Pacientes sofrem em posto de saúde com camas quebradas e falta de ar-condicionado

Familiares de pacientes internados no Centro Regional de Saúde da Coophavila II, em Campo Grande, relatam um cenário desolador. A espera por transferência para hospitais se arrasta em meio a instalações precárias, com destaque para a falta de ar-condicionado funcionando, camas quebradas e um único banheiro para múltiplos pacientes. A situação expõe a fragilidade do atendimento em unidades de saúde que deveriam oferecer conforto e dignidade em momentos de vulnerabilidade.

A manicure Daniele Cristaldo, que acompanha sua mãe há quatro dias, descreve a angústia de dormir em uma cadeira escolar e a incerteza sobre o futuro do tratamento. A falta de informações claras sobre os processos de transferência e a demora na regulação de vagas agravam o sofrimento das famílias, que se veem em um limbo de esperança e desamparo.

Conforme apuração do Campo Grande NEWS, a unidade de saúde em questão tem sido palco de denúncias recorrentes sobre a inadequação das instalações. Vídeos e relatos enviados por familiares pintam um quadro preocupante da realidade enfrentada por quem busca atendimento, evidenciando a necessidade urgente de intervenções por parte dos órgãos responsáveis.

Mãe aguarda transferência neurológica em condições adversas

Daniele Ferreira Cristaldo acompanha sua mãe, Luiza Justino Ferreira, de 58 anos, que está internada há quatro dias. Luiza precisa de uma vaga para atendimento neurológico e psiquiátrico, devido a sequelas de um aneurisma cerebral sofrido em 2013, que resultaram em distúrbios mentais. A paciente foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros e levada à unidade na última terça-feira (30), mas a espera por um hospital especializado continua.

A situação na enfermaria se tornou ainda mais crítica quando a cama onde Luiza estava apresentou problemas. O leito quebrou e foi improvisadamente “consertado” com uma base feita de azulejos empilhados, tornando-o inoperante. Consequentemente, Luiza precisou ser transferida para outro leito, em meio à precariedade geral do ambiente.

Acompanhante dorme em cadeira e critica falta de estrutura

Para dar o suporte necessário à mãe, que requer acompanhamento constante, Daniele precisou se afastar do trabalho. Ela relata que passa dias e noites na unidade de saúde, e que, para descansar, tem se submetido a dormir em uma cadeira escolar desde o início da internação. Essa realidade demonstra o sacrifício e a dedicação dos familiares em face da negligência.

A enfermaria, segundo o relato de Daniele, comporta dois pacientes, com uma terceira cama em condições inadequadas de uso. A falta de higiene e conforto é intensificada pelo fato de que outros banheiros da enfermaria estariam interditados, forçando todos os pacientes a utilizarem o mesmo banheiro para suas necessidades básicas, como banho e higiene pessoal. Essa situação representa um risco à saúde e à dignidade dos internados.

Demora na transferência e falta de informação geram revolta

Além das condições físicas precárias, Daniele expressa grande insatisfação com o atendimento e a falta de transparência nas informações sobre a transferência de sua mãe. A ausência de dados concretos sobre a previsão de vaga em um hospital especializado gera ansiedade e desespero. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a situação é recorrente e afeta diversos pacientes na unidade.

Diante da demora e da falta de respostas, Daniele já iniciou os trâmites para solicitar a documentação necessária para acionar a Defensoria Pública. O objetivo é buscar medidas legais que garantam a transferência de sua mãe para um local com atendimento adequado. No entanto, até o momento, os documentos solicitados ainda não foram fornecidos pela unidade de saúde, o que adiciona mais um obstáculo à sua luta.

Prefeitura de Campo Grande ainda não se pronunciou

A Prefeitura de Campo Grande foi contatada pela assessoria de imprensa para comentar as denúncias sobre as condições do Centro Regional de Saúde da Coophavila II. Até o fechamento desta matéria, nenhuma manifestação oficial foi divulgada. O espaço permanece aberto para futuras declarações. A comunidade aguarda um posicionamento e, principalmente, ações efetivas para solucionar os problemas que afetam a saúde e o bem-estar dos pacientes e seus familiares. O Campo Grande NEWS continuará acompanhando o caso.