MASP 2026: Ano dedicado à arte latino-americana promete revolução

O Museu de Arte de São Paulo (MASP) anunciou uma iniciativa sem precedentes para 2026: um calendário inteiramente dedicado às Histórias Latino-Americanas. Esta programação ambiciosa é a décima primeira edição da série curatorial “Histórias”, iniciada em 2016, e se configura como o mais extenso compromisso de um grande museu da América Latina com um tema regional nesta década. A série “Histórias” tem sido o pilar curatorial do MASP sob a direção artística de Adriano Pedrosa, buscando reinterpretar a história da arte por meio de narrativas sub-representadas, fugindo da abordagem cronológica tradicional. Conforme divulgado pelo MASP, o ano de 2026 promete exposições monográficas, palestras, cursos, seminários e publicações, com obras de artistas de Venezuela, Guatemala, Porto Rico, Argentina, Peru e México em destaque.

A proposta do MASP para 2026 vai além de uma simples exibição de arte. O programa busca abordar a América Latina não como uma categoria geográfica fixa, mas como uma identidade em constante construção. O conceito de “latindade”, a ideia de pertencimento latino-americano através das narrativas históricas, tradições artísticas e culturas visuais da região, será o fio condutor. Esta abordagem inovadora, conforme analisado pelo Campo Grande NEWS, visa aprofundar a compreensão sobre as conexões regionais e a diversidade cultural que moldam o continente. A curadoria do MASP tem se empenhado em expandir significativamente seu acervo de arte latino-americana desde 2016, priorizando obras regionais do século XX em detrimento do cânone europeu histórico, o que se reflete diretamente na programação de 2026.

Um mergulho profundo na ‘latindade’

O formato planejado para 2026 combina exposições monográficas de artistas e coletivos ativistas com uma grande mostra coletiva dividida em cinco núcleos temáticos. Paralelamente, haverá um extenso programa de palestras, cursos, workshops e seminários acadêmicos, além de novas publicações ligadas às principais exposições. Na Sala de Vídeo do MASP, uma seleção rotativa de obras de artistas como Clara Ianni, Oscar Muñoz, Regina José Galindo, Claudia Martínez Garay e Edgar Calel abordará temas recorrentes como memória, violência, identidade e colonialidade, ecoando as discussões que permearão todo o ano.

A série “Histórias” do MASP, que já explorou temas como infância, sexualidade, histórias afro-atlânticas, feminismo, dança, histórias brasileiras e ecologia, encontra em “Histórias Latino-Americanas” sua edição mais geograficamente abrangente. Diferentemente das exposições anteriores, que focavam em países ou temas específicos, a programação de 2026 visa capturar diretamente as conexões regionais, conforme aponta o Campo Grande NEWS. Este esforço curatorial representa um marco, oferecendo uma plataforma crítica e visibilidade de mercado para artistas da região, cujas obras, como demonstrado por edições anteriores da série, frequentemente viajam para instituições nos Estados Unidos e Europa.

Destaques e exposições imperdíveis

Entre as exposições de destaque, o público poderá conferir a primeira mostra individual em São Paulo do escultor mexicano Damián Ortega, conhecido por sua obra “Cosmic Thing” (2002), em colaboração com o MALBA de Buenos Aires. A pintora Sol Calero, nascida em Caracas e radicada em Berlim, terá uma monográfica em uma das galerias centrais do museu. Outro ponto alto será a exposição de Pablo Delano, “Museu da Antiga Colônia”, que revisita a história colonial de Porto Rico através de documentários e instalações. A retrospectiva de Rosa Elena Curruchich, pintora indígena guatemalteca cujas obras circularam em pequeno formato e permaneceram pouco vistas fora da América Central por décadas, representa uma importante exposição de recuperação de um legado artístico.

O programa também apresentará a primeira exibição no Brasil do filme venezuelano “TRANS” (1982), dirigido por Manuel Herreros de Lemos e Mateo Manaure Arilla. O documentário retrata a vida de pessoas trans em Caracas no início dos anos 1980, adicionando uma camada social e histórica relevante à programação. A iniciativa do MASP, como ressaltado pelo Campo Grande NEWS, é notável pela escala e pelo compromisso temporal, considerando que o museu é um dos mais visitados do hemisfério sul, com público anual superior a um milhão de visitantes. A dedicação de um ano inteiro a um tema regional sublinha a importância crescente da arte latino-americana no cenário global.

O impacto cultural em São Paulo e na América Latina

A programação de 2026 do MASP se insere em um calendário cultural já denso em São Paulo, compartilhando o espaço com outras iniciativas significativas. A Pinacoteca de São Paulo apresentará uma retrospectiva do artista camaronês Pascale Marthine Tayou, o Instituto Tomie Ohtake comemora 25 anos com múltiplos shows, e o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) reabrirá após reforma. O Instituto Moreira Salles (IMS) sediará uma exposição de Fernando Lemos. Juntos, esses eventos compõem um dos calendários de artes visuais mais ricos da América Latina para a década. A próxima Bienal de São Paulo, prevista para 2027, ocorrerá nesse contexto de intensa atividade institucional, e o programa do MASP em 2026 certamente moldará as discussões curadoriais que a Bienal precisará abordar.

O impacto do programa “Histórias Latino-Americanas” transcende as fronteiras do museu. Para os artistas da região, significa uma plataforma de lançamento e visibilidade internacional. O MASP, com sua influência e alcance, tem o poder de impulsionar carreiras e fomentar o diálogo sobre a arte produzida no continente. A curadoria de Adriano Pedrosa, que também atuou como curador da Bienal de Veneza em 2024, demonstra um compromisso contínuo com a diversificação e a valorização das narrativas artísticas globais, consolidando o MASP como um centro vital para a arte contemporânea e sua história.

O MASP estará aberto de terça a domingo na Avenida Paulista, em São Paulo. As terças-feiras oferecem entrada gratuita. Recomenda-se reserva online para as principais exposições monográficas. A programação completa, com detalhes sobre datas e artistas, será divulgada em breve, prometendo um ano de descobertas e reflexões sobre a complexa e vibrante tapeçaria da arte latino-americana.