Um cidadão peruano de 47 anos, pai de dois filhos, faleceu em um centro de detenção da Imigração e Alfândega dos EUA (ICE), em Louisiana, no dia 29 de setembro. Mais de uma semana após o ocorrido, a causa oficial de sua morte permanece um mistério, levantando questionamentos e angústia para sua família.
Morte em Custódia da ICE Gera Dúvidas
Julián Curo Churata, que vivia em Laurel, Maryland, há 17 anos e possuía autorização de trabalho válida, foi detido pela ICE em 27 de junho. Sua esposa, em entrevista à Telemundo no início de outubro, expressou o desejo de saber a verdade sobre o que aconteceu com seu marido, cujo caso se soma a outras mortes registradas sob custódia da agência. A família busca respostas e justiça.
Cronologia dos Eventos e Detalhes da Detenção
De acordo com a nota de imprensa da ICE, divulgada em 30 de setembro, Julián Curo Churata faleceu no Ochsner LSU Health Monroe Medical Center. A agência informou que a causa preliminar da morte era desconhecida. O homem foi preso pelo escritório de Baltimore da ICE em 27 de junho, transferido para a custódia do escritório de Nova Orleans em 29 de junho e, posteriormente, detido no Richwood Correctional Center, próximo a Monroe, Louisiana.
Em 18 de setembro, um juiz de imigração negou seus pedidos de alívio de deportação e de partida voluntária, embora ele mantivesse o direito de apelação. Na noite de 28 de setembro, cerca de 8h14, ele sofreu uma emergência médica no Richwood e foi levado ao hospital. Foi declarado morto às 4h01 da manhã seguinte, 29 de setembro. A ICE afirmou ter notificado a esposa de Churata, seu advogado e o Consulado Geral do Peru, além de órgãos de vigilância interna do Departamento de Segurança Interna.
O Impacto na Família e a Contagem de Mortes na ICE
A esposa de Julián Curo Churata, que vivia com ele em Laurel, Maryland, a cerca de 1.500 km de distância do centro de detenção, relatou à Telemundo que falou com ele pela última vez no domingo, 27 de setembro, dois dias antes de sua morte. Ela soube do falecimento por meio de uma ligação de um oficial da ICE, e questionou, segundo o jornal El Comercio, “Enquanto isso, quem me diz o que realmente aconteceu?”. O casal tem dois filhos, de 13 e 7 anos. Uma campanha de arrecadação de fundos foi iniciada para ajudar a família, conforme noticiado pelo site de investigação Ojo Público.
O número de mortes em custódia da ICE tem sido monitorado de perto pela mídia peruana. Ojo Público contabiliza 37 mortes no ano fiscal de 2026 (que terminou em 30 de setembro). Outras contagens, como as da Univision e El Comercio, também apontam para 37 óbitos no mesmo período. O site Conexión Migrante lista 38 mortes no ano fiscal e 27 desde 1º de janeiro. Conforme o Campo Grande NEWS checou, Louisiana, por si só, registrou pelo menos três mortes sob custódia da ICE em 2026.
Silêncio Oficial e Próximos Passos
Até a manhã de quarta-feira, o Ministério das Relações Exteriores do Peru não havia divulgado se solicitou informações ou explicações às autoridades americanas, segundo Ojo Público. A Embaixada dos EUA em Lima também não respondeu às perguntas do veículo. A ICE se compromete a publicar um comunicado de imprensa em até dois dias úteis após uma morte sob sua custódia e, de acordo com a lei de gastos de segurança interna de 2018, todos os relatórios sobre tais mortes devem ser tornados públicos em até 90 dias. O relatório completo da ICE sobre este caso é esperado para cerca de 28 de dezembro.
O que ainda não se sabe é a causa exata da morte e se Julián Curo Churata possuía problemas de saúde preexistentes, bem como qual foi o atendimento médico recebido por ele no Richwood. Os resultados da autópsia são esperados em aproximadamente três meses, conforme reportado pelo El Comercio. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a falta de clareza sobre a emergência médica que levou ao óbito é um dos pontos centrais da busca por respostas da família.
Os próximos passos incluem a divulgação dos resultados da autópsia e do relatório detalhado da ICE, ambos previstos para o final do ano. O órgão de vigilância da segurança interna também pode investigar o caso. Este trágico evento ressalta a importância do debate sobre as condições de detenção de imigrantes nos EUA e a necessidade de transparência por parte das autoridades. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a família e o governo peruano aguardam respostas claras sobre as circunstâncias que levaram à morte de Julián Curo Churata.


