TSE: Mendonça propõe tese para julgar deep fakes e combater desinformação em eleições

O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apresentou uma proposta para definir o que caracteriza um deep fake em processos eleitorais. A iniciativa visa estabelecer critérios claros para o julgamento de conteúdos falsos criados por inteligência artificial (IA) que possam prejudicar candidatos durante campanhas. A medida busca trazer mais segurança jurídica para as decisões da Corte, diferenciando o uso de IA permitido e a divulgação de deep fakes, que é proibida.

A proposta de Mendonça surge em um momento crucial, com as eleições se aproximando e o aumento da capacidade de criação de conteúdos sintéticos. O ministro detalhou em sua tese o que considera ser um deep fake: “Considera-se deep fake o conteúdo sintético de áudio, vídeo ou combinação de ambos que, mediante criação, substituição ou alteração digital de imagem ou voz, apresente grau de realismo ou verossimilhança objetivamente apto a produzir falsa percepção de autenticidade quanto a manifestação, comportamento, fato ou circunstância representados”, conforme proposto pelo ministro.

O debate sobre deep fakes e a atuação do TSE ganhou força após uma decisão do próprio ministro Mendonça. Ele determinou a remoção de um vídeo que utilizava imagens de Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência. A campanha do candidato alegou que o material era falso e produzido por IA. Mendonça justificou a suspensão por considerar que o vídeo não apresentava registros reais do candidato, reforçando a necessidade de combater a desinformação.

TSE discute estratégias contra deep fakes

Na semana anterior à proposta de Mendonça, os ministros do TSE já haviam iniciado discussões sobre como lidar com deep fakes durante o período eleitoral. A reunião, convocada pelo presidente do Tribunal, Kassio Nunes Marques, teve como objetivo definir as diretrizes para a atuação da Corte. O encontro ocorreu a portas fechadas, sem declarações oficiais, mas a expectativa é que as definições sejam implementadas nas próximas sessões, quando o TSE julgará os primeiros casos relacionados ao tema.

O combate à desinformação e ao uso indevido de tecnologias como a IA nas eleições é uma prioridade para o TSE. O tribunal já havia aprovado, em março deste ano, regras sobre a utilização de inteligência artificial nas eleições gerais de outubro. Essas normas se aplicam a candidatos e partidos políticos.

Regras para IA e combate à desinformação

Entre as proibições estabelecidas pelo TSE, está a de que provedores de IA não devem sugerir candidatos aos usuários, mesmo que solicitado. O objetivo é **evitar a interferência de algoritmos na livre escolha dos eleitores**, garantindo a autonomia democrática.

Além disso, o TSE ampliou o combate à misoginia digital, proibindo postagens em redes sociais que envolvam montagens com candidatas, ou que apresentem fotos e vídeos com nudez e pornografia. O tribunal também reafirmou que os provedores de internet podem ser responsabilizados judicialmente caso não removam perfis falsos e postagens ilegais de seus usuários, conforme já checado pelo Campo Grande NEWS.

A clareza na definição e o rigor na aplicação das regras são essenciais para garantir a integridade do processo eleitoral. A proposta de Mendonça, ao buscar diferenciar os usos de IA, é um passo importante para que o TSE possa atuar de forma mais eficaz contra as deep fakes, protegendo os eleitores de manipulações e garantindo um debate público mais transparente. O Campo Grande NEWS acompanha de perto as decisões que moldam o futuro da informação nas eleições brasileiras.

A atuação do TSE em relação às deep fakes é fundamental para preservar a confiança na democracia. A desinformação, quando potencializada por tecnologias avançadas, pode ter um impacto devastador na opinião pública e no resultado das eleições. Por isso, a definição de teses jurídicas claras e a aplicação de medidas eficazes são cruciais, conforme já noticiado pelo Campo Grande NEWS.