Fazenda S. Sebastião: proprietária nega retorno de indígenas e relata destruição

Proprietária desmente ocupação e narra ataques em fazenda de Sidrolândia

A proprietária da Fazenda São Sebastião, Alda Lemos Brito Curado, negou veementemente o retorno de indígenas da Aldeia Buriti à propriedade em Sidrolândia, Mato Grosso do Sul. Em entrevista ao Campo Grande News, ela contestou informações sobre a permanência do grupo na área após os eventos ocorridos no último sábado (13). Segundo Alda, a ação foi marcada por incêndios, agressões e expulsão de funcionários, sem que os invasores permanecessem no local.

A versão da proprietária diverge de informações divulgadas anteriormente, que davam conta do retorno dos indígenas. Alda Lemos Brito Curado detalhou que o grupo chegou à fazenda por volta das 14h30 de sábado, rendeu funcionários, os algemou e ameaçou de morte, forçando-os a deixar a propriedade. Em seguida, incendiaram três casas e um galpão, destruindo todos os bens que estavam no interior das construções.

Incêndio e destruição: o relato da proprietária

“Eles entraram, chegaram, algemaram meus funcionários, ameaçaram de morte, mandaram os meus funcionários sair e tacaram fogo na fazenda”, declarou Alda Lemos Brito Curado, descrevendo o cenário de terror vivido na propriedade. Ela ressaltou que, após os atos de vandalismo, os indígenas não permaneceram na área, agindo apenas com o intuito de destruir.

A extensão dos danos ainda está sendo calculada, mas a proprietária informou que três casas e um galpão foram completamente destruídos pelo fogo. “Minhas três casas da fazenda foram queimadas, o galpão foi queimado, tudo que estava dentro. Meus funcionários saíram com a roupa do corpo”, lamentou. No momento da invasão, havia dois funcionários, a esposa de um deles e uma criança de dois anos na fazenda.

Ações policiais e localização de máquinas

Quando as equipes policiais chegaram ao local, encontraram apenas as estruturas danificadas e o rastro da destruição. Alda Lemos Brito Curado também relatou o desaparecimento de máquinas da fazenda, que foram posteriormente localizadas pelas forças de segurança com o auxílio de um helicóptero da Polícia Militar. “Nós localizamos a máquina através do helicóptero da PM”, afirmou.

Equipes da Polícia Militar Tática e da Guarda Rural de Sidrolândia estiveram na área, e viaturas permanecem na propriedade. Familiares e funcionários continuam no local, sob vigilância policial. A proprietária salientou que não houve mediação prévia por parte do governo federal, da Funai ou do Ministério dos Povos Indígenas antes da ação.

Disputa judicial e posicionamento da Funai

A Fazenda São Sebastião é alvo de uma disputa judicial antiga. Segundo Alda Lemos Brito Curado, a família já obteve decisões favoráveis em três instâncias, com o processo atualmente tramitando no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Conforme o Campo Grande News checou, a situação jurídica da propriedade é complexa.

Em contrapartida, o coordenador da Funai em Campo Grande, Dione Alcântara Batista, confirmou ao Campo Grande News que os indígenas retornaram à fazenda, mas em uma área distinta da sede principal, que é objeto da disputa judicial. A Funai avaliou a situação da propriedade no domingo (14), um dia após os incidentes relatados pela proprietária.

A proprietária Alda Lemos Brito Curado, conforme apurado pelo Campo Grande News, busca esclarecer os fatos e garantir a segurança de sua propriedade e de seus funcionários diante dos recentes acontecimentos. A situação na Fazenda São Sebastião segue tensa, com autoridades policiais e órgãos competentes acompanhando de perto os desdobramentos.