A destruição de sua casa em um forte terremoto na Venezuela marcou o início de uma jornada épica para Juan Carlos Dias, de 36 anos. Ele, sua esposa e dois filhos percorreram mais de mil quilômetros em um mês, enfrentando desafios inimagináveis para chegar ao Brasil. A família buscou refúgio e uma nova oportunidade em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, após a tragédia que os deixou sem lar.
Um recomeço após a tragédia
Juan Carlos Dias, que antes vivia na cidade de La Guaira, na Venezuela, viu seu mundo desabar com os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 registrados em 24 de junho. No dia seguinte ao desastre, a decisão de partir em busca de um novo futuro foi tomada, impulsionada pelo desejo de oferecer segurança e estabilidade para sua família.
A viagem foi marcada por uma série de dificuldades. A família utilizou ônibus, contou com a generosidade de pessoas que ofereceram caronas e também precisou caminhar longas distâncias. Em alguns momentos, o único refúgio foi a própria rua ou abrigos improvisados, testando a resiliência de todos.
Desafios e esperança na jornada
Conforme relatado por Juan, a família chegou a ser encaminhada para um abrigo temporário na Venezuela, mas as condições precárias do local, especialmente para as crianças, motivaram a decisão de deixar o país. “Depois da destruição da casa, me levaram para um refúgio, mas não deu certo por causa das crianças. Não era um local bom e foi quando decidi empreender essa viagem”, contou Juan.
Um obstáculo adicional surgiu com a perda de documentos pessoais durante o trajeto, o que tem dificultado o processo de regularização no Brasil. Apesar disso, a força de vontade impulsionou Juan e sua família até a fronteira em Corumbá, onde receberam as primeiras orientações e foram encaminhados para a Sala do Migrante, em Campo Grande. O atendimento na Sala do Migrante ocorreu na última sexta-feira (14).
Um novo lar em Mato Grosso do Sul
Juan espera que Mato Grosso do Sul se torne o palco de um novo capítulo em sua vida. Sua experiência como pedreiro pode ser a chave para sua reinserção no mercado de trabalho. O estado tem se tornado um destino conhecido entre os venezuelanos pela relativa facilidade de acesso e oportunidades.
“Onde entrei por Corumbá, replicaram de Campo Grande, facilidade de emprego e vaga de escola para criança”, disse Juan, demonstrando otimismo com as perspectivas.
Transformando desafios em aventura para os filhos
Um dos maiores desafios da viagem foi explicar às crianças as mudanças abruptas causadas pela tragédia. Para manter a esperança e a inocência infantil, Juan transformou o deslocamento em uma aventura. “Tento falar que estamos de viagem, vamos conhecer. Falo que vai ser um lugar novo para morar”, destacou o pai.
A fé em Deus e o desejo de proporcionar um futuro melhor para seus filhos são os pilares que sustentam Juan. “Acredito em Deus para pedir melhoria e ter melhor condição. Meus filhos são a fortaleza para continuar e tentar conseguir um futuro melhor”, finalizou.
Sala do Migrante: um farol de esperança
A Sala do Migrante em Campo Grande tem desempenhado um papel crucial na acolhida e inserção de estrangeiros. Em um ano e seis meses de funcionamento, o espaço já auxiliou na colocação de cerca de 2 mil imigrantes no mercado de trabalho local. Desde sua criação em fevereiro de 2025, pessoas de 20 nacionalidades diferentes já foram atendidas, incluindo venezuelanos, paraguaios, gaboneses, indianos, egípcios, palestinos, sírios, alemães e bolivianos.
Criado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Mato Grosso do Sul, o projeto oferece suporte para a regularização de documentos, orientação e serviços voltados à inserção profissional, conforme o Campo Grande NEWS checou. A iniciativa reforça o compromisso do estado em acolher e integrar migrantes, como detalhado pelo Campo Grande NEWS.
O Campo Grande NEWS acompanha de perto iniciativas como a Sala do Migrante, que mostram a importância do trabalho conjunto para a construção de uma sociedade mais inclusiva e acolhedora para todos.

