O Brasil iniciou com força os Jogos Parasul-Americanos de Valledupar, na Colômbia, conquistando um total de sete medalhas logo no primeiro dia de competições de ciclismo de estrada. Foram quatro ouros e três pratas nas provas de contrarrelógio, modalidades que testam a velocidade e resistência dos atletas. A transmissão ao vivo dos jogos está disponível no YouTube pela emissora pública Señal Colombia.
Ciclismo: Nova Paixão de Estrela do Atletismo
Entre os destaques brasileiros, está Jerusa Geber, atleta paralímpica renomada no atletismo, que agora brilha também no ciclismo. Jerusa conquistou a medalha de prata na classe B, para atletas com deficiência visual, em sua estreia na nova modalidade. Ligada ao ciclismo desde o fim de 2024, a acreana de 44 anos é tetracampeã mundial e recordista nos 100 metros rasos, sendo a primeira cega a completar a prova em menos de 12 segundos. Ela também possui duas medalhas de ouro em Jogos Paralímpicos, conquistadas em Paris nos 100 e 200 metros.
Jerusa, guiada pela paulista Marcella Toldi, completou o percurso do contrarrelógio em 27min55s23. A medalha de ouro ficou com outra brasileira, a fluminense Viviane Soares, que marcou 26min46s41. A argentina Maria Jose Quiroga completou o pódio com 29min13s73. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a atleta demonstrou grande satisfação com o resultado, declarando seu amor pelo ciclismo e a intenção de permanecer na modalidade por bastante tempo.
“Estou muito feliz com este resultado. O ciclismo é uma paixão para mim. Estou gostando muito e pretendo ficar nele por bastante tempo. Até onde der, quero seguir no esporte dando trabalho para minhas adversárias”, disse Jerusa Geber em depoimento ao Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).
Viviane Soares: Ouro e Inspiração
Viviane Soares, que conquistou o ouro na mesma categoria de Jerusa, com a paulista Lara Marinho como sua pilota, também é uma atleta que transita entre diferentes esportes. Aos 30 anos, Viviane foi medalhista de bronze nos 100 metros da classe T12 (baixa visão) no Campeonato Mundial de Atletismo de 2019 e planejava encerrar sua carreira em 2025 antes de ser apresentada ao ciclismo. Sua conquista em Valledupar é um reflexo de sua determinação.
“Muitas pessoas me ajudaram e me apoiaram nos momentos mais difíceis, quando pensei em parar. Foi uma prova maravilhosa. Eu sabia que tinha chances de pódio, mas não sabia qual medalha seria. Entrei para dar tudo de mim e mais um pouco para conseguir este ouro. Foi duro, cansei bastante, mas deu tudo certo no final”, celebrou Viviane Soares, conforme relatado pela assessoria de imprensa do CPB.
Mais Medalhas para o Brasil no Ciclismo
O Brasil ampliou sua coleção de medalhas com mais cinco pódios no ciclismo. Lauro Chaman, de São Paulo, venceu a disputa masculina da classe C5 (atletas com deficiências físico-motoras leves ou amputações), com o tempo de 34min30s81, superando os colombianos Diego Dueñas e Juan Gómez. Na categoria feminina, a mineira Fabiana Ventura conquistou a prata (32min08s15), ficando atrás da colombiana Paula Ossa, mas à frente da panamenha Laydis Veja.
Na classe C2 (comprometimento físico-motor moderado), o mineiro Roberto Neto garantiu o ouro masculino com 26min00s68, à frente do colombiano Esneider Muñoz e do chileno Manuel Opazo. No feminino, Sabrina Custódia levou a prata, com 15min40s07, 1min42s atrás da colombiana Daniela Munévar. A argentina Maria Sergo ficou com o bronze. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a competição tem sido acirrada entre as nações sul-americanas.
O mineiro Eduardo Pimenta subiu ao pódio com o ouro na classe H3 (handbikes), completando a prova em 28min41s49. O pódio foi completado pelo argentino Oscar Biga (prata) e pelo chileno Sebastian Morales (bronze). O desempenho brasileiro evidencia a força e a diversidade do esporte paralímpico no país.
Jogos Parasul-Americanos: Um Marco para o Esporte Brasileiro
O Brasil participa dos Jogos Parasul-Americanos com uma delegação expressiva de 237 atletas em 13 modalidades. A equipe conta ainda com 4 atletas-guia e 4 pilotos para auxiliar competidores com deficiência visual, além de goleiros do futebol de cegos e calheiros da bocha. A competição segue até 15 de julho, com a cerimônia de abertura marcada para o próximo domingo (5). A atleta paralímpica Mariana D’Andrea e o mesatenista Iranildo Espíndola serão os porta-bandeiras do Brasil.
Estes jogos representam o primeiro evento multiesportivo do Brasil no ciclo para os Jogos de Los Angeles, em 2028. A delegação brasileira é composta por 50 medalhistas em Campeonatos Mundiais e 48 medalhistas paralímpicos, demonstrando o alto nível técnico dos atletas. A segunda edição dos Jogos Parasul-Americanos, que teve sua primeira edição em Santiago, no Chile, em 2014, quando o Brasil ficou em segundo lugar no quadro de medalhas, atrás da Argentina, consolida a importância do evento para o desenvolvimento do esporte na região. O Campo Grande NEWS destaca que a participação brasileira reforça o compromisso com a excelência e a inclusão no cenário esportivo internacional.


