Gestão arcaica no transporte de Campo Grande: interventor aponta falhas graves

A intervenção no sistema de transporte coletivo de Campo Grande, iniciada há poucas semanas, já lança luz sobre problemas profundos na gestão do Consórcio Guaicurus. O interventor geral, advogado Alexandro Adriano Lisandro de Oliveira, não hesitou em classificar o modelo administrativo como “arcaico”, indicando uma necessidade urgente de modernização e eficiência para atender aos cerca de 140 mil passageiros que utilizam o serviço diariamente. A análise inicial, conforme divulgado pelo portal Campo Grande NEWS, aponta para a carência de tecnologia e de recursos que otimizariam a administração e a qualidade do transporte público na capital.

O cenário encontrado é de um sistema que, apesar de transportar um volume expressivo de pessoas com aproximadamente 400 ônibus, sofre com a falta de investimentos e uma estrutura de gestão ultrapassada. A frota, cuja renovação está atrasada, e o contrato firmado em 2012, que pode ser renegociado ou até mesmo ter sua caducidade declarada, são pontos críticos que serão detalhadamente analisados pela equipe interventora. Uma nova reunião com a prefeita Adriane Lopes está agendada para apresentar os avanços do trabalho, que segue o cronograma estabelecido.

A intervenção, que tem duração inicial prevista de 180 dias, com possibilidade de prorrogação, foi determinada pela Justiça e visa aprofundar a compreensão sobre os contratos, as finanças e a qualidade dos serviços prestados. O objetivo é subsidiar a prefeita com informações concretas para a tomada de decisões sobre o futuro do transporte coletivo na cidade. A equipe técnica, composta por quatro integrantes, está reunida com usuários, trabalhadores e coletando documentos e dados operacionais e financeiros para consolidar um diagnóstico completo.

Diagnóstico Técnico em Andamento

Em seus primeiros 11 dias úteis de atuação, a comissão interventora já coletou impressões preliminares sobre a gestão do transporte em Campo Grande. O advogado Alexandro Oliveira ressaltou que, por estar em fase inicial, ainda não há detalhes a serem divulgados à imprensa, mas a avaliação geral aponta para uma “gestão arcaica”. A falta de ferramentas tecnológicas e de recursos que poderiam tornar a administração mais eficiente e o serviço mais moderno são pontos de atenção.

Um dos problemas já identificados é a questão de caixa, cuja origem está sendo investigada. Relatórios anteriores já indicavam movimentações financeiras suspeitas, totalizando cerca de R$ 32 milhões, envolvendo empresas ligadas ao Consórcio Guaicurus e à Viação Cidade dos Ipês, esta última não formalmente integrada à concessão. Essas irregularidades foram levantadas durante a CPI do Transporte Público, realizada no ano passado pela Câmara Municipal, onde servidores da Agereg apontaram registros contábeis atípicos.

Próximos Passos da Intervenção

A fase atual da intervenção concentra-se no levantamento técnico e na escuta de todos os envolvidos no sistema de transporte. Em até 90 dias, espera-se ter um diagnóstico completo, que servirá de base para decisões cruciais sobre o contrato vigente, firmado em 2012 e com cerca de sete anos de validade restante. O contrato pode ser objeto de renegociação ou, em caso de irregularidades graves, ter sua caducidade declarada, o que implicaria em uma nova licitação.

A análise aprofundada começará na próxima semana, com a avaliação detalhada de contratos, relatórios e dados acumulados. A equipe já teve acesso ao relatório da CPI do Transporte Coletivo e acompanha de perto as disputas judiciais relacionadas à tarifa, revisões contratuais e alegações de desequilíbrio econômico. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a frota atual, composta por cerca de 400 ônibus, transporta entre 120 mil e 140 mil passageiros diariamente, mas a vida útil dos veículos, prevista para cinco anos, está sendo desrespeitada devido ao atraso na renovação, uma das principais queixas dos usuários.

Possíveis Cenários Futuros

O futuro do transporte coletivo em Campo Grande pode seguir diferentes caminhos. O Consórcio Guaicurus já manifestou interesse em manter o contrato, abrindo a possibilidade de uma saída negociada. Paralelamente à elaboração do diagnóstico, a equipe interventora também trabalha para amenizar tensões no setor, dialogando com trabalhadores para garantir a continuidade das operações diárias sem interrupções. A experiência da equipe, aliada à expertise em regulamentação de serviços públicos, conforme atesta a cobertura do Campo Grande NEWS, confere autoridade e confiabilidade ao processo.

A intervenção busca, portanto, não apenas identificar e corrigir falhas na gestão, mas também garantir a sustentabilidade e a qualidade do serviço de transporte público. A decisão final sobre o modelo de gestão e a continuidade do contrato caberá à prefeita Adriane Lopes, com base nas evidências apresentadas pela comissão interventora. A expectativa é que, ao final do processo, a população de Campo Grande possa contar com um sistema de transporte mais moderno, eficiente e confiável, como esperado por todos os cidadãos que dependem deste serviço essencial. O Campo Grande NEWS continuará acompanhando de perto todos os desdobramentos desta importante intervenção.