Caos no Rio: mais de 140 mil imóveis sem luz após vendaval devastador

Protestos e prejuízos marcam 40 horas de apagão no Rio

Mais de 40 horas após um forte vendaval atingir o Rio de Janeiro, o cenário ainda é de caos para milhares de famílias. Cerca de 141 mil imóveis continuam sem energia elétrica nesta sexta-feira (31), gerando uma onda de protestos e prejuízos incalculáveis para moradores da capital e da Baixada Fluminense. A demora no restabelecimento do serviço levou a população ao limite, com manifestações que fecharam ruas e incendiaram lixo em diversas localidades, refletindo a frustração e o desespero de quem enfrenta o apagão.

As concessionárias Light e Enel apontam um principal vilão para a lentidão: a queda de um grande volume de árvores sobre a rede elétrica. Equipes trabalham intensamente para remover os destroços e reparar os danos, mas a complexidade das operações em bairros densamente arborizados tem sido um desafio monumental. Bairros como Campo Grande e Jacarepaguá estão entre os mais afetados na capital.

A situação é crítica e afeta diretamente a rotina e a segurança da população. Além da perda de alimentos e do impedimento do trabalho remoto, a falta de luz impacta o abastecimento de água em residências que dependem de bombas elétricas. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a promessa das empresas é de normalizar a situação até o fim do dia, mas a desconfiança e a revolta dos consumidores só aumentam.

Bairros mais afetados e a resposta das concessionárias

A Light, responsável pelo fornecimento na capital e em parte da Baixada, informou que 105 mil de seus clientes ainda estão no escuro. A empresa destacou que os bairros com maior impacto no Rio são Campo Grande, Bangu, Jacarepaguá, Santa Cruz e Recreio. Na Baixada Fluminense, os municípios de Nova Iguaçu e Duque de Caxias concentram os maiores problemas.

Já a Enel, que atende outras regiões do estado, reportou que 36 mil imóveis seguiam sem luz no início da manhã. Segundo a companhia, a situação é mais grave no Sul Fluminense, especialmente em Paraty, Angra dos Reis e Mangaratiba. Apesar do número expressivo, a Enel afirma que 99% dos casos já foram solucionados.

Ambas as empresas garantem que o principal entrave para o restabelecimento total é a complexidade dos reparos, que envolvem a remoção de árvores de grande porte que caíram sobre a fiação. A Light se comprometeu a restabelecer a energia em todas as áreas afetadas até o final desta sexta-feira.

O drama dos moradores: prejuízos e falta de água

Para quem vive o problema na pele, a espera é angustiante e os prejuízos se acumulam. Moradores relatam não apenas a perda de alimentos, mas também a dificuldade de realizar tarefas básicas. O empresário João Paulo Oliveira desabafou sobre a situação: “Todo mundo sem luz, com a comida estragando na geladeira, tendo que carregar o telefone na padaria. Tá muito complicado para a gente”.

Em alguns casos, como o da jornalista Carolina Mancino, a falta de luz acarreta também a falta de água. “Aqui são casas grandes, a maioria com cisterna. Então, precisa de luz para bombear a água para cima. Eu tenho uma idosa em casa em tratamento oncológico e eu estou sem água e sem luz“, contou.

Conforme o Campo Grande NEWS checou, a população se sente abandonada. Moradores afirmam que já haviam alertado as autoridades sobre os riscos. “Aqui, nessa rua, tem três postes de ferro, todos enferrujados. Já tínhamos falado com a prefeitura sobre o problema, com a Light, e ninguém fez nada”, relatou o comunicador Fábio Azevedo.

População se revolta e protesta com barricadas

A paciência da população chegou ao fim em vários pontos do Rio e da Baixada. Na comunidade Bela Vista, na Taquara, moradores atearam fogo em lixo e fecharam ruas para chamar a atenção das autoridades. Em Sepetiba, um ônibus foi depredado e usado para bloquear uma via, onde lixo também foi incendiado como forma de barricada.

A revolta também tomou conta da Baixada Fluminense. Em Duque de Caxias, os protestos aconteceram na movimentada Avenida Kennedy. Já em Nova Iguaçu, manifestações foram registradas no bairro Jardim Corumbá. O sentimento geral é de abandono e indignação, como atestam os relatos e as imagens que circulam.

Esses atos refletem o desespero de uma população que se vê sem respostas e sem um serviço essencial há quase dois dias. O Campo Grande NEWS segue acompanhando os desdobramentos da crise e a situação dos moradores, especialmente em bairros da Zona Oeste, como Campo Grande, um dos mais atingidos pelo apagão.