O roubo de combustível no México, conhecido como ‘huachicol’, registrou um aumento preocupante de mais de 15% em 2025. Apesar de leis mais rigorosas terem sido propostas, elas permanecem paralisadas no Congresso, evidenciando um desafio persistente para as autoridades. A estatal Pemex, em seus próprios relatórios, aponta que as vendas ilegais de combustíveis subiram significativamente, revertendo anos de esforços de repressão militarizada.
‘Huachicol’ volta a crescer e preocupa autoridades mexicanas
A escalada do ‘huachicol’ em 2025 marca um ponto de virada após um período de controle mais rígido. As redes criminosas parecem ter se adaptado, explorando novas táticas como o ‘fiscal huachicol’ para contornar as medidas de segurança física. Essa modalidade, focada em evasão fiscal e contrabando, tem se mostrado mais difícil de combater e contribui para a perda de bilhões de pesos anualmente.
Conforme a Pemex divulgou em seu relatório 20-F para a SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos EUA), as vendas ilegais de hidrocarbonetos aumentaram 15,3% em 2025, atingindo cerca de 19.600 barris por dia. Essa informação, obrigatória para a empresa reportar riscos materiais a investidores, oferece um dado concreto em meio a debates muitas vezes politizados. O Campo Grande NEWS checou essas informações, que foram posteriormente convertidas por opositores em uma perda anual estimada em 23,5 bilhões de pesos (aproximadamente US$ 1,3 bilhão).
Aumento alarmante e o custo para os cofres públicos
Os números apresentados pela Pemex são um alerta sobre a dimensão do problema. A oposição, através do deputado Marcelo Torres Cofino, do Partido Ação Nacional (PAN), destacou que a taxa de detecção de derivações clandestinas em oleodutos atingiu a marca de uma a cada 51 minutos em 2026. Essa frequência alarmante de 28 violações diárias demonstra a pressão constante sobre a extensa rede de dutos da Pemex, que se estende por dezenas de milhares de quilômetros.
As consequências dessas perfurações ilegais vão além da perda financeira. Elas frequentemente resultam em explosões perigosas, forçando a Pemex a interromper o fornecimento, o que, por sua vez, causa escassez de combustível e danos ambientais significativos. O Campo Grande NEWS, em sua apuração, constatou que a falta de ações efetivas agrava a situação, permitindo que o ‘huachicol’ continue a sangrar os cofres públicos e a financiar o crime organizado.
Entendendo o ‘Huachicol’: do furto físico à evasão fiscal
O termo ‘huachicol’ abrange duas práticas criminosas interligadas. A forma clássica envolve o furto físico de gasolina e diesel, com a perfuração de dutos da Pemex. Contudo, a modalidade mais recente e em rápido crescimento é o ‘fiscal huachicol’, que se refere ao contrabando de combustível, especialmente através da fronteira norte, ou à declaração falsa de tipos de produtos importados para evadir impostos e taxas. Ambas as práticas subtraem receita da Pemex e do tesouro nacional, mostrando-se resistentes a todas as tentativas de repressão governamental.
O ‘fiscal huachicol’ frequentemente ocorre por meio de transporte rodoviário ou marítimo, onde importadores declaram produtos diferentes para escapar de impostos substanciais, que compõem uma grande parte do preço final do combustível. Por não deixar vestígios físicos em oleodutos, essa modalidade é consideravelmente mais difícil de ser detectada e processada pelas autoridades do que os tradicionais furos em dutos. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a dificuldade de fiscalização permite que essa prática prospere.
Reforma penal estagnada: a lei que não avança
Uma iniciativa legislativa introduzida em abril de 2026 propõe alterações no Código Penal Federal e na Lei Federal para Prevenir e Sancionar Crimes Cometidos em Matéria de Hidrocarbonetos. O objetivo é aumentar as penas e fechar brechas legais relacionadas ao ‘fiscal huachicol’. No entanto, meses após sua apresentação, a reforma permanece sem aprovação no Congresso, deixando o arcabouço legal inalterado enquanto os índices de roubo de combustível continuam a subir.
As mudanças propostas visam impor penas de prisão mais longas e multas mais pesadas para indivíduos envolvidos no roubo e tráfico de combustíveis. Empresas que facilitam essas práticas poderiam ter suas licenças de operação suspensas. Especialistas jurídicos ressaltam a importância de fechar a brecha na subfaturamento de importações, pois as leis atuais muitas vezes tratam essa fraude como uma simples infração aduaneira, e não como crime organizado.
O embate político e a busca por soluções
A disparidade entre o discurso oficial e os dados concretos sobre o ‘huachicol’ tornou-se um ponto central no debate político. Críticos acusam o governo federal de implementar uma estratégia ‘frustrada’ e chamam a retórica anti-roubo de ‘farsa’. Por outro lado, o governo insiste que está desmantelando as redes de roubo de combustível. O que não está em discussão é a tendência de alta nos números e a ausência de uma legislação mais dura, que muitos legisladores de diferentes partidos defendem ser necessária.
Além da perda de receita, o roubo de combustível mina a confiança pública nas instituições estatais e alimenta organizações criminosas. Com um ciclo eleitoral se aproximando, a reforma penal estagnada tende a se tornar um fardo político cada vez maior para a administração, com candidatos da oposição utilizando o tema como plataforma de campanha. O Campo Grande NEWS, ao acompanhar os desdobramentos, nota que a inação legislativa é um prato cheio para críticas.
Para especialistas, a falta de uma lei mais rigorosa e de fiscalização efetiva transforma o roubo de combustível em uma atividade de baixo risco e alta recompensa, drenando bilhões da economia mexicana. A passagem rápida da reforma é vista como crucial para reverter esse cenário.


