O Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap), da UFMS, realizou um evento especial para celebrar as mães que doam leite humano, essencial para bebês prematuros e internados na unidade. Durante a programação, o Banco de Leite Humano fez um apelo urgente por mais doadoras, pois o estoque atual atende apenas 76,1% da necessidade e dura, em média, somente dez dias. A iniciativa buscou não apenas agradecer às heroínas anônimas, mas também conscientizar a população sobre a importância vital dessas doações.
Banco de Leite Humano do Humap-UFMS precisa de mais doadoras
Em alusão ao Dia Mundial da Doação de Leite Humano, celebrado em 19 de maio, o Humap promoveu uma tarde de acolhimento, com apresentações, sorteios e orientações. O objetivo principal foi reforçar a necessidade de aumentar o número de mães cadastradas no Banco de Leite. Atualmente, cerca de 80 mães doadoras atendem a uma demanda significativa de recém-nascidos, mas a quantidade de leite arrecadada, em média 56 litros por mês, é insuficiente para suprir todas as necessidades da unidade neonatal. O hospital é referência em Mato Grosso do Sul para atendimento a bebês de diversas cidades, muitos deles prematuros e em estado delicado.
A nutricionista do Banco de Leite Humano do Humap-UFMS, Fabiana Santos Araújo, explicou que o leite materno é o alimento ideal para qualquer recém-nascido, especialmente para os prematuros. “O melhor leite para o recém-nascido prematuro é o da mãe. A gente só vai utilizar mesmo no banco quando não tiver essa produção para que possa atingir a dieta do bebê”, ressaltou Fabiana. A escassez de doações impacta diretamente a saúde e o desenvolvimento desses pequenos, que já enfrentam grandes desafios desde o nascimento.
A realidade nas UTIs neonatais
Durante a programação, as mães doadoras tiveram a oportunidade de conhecer de perto a ala neonatal, entendendo o impacto direto de suas contribuições. Em uma das unidades intermediárias, onde estavam internados 12 bebês, apenas duas mães conseguiam produzir leite suficiente para seus filhos. Os demais recém-nascidos dependiam de doações. Um dos bebês, devido à prematuridade extrema, ainda recebia alimentação por soro, evidenciando a urgência da situação. A equipe do banco de leite também destacou que a dificuldade na produção de leite nem sempre está ligada à falta de vontade da mãe.
Fatores como estresse, cansaço, questões emocionais e o longo período de internação dos bebês podem afetar significativamente a lactação. A história do pequeno Arthur, que passou seis meses internado, exemplifica essa realidade. Durante esse período, sua mãe deixou de produzir leite, e o bebê passou a depender exclusivamente de doações. Hoje, Arthur está saudável, com seis anos, graças à solidariedade de outras mães.
Histórias de doação e superação
Renata Camargo Moura, 34 anos, é uma das doadoras cadastradas. Ela começou a frequentar o Banco de Leite quando seu filho Henri, hoje com nove meses, precisou de internação após o nascimento. “Eu vinha duas vezes ao dia para tirar leite para ele receber pela sondinha durante o dia. Quando ele teve alta, a gente continuou a doação em casa”, contou. A experiência de conviver com outras mães no hospital a motivou a continuar doando, compartilhando que o processo é simples e acompanhado pela equipe, com fornecimento de materiais esterilizados e coleta realizada pelo Corpo de Bombeiros.
Georgina Moraes Nascimento, 26 anos, também participou do encontro. Seu filho esteve internado por sete dias e necessitou de leite doado nos primeiros dias de vida. “Como eu fiz cesárea com laqueadura, fiquei internada em outro lugar e ele veio direto para a UTI. Eu não consegui tirar leite porque ainda não tinha feito massagem para descer, eu só consegui fazer dois dias depois”, relatou. Georgina recebeu apoio da equipe do banco de leite para estimular a produção e aprendeu técnicas de massagem, o que aumentou a quantidade de leite. Ela enfatiza que muitas mulheres enfrentam dificuldades reais na amamentação, e a falta de produção não significa falta de vontade.
Como se tornar uma doadora
Para se tornar uma doadora de leite humano no Humap, é necessário entrar em contato com o Banco de Leite da unidade. O hospital oferece todo o material necessário, incluindo frascos esterilizados, touca e máscara, além de orientações detalhadas sobre higienização e extração correta do leite. Os recipientes mais indicados para o armazenamento são potes de vidro com tampa plástica. A doação de leite materno é um ato de amor que salva vidas, garantindo nutrição e saúde para os bebês mais vulneráveis. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a mobilização é contínua para garantir que nenhum recém-nascido fique sem esse alimento vital. A iniciativa reforça a importância da comunidade se unir em prol da saúde neonatal, como divulgado pelo Campo Grande NEWS. A dedicação do Campo Grande NEWS em cobrir essas pautas demonstra o compromisso com a informação e o bem-estar da população.

