Tapa no rosto em tabacaria levou à morte de adolescente de 14 anos em MS

Um jovem de 19 anos confessou à polícia ter matado João Vitor Martins dos Santos, de 14 anos, em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. O motivo alegado para o crime, que chocou a comunidade, foi um tapa no rosto desferido meses antes em uma tabacaria. O suspeito, Paulo Gustavo Silva de Oliveira Amaro, foi preso pelo Batalhão de Choque e afirmou que, na verdade, procurava outra pessoa envolvida na briga para executar.

Segundo o relato de Paulo à polícia, a discussão na tabacaria ocorreu há meses e envolveu João Vitor e um indivíduo conhecido como “Fabinho”. Foi esse tapa no rosto que teria motivado o jovem a buscar vingança. Paulo Gustavo também declarou que, no momento de sua prisão, estava à procura de “Fabinho” para matá-lo, e não de João Vitor.

A defesa de Paulo Gustavo, no entanto, já se manifestou, anunciando que irá contestar a legalidade da prisão. O advogado da defesa destacou que ainda não existe um confronto balístico conclusivo que ligue a arma apreendida ao homicídio, e solicitou que a prisão não seja convertida em preventiva. A nota completa da defesa pode ser encontrada ao final desta reportagem, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.

Detalhamento do Crime e da Prisão

João Vitor foi morto na noite de sábado (15). Ele caminhava com uma adolescente de 16 anos quando foi abordado por dois homens em uma motocicleta. O passageiro desceu do veículo, perseguiu o adolescente pela rua e efetuou vários disparos. João Vitor foi atingido na cabeça, no tronco e na perna, e não resistiu aos ferimentos, morrendo no local. A perícia recolheu dez estojos de munição calibre 9 mm na cena do crime.

A prisão de Paulo Gustavo ocorreu após o Batalhão de Choque receber informações de que um dos possíveis autores do homicídio era conhecido como “TH”. Os policiais identificaram o suspeito e iniciaram buscas em locais que ele frequentava. Paulo foi encontrado na garupa de uma motocicleta vermelha, pilotada por Miguel Oliveira da Silva, de 18 anos.

Segundo a polícia, a dupla fugiu da abordagem policial e acabou caindo da moto algumas quadras adiante. Durante a perseguição, Paulo teria dispensado uma pistola calibre 9 mm. A arma foi recuperada e continha 14 munições. Foi durante a abordagem que Paulo confessou ter matado João Vitor, afirmando ter utilizado a pistola e uma motocicleta no crime.

A arma apreendida é do mesmo calibre dos estojos encontrados no local do homicídio, porém, ainda será submetida a um confronto balístico para confirmar se foi a arma utilizada no assassinato. A motocicleta em que os jovens estavam possuía registro de furto, um dado relevante na investigação, como noticiado pelo Campo Grande NEWS.

Posicionamento da Defesa e Próximos Passos

Apesar de ter sido preso com Paulo, Miguel não foi indiciado pelo homicídio. Ele declarou que não participou da morte e que havia sido chamado apenas para conduzir a motocicleta naquela madrugada, versão confirmada por Paulo. A Polícia Civil informou que ainda não há elementos seguros para apontar Miguel como o piloto da motocicleta usada na execução.

Miguel foi indiciado por receptação e desobediência, enquanto Paulo foi indiciado por homicídio qualificado. A polícia continua empenhada em identificar o segundo envolvido na morte de João Vitor. A investigação segue em andamento para esclarecer todos os detalhes do caso, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.

A defesa de Paulo Gustavo Silva de Oliveira Amaro, representada pelo advogado Wilian Frata, informou que a audiência de custódia está prevista para o dia 18 de agosto de 2026. A defesa pretende questionar a legalidade da prisão, especialmente a questão do flagrante em relação ao homicídio, visto que a abordagem ocorreu dias após o crime. A alegação é de que a suposta declaração informal de Paulo durante a abordagem não pode, por si só, fundamentar uma prisão cautelar sem confirmação pericial.

Outro ponto crucial levantado pela defesa é a ausência de um confronto balístico conclusivo que estabeleça um vínculo técnico entre Paulo Gustavo e o homicídio. O advogado Wilian Frata ressaltou que a audiência de custódia deve analisar a legalidade da prisão e a necessidade de sua manutenção, sem antecipar qualquer juízo de culpa. A defesa confia no Poder Judiciário e buscará demonstrar que existem questões relevantes sobre a legalidade da prisão e a falta de elementos concretos que justifiquem a custódia, garantindo o direito à presunção de inocência e ao devido processo legal para Paulo Gustavo.

Como tese principal, a defesa requereu que a prisão não seja convertida em preventiva. Subsidiariamente, solicitou a aplicação de medidas cautelares diversas da prisão. O advogado também pediu que sejam verificadas as condições físicas de Paulo, diante de escoriações decorrentes do tombamento da motocicleta durante a perseguição policial.