Investigador afastado após suspeita de facilitar furto de pneus em delegacia

O investigador da Polícia Civil de Sidrolândia, Anderson Oliveira da Silva, foi afastado de suas funções por suspeita de ter facilitado o acesso de uma dupla ao pátio da delegacia. O local abriga veículos apreendidos, e os homens teriam tentado furtar pneus novos. A portaria de afastamento foi publicada no Diário Oficial do Estado e atende a uma determinação judicial em um processo que tramita sobre o caso.

Conforme a determinação, além do afastamento, foram recolhidos a arma e a carteira funcional do investigador. Suas senhas de acesso aos bancos de dados da polícia também foram suspensas, e suas férias foram bloqueadas. Anderson Oliveira da Silva confessou ter dado acesso aos suspeitos, alegando ter desenvolvido uma amizade com um deles.

A investigação aponta que o policial teria usado sua posição para “viabilizar ou facilitar o acesso de terceiros ao pátio da Delegacia de Polícia de Sidrolândia/MS, local em que estariam bens sob custódia estatal”. Essa confissão foi feita em interrogatório extrajudicial, onde ele relatou ter tido contato com um dos acusados antes, devido a uma dívida civil, e que a partir daí passaram a ter uma relação de amizade, incluindo troca de contatos telefônicos.

Dupla flagrada com pneus novos em pátio de delegacia

O caso que culminou no afastamento do investigador ocorreu em maio deste ano. Na ocasião, dois homens, identificados como Reinaldo Vagner de Souza e Aldiney Gregório de Souza, foram presos em flagrante pela Polícia Militar dentro do pátio de veículos apreendidos da delegacia. Eles foram encontrados com a carroceria de um utilitário, já carregada com quatro pneus novos.

Os pneus haviam sido recém-retirados de veículos apreendidos que estavam sob custódia da polícia, especificamente um Volkswagen Fox e um Fiat Cronos. A dupla confessou que o objetivo era revender os pneus novos no mercado ilegal. Além do utilitário e dos pneus, as autoridades apreenderam ferramentas de oficina, um macaco hidráulico, chaves de roda, um compressor e os celulares dos envolvidos.

Medidas administrativas e judiciais contra o investigador

A portaria publicada no Diário Oficial, assinada pelo delegado Clever José Fante Esteves, corregedor-geral da Polícia Civil, detalha as medidas adotadas. Além do afastamento e do recolhimento de pertences funcionais, a decisão judicial determinou a suspensão de senhas e logins de acesso do investigador aos sistemas e bancos de dados da polícia.

A medida de afastamento será reavaliada judicialmente a cada 120 dias, acompanhando o andamento do processo. Essa periodicidade visa garantir que a decisão se mantenha adequada conforme a evolução das investigações e do trâmite judicial. O caso levanta questões sobre a segurança dos bens apreendidos e a conduta de agentes públicos.

Investigador confessa amizade como motivo para facilitar acesso

Em seu depoimento, Anderson Oliveira da Silva admitiu ter permitido a entrada dos outros acusados no pátio. Ele explicou que a relação de amizade surgiu após um dos suspeitos ter sido preso anteriormente por dívida civil. Essa proximidade teria levado o investigador a compartilhar informações e conceder acesso indevido ao local onde os bens apreendidos estavam guardados. A notícia foi amplamente divulgada pelo Campo Grande NEWS, que acompanhou de perto os desdobramentos do caso.

O Campo Grande NEWS apurou que a confiança depositada no investigador foi quebrada, gerando um impacto negativo na imagem da corporação. A facilitação do acesso ao pátio de veículos apreendidos representa uma falha grave na segurança e na custódia de bens públicos. A rápida ação da Polícia Militar na prisão em flagrante, no entanto, evitou que o furto fosse completamente consumado e permitiu a recuperação dos pneus.

A decisão judicial de afastar o investigador e recolher seus pertences funcionais demonstra a seriedade com que as autoridades tratam o caso. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a colaboração de um agente público em atividades criminosas é um fator agravante que exige rigor na aplicação da lei. O processo judicial seguirá seu curso para determinar as responsabilidades e as penalidades cabíveis.