Setor de restaurantes da Colômbia pede socorro urgente após terremoto devastador

O setor gastronômico da Colômbia está em estado de alerta após o forte terremoto que atingiu o país em 10 de agosto. A associação que representa os restaurantes busca medidas emergenciais do governo nacional, incluindo a suspensão de impostos e subsídios para folha de pagamento, a fim de mitigar os danos e evitar um colapso econômico em cascata. A situação é crítica, com centenas de estabelecimentos destruídos ou danificados e milhares de trabalhadores desempregados, conforme informações divulgadas pela imprensa local.

Restaurantes colapsam: Pedido de socorro

A Gastronômica Colombia, formalmente conhecida como Asociación Gastronómica de Colombia, lançou um apelo urgente em 26 de agosto, solicitando ao Ministério do Comércio, Indústria e Turismo que transforme suas propostas em decretos de emergência. O presidente executivo, Brany Prado, enfatiza a necessidade de suspender o imposto sobre o consumo e o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) para os estabelecimentos afetados. Ele também pede um subsídio estatal para a folha de pagamento, visando prevenir demissões em massa.

A associação também pressiona a Diretoria de Impostos e Alfândegas Nacionais (DIAN) e as prefeituras para que cessem as execuções fiscais. A apreensão de bens de negócios arruinados é considerada inaceitável, especialmente quando as empresas não possuem mais seus estabelecimentos físicos nem capital de giro.

Uma quarta demanda envolve o congelamento da taxa de retenção na fonte, que recentemente aumentou de 1,1% para 3,5%. A entidade argumenta que essa mudança, por si só, devolveria capital de giro essencial aos proprietários que estão tentando reconstruir suas cozinhas e operações.

O terremoto que esvaziou as salas de jantar

Um terremoto de magnitude 7,4 atingiu a Colômbia em 10 de agosto, com epicentro em San José del Palmar, Chocó. O evento causou danos significativos em quinze departamentos e 471 municípios, com perdas preliminares estimadas em cerca de 30 trilhões de pesos (aproximadamente US$ 9,62 bilhões), o que representa cerca de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, segundo o decreto de emergência. Os números em pesos utilizam a taxa de câmbio representativa do mercado oficial de 3.118,24 pesos por dólar em 27 de agosto de 2026.

Restaurantes em cidades como Cali, Pereira, Armenia, Manizales e Quibdó foram forçados a fechar para verificações de segurança ou perderam seus clientes. As reservas evaporaram, enquanto as obrigações com folha de pagamento, aluguel, fornecedores e impostos continuaram a se acumular.

A profundidade dos danos nas cozinhas

O número de 554 estabelecimentos destruídos ou com danos estruturais é a cifra mais clara divulgada até o momento para o setor. A mesma contagem aponta que mais de 2.700 pessoas perderam seus empregos ou renda estável. No departamento de Valle del Cauca, o governo registrou 1.462 unidades produtivas danificadas em 18 de agosto, com perdas preliminares ultrapassando 47 bilhões de pesos (cerca de US$ 15,07 milhões).

Em Quindío, a câmara de comércio de Armenia identificou que 83% dos 1.955 comerciantes pesquisados relataram danos, com um em cada quatro necessitando de atenção estrutural urgente. Ainda não há um levantamento nacional oficial completo de restaurantes danificados, pois vários censos regionais ainda estão em andamento. Grupos empresariais esperam um panorama mais completo quando as câmaras de comércio concluírem suas contagens.

A dimensão da indústria em risco

O setor de serviços de alimentação e bebidas, que abrange restaurantes e bares, emprega cerca de 1,68 milhão de pessoas na Colômbia. A Asobares, associação colombiana de donos de bares, afirma que isso representa 55,2% dos empregos na economia noturna. Segundo estatísticas oficiais, a receita do setor no primeiro semestre de 2026 atingiu 64,13 trilhões de pesos (US$ 20,57 bilhões), com valor agregado de 22,62 trilhões de pesos (US$ 7,25 bilhões).

