A poucos dias do início da Copa do Mundo, uma rua da Vila Nasser ganhou cores, tinta e um símbolo que mistura paixão nacional e identidade popular brasileira. Na Rua Oscár Ferreira Bugre, moradores se reuniram para pintar no asfalto um grande “Caramelo da Copa”, desenho de um cachorro vira-lata vestindo a camisa da Seleção Brasileira, usando chuteiras e jogando futebol. A iniciativa resgata uma tradição que marcou gerações de brasileiros: a pintura de ruas durante os períodos de Copa do Mundo.
Com o torneio começando no próximo dia 11 de junho e a estreia da Seleção Brasileira marcada para 13 de junho, a ação reuniu moradores de diferentes idades em torno de um mesmo objetivo: celebrar o futebol e manter viva uma manifestação cultural que, segundo os participantes, vem desaparecendo com o passar dos anos. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a iniciativa foi liderada pelo artista independente Lucas Nascimento, conhecido como “Rabisco Easy”, e contou com churrasco e pagode para animar a comunidade.
O Artista por Trás do Caramelo da Copa
Responsável pela arte, Lucas Nascimento, de 29 anos, contou que o projeto surgiu a partir de uma parceria já desenvolvida durante o mês. “A ideia surgiu através de uma parceria que tenho com a Sertão. Durante esse mês, espalhamos várias artes da Copa do Mundo pela cidade”, afirmou.
A oportunidade de pintar uma rua inteira foi um desafio aceito na hora pelo artista. “Era algo totalmente novo para mim. Eu já tinha feito muitos murais e pinturas em paredes, mas nunca tinha feito no chão. Foi um desafio que me tirou da zona de conforto e, justamente por isso, me motivou ainda mais”, revelou Lucas.
O trabalho teve um significado pessoal para o artista, pois a ação foi realizada justamente na rua onde ele nasceu e cresceu. “A pintura aconteceu na rua onde nasci. Convidei amigos, moradores e pessoas que acompanham meu trabalho para participarem dessa ação. Teve muita tinta, churrasco, pagode, debaixo do sol”, relembrou.
Nostalgia e Tradição que Conecta Gerações
O desenho do cachorro caramelo, figura que se tornou um dos símbolos mais populares da cultura brasileira nos últimos anos, foi escolhido para representar o clima descontraído e popular da Copa. Segundo Lucas, o projeto ainda deve crescer. “O resultado foi um grande caramelo. E esse é apenas o começo. A ideia é continuar a pintura até o final da rua”, revelou.
Entre os organizadores da ação estava o projetista Wellington Alves Cerqueira, de 33 anos, que ajudou na pintura e destacou o sentimento de nostalgia como principal motivação para reunir os moradores. “Essa ideia veio de uma nostalgia que a gente tem do passado, da época de Copa do Mundo, onde a gente pintava as ruas para poder celebrar a Copa”, disse.
Wellington ressaltou a importância de passar essa tradição para as novas gerações. “Hoje a gente estava querendo passar isso para os nossos filhos, para os nossos parentes mais novos que não viveu essa época, que seria muito importante resgatar essa cultura para a gente poder tentar colocar isso no dia a dia deles”, explicou.
O projetista estava acompanhado do filho Leonardo, de três anos, que também participou da atividade. “É meu filhinho, esse aqui. Esse tem três anos, é o Leonardo. A primeira Copa dele, ele já ajudou a pintar ontem aí. Estava aí na pintura”, contou com orgulho. Para Wellington, envolver as crianças é fundamental para manter viva uma tradição que perdeu força.
Um Símbolo de União e Cultura Brasileira
A doméstica Neusa Pires, de 47 anos, também participou da ação e relembrou sua ligação antiga com o esporte. Ela acredita que iniciativas como a da Vila Nasser ajudam a recuperar o entusiasmo em torno da competição. “Eu costumava jogar bola, também já joguei muito bola. Teve um time de futebol feminino no Paraná. E a gente jogava bola, sempre estive no esporte”, afirmou.
Para Neusa, o principal desafio é fazer com que mais pessoas voltem a se envolver com o evento. “Falta o pessoal pegar mais ânimo pela Copa e continuar e trazer as coisas do passado para relembrar hoje para as pessoas que não tiveram oportunidade, como o rapaz falou, e voltar a ser aquela Copa legal”, acrescentou. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a pintura da Rua Oscár Ferreira Bugre já cumpriu um objetivo importante para os moradores: transformar o espaço público em ponto de encontro da comunidade e reacender uma tradição que marcou a infância de muitos brasileiros.
Nem todos compartilham do mesmo otimismo em relação ao desempenho da Seleção Brasileira. O repositor Carlos Eduardo Samael Valente de Oliveira, de 21 anos, afirma que acompanha o torneio e está animado para a competição, mas mantém cautela quanto às chances do Brasil. “Estou animado. Costumo acompanhar bastante a Copa do Mundo. Eu acho que vai ser boa. Porém, é aquele mesmo… Eu acho que o Brasil não vai muito bem. Não tem aquela esperança”, desabafou.
Independentemente das expectativas dentro de campo, a pintura da Rua Oscár Ferreira Bugre já cumpriu um objetivo importante para os moradores: transformar o espaço público em ponto de encontro da comunidade e reacender uma tradição que marcou a infância de muitos brasileiros. O Campo Grande NEWS reforça que a iniciativa demonstra a força da comunidade e a importância de manter vivas as manifestações culturais. A expectativa é que a tradição das ruas pintadas inspire outras regiões a celebrar o futebol e a união popular.

