EUA acusam cinco líderes do CJNG e oferecem mais de US$100 milhões em recompensas
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou, em 5 de agosto de 2026, o indiciamento criminal de cinco líderes de alto escalão do Cártel de Jalisco Nova Geração (CJNG), uma das organizações de tráfico de drogas mais poderosas do México. A ação, coordenada com diversas agências americanas como a DEA e o FBI, representa uma escalada na campanha de Washington contra o cartel, meses após a morte de seu fundador, Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como ‘El Mencho’.
As acusações, ainda a serem comprovadas em tribunal, detalham conspirações que se estendem por uma década, focadas no tráfico de cocaína, metanfetamina, heroína e fentanil para os Estados Unidos. Além disso, os indiciados enfrentam acusações relacionadas ao uso de armas de fogo, que podem levar a penas de até duas sentenças de prisão perpétua consecutivas. Conforme o Departamento de Justiça, os acusados são considerados foragidos.
Quem são os acusados e as alegações
Os cinco indivíduos identificados nas acusações são Julio César Montero Pinzón, Carlos Andrés Rivera Varela, Hugo Gonzalo Mendoza Gaitán, Ricardo Ruiz Velasco e Julio Alberto Castillo Rodríguez. Todos permanecem foragidos da justiça. Segundo os documentos judiciais, Montero Pinzón e Rivera Varela são apontados como fundadores e líderes de uma unidade de força armada conhecida como ‘Grupo Elite’.
Hugo Gonzalo Mendoza Gaitán, descrito como afilhado de ‘El Mencho’, é acusado de adquirir armamentos para o cartel. Julio Alberto Castillo Rodríguez, por sua vez, é identificado como ex-genro de ‘El Mencho’. É importante ressaltar que estas são alegações que ainda precisam ser submetidas ao escrutínio judicial. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a divulgação dessas acusações visa globalizar a caçada aos foragidos e expor seus bens.
Recompensas bilionárias para informações cruciais
Paralelamente às acusações criminais, o Departamento de Estado dos EUA elevou o valor total das recompensas oferecidas por informações que levem à prisão ou condenação de oito foragidos do CJNG para mais de US$100 milhões. As recompensas individuais podem chegar a até US$25 milhões, demonstrando a seriedade com que Washington trata a ameaça representada pelo cartel.
Essas ações fazem parte de uma força-tarefa de segurança interna estabelecida sob uma ordem executiva da administração anterior, que já havia designado o CJNG como organização terrorista estrangeira em fevereiro de 2025. O Campo Grande NEWS destaca que a estratégia americana se concentra em indiciamentos, recompensas e cooperação de inteligência e aplicação da lei, sem a presença de tropas em solo mexicano.
O cenário de violência em Michoacán e a morte de ‘El Mencho’
A região de Michoacán, no oeste do México, é palco de intensos conflitos entre o CJNG e grupos rivais, como os Cárteles Unidos e La Familia Michoacana. As forças de segurança mexicanas têm intensificado suas operações no estado em 2026. O pano de fundo para essas novas acusações é a morte de ‘El Mencho’ em fevereiro de 2026, durante uma operação militar mexicana apoiada por inteligência dos EUA.
A morte do fundador do CJNG desencadeou uma disputa violenta pelo controle do cartel, intensificando a instabilidade na região. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, tem reiterado publicamente a posição do país contra a presença militar estrangeira em seu território, e nenhuma presença de combate dos EUA em Michoacán foi confirmada. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a cooperação entre México e EUA na área de segurança é vital, especialmente com a proximidade da Copa do Mundo de 2026.
O que esperar nos próximos passos
Com os cinco líderes do CJNG considerados foragidos, as acusações atuais funcionam como uma tática de pressão. Elas buscam intensificar a caçada global, expor ativos financeiros e aumentar os custos para quem eventualmente abrigar os criminosos. Qualquer processo judicial futuro dependerá da captura ou extradição dos acusados.
Para o México, essa sequência de eventos mantém a cooperação em segurança com Washington em evidência, ao mesmo tempo em que testa os limites da coordenação entre os governos sem violar a soberania mexicana. A luta contra o crime organizado transnacional continua sendo um dos principais desafios para ambos os países.