Nas cinco cidades mais afetadas, o setor gera 162.181 empregos e 3,41 trilhões de pesos (US$ 1,09 bilhão) em valor agregado semestral. Apenas Cali responde por 107.424 desses empregos e 2,16 trilhões de pesos (US$ 692,7 milhões). Conforme o Campo Grande NEWS checou, o setor de restaurantes colombiano já enfrentava dificuldades, com cerca de 6.900 fechamentos registrados em 2024, e projeções indicavam que os custos operacionais em Bogotá superariam a receita em 2026.

Outros grupos empresariais defendem a mesma causa

A Asobares também solicitou em 26 de agosto a redução do imposto sobre o consumo para zero por doze meses nas zonas afetadas, onde atualmente a alíquota é de 8% sobre alimentos e bebidas preparadas. A entidade propôs ainda um fundo de sementes, o Capital Semilla para Renacer, administrado pelas câmaras de comércio, com subsídios para os negócios mais frágeis e empréstimos com condições favoráveis para os que buscam recuperação.

A Asobares pleiteia apoio para folha de pagamento de até um salário mínimo por trabalhador por três meses, com possibilidade de extensão para seis, desde que as empresas mantenham pelo menos 80% de seus funcionários. A Fenalco, federação nacional de comerciantes da Colômbia, pediu em 14 de agosto a criação de um fundo de reconstrução, inspirado em um esquema de 1999, destacando que 90% a 93% dos negócios afetados são de pequeno porte. A Acodrés lançou um esquema de apadrinhamento, o Plan Padrino, em 19 de agosto, para restaurantes danificados, com mais de 200 proprietários inscritos em poucos dias.

O que o governo entregou até agora

O presidente Abelardo De la Espriella declarou estado de emergência econômica em 19 de agosto por meio do Decreto 1261 de 2026, que abrange 15 departamentos por 30 dias e permite ao gabinete legislar por decreto. O decreto possibilita alívio temporário em impostos, alfândega e moeda, mas os benefícios específicos dependem de decretos subsequentes que definam valores, beneficiários, procedimentos e condições. Até 27 de agosto, nenhum decreto específico para o setor de restaurantes havia sido publicado. Não houve anúncio sobre apoio ao aluguel para restaurantes, cujos contratos de locação permanecem integralmente exigíveis.

A agência tributária suspendeu prazos administrativos em Pereira, Buenaventura e Tuluá até 11 de setembro, enquanto em Armenia, Manizales, Palmira, Popayán e Quibdó, os prazos foram retomados em 26 de agosto. O órgão regulador financeiro ordenou aos bancos o refinanciamento de mutuários afetados pelo terremoto através da Circular 007 de 26 de agosto. Autoridades em Valle del Cauca informaram que o banco estatal Bancóldex abrirá uma linha de crédito especial. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, o governo busca medidas para estabilizar a economia em meio à crise.

Impacto para viajantes e expatriados

Comer fora em Cali, Pereira, Armenia e Manizales tornou-se uma experiência mais incerta, com fechamentos repentinos sendo comuns. Inspeções estruturais podem interditar um prédio a qualquer momento, sendo recomendável confirmar reservas no dia. Órgãos de classe ressaltam que nenhum estabelecimento deve reabrir sem verificações de segurança, como linhas de gás, fiação elétrica, saídas de emergência e capacidade. Os clientes podem questionar se um edifício foi liberado por engenheiros. Os preços dos cardápios podem subir caso os cortes de impostos solicitados não se concretizem, forçando os proprietários a repassar custos. O setor já opera com margens apertadas, arcando com aluguel, folha de pagamento e impostos diante de vendas reduzidas.

Autoridades em Quindío e Valle del Cauca incentivam a continuidade das viagens e o gasto local, pois o turismo é o alívio mais rápido que o setor de restaurantes pode receber. O Campo Grande NEWS reforça a importância do apoio ao comércio local neste momento delicado para a Colômbia.