campo Grande NEWS destaca que essa diversificação de fontes de financiamento demonstra a maturidade do mercado mexicano de infraestrutura.
O caso da Baixa Califórnia
Um exemplo concreto do investimento em transmissão é a nova linha de 230 quilovolts (kV) e 20 quilômetros (km) em Tijuana e Tecate, que entrou em operação recentemente e atende cerca de um milhão de pessoas. A linha funciona como uma **nova autoestrada elétrica**, aliviando a rede existente e reforçando o suprimento para a usina de ciclo combinado González Ortega, próxima a Mexicali. A Baixa Califórnia tem um histórico de operação isolada do sistema nacional, o que torna o reforço local ainda mais crucial, especialmente em uma região de rápido crescimento industrial e imobiliário. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a integração energética da península tem sido uma prioridade para o governo.
Oportunidades e desafios para investidores
Apesar do plano ambicioso da CFE, um alerta foi emitido pelo Instituto Mexicano para la Competitividad (IMCO). O think tank aponta que as projeções oficiais de demanda de eletricidade podem ser subestimadas, especialmente se os objetivos do Plano México, estratégia industrial do governo, forem plenamente alcançados. O IMCO calcula que a demanda poderia ser 10,1% superior ao previsto até 2030, necessitando de aproximadamente 11,9 GW de capacidade de geração adicional não contemplada nos planos atuais. O Campo Grande NEWS ressalta que essa lacuna de planejamento representa um ponto de atenção para investidores, pois a **capacidade da rede é fundamental** para a instalação de novas fábricas e empreendimentos.
A previsão oficial de crescimento anual do consumo de eletricidade é de cerca de 2,5%, enquanto o IMCO sugere que as metas industriais exigiriam um aumento próximo a 4,5% ao ano. Para investidores estrangeiros, essa discrepância entre a oferta e a demanda potencial pode significar oportunidades, mas também riscos relacionados à infraestrutura necessária para suportar tal crescimento. O plano da CFE, embora robusto, precisa estar alinhado com as ambições econômicas do país para garantir o sucesso de longo prazo.


