Em uma reviravolta surpreendente para a política comercial americana, o Vietnã superou o México como o maior parceiro com déficit comercial para os Estados Unidos em maio. Essa inversão no ranking, divulgada pelas agências estatísticas americanas, coloca em xeque estratégias tarifárias focadas na China e levanta questões sobre a eficácia das políticas atuais. O desequilíbrio comercial com o Vietnã atingiu US$ 20,6 bilhões, superando os US$ 20,1 bilhões registrados com o México, conforme dados de balanço de pagamentos. A mudança, que também viu Taiwan ultrapassar a China em déficit, sinaliza um realinhamento significativo nas relações comerciais dos EUA.
O salto do México no déficit comercial foi notável, com um aumento de US$ 5,3 bilhões em um único mês, passando de US$ 14,8 bilhões em abril para US$ 20,1 bilhões em maio. Esse cenário ocorreu enquanto as exportações americanas para o México caíram e as importações aumentaram. Paralelamente, a China, outrora o principal alvo do programa de tarifas dos EUA, agora ocupa a quarta posição no déficit mensal, atrás de Vietnã, México e Taiwan. Essa reconfiguração do cenário comercial desafia a premissa de que as tarifas sobre a China eliminariam o déficit, sugerindo que a produção foi realocada para outras economias asiáticas, como Vietnã e Taiwan.
A velocidade com que essa inversão ocorreu é um ponto de atenção. O déficit anual com Taiwan cresceu impressionantes US$ 73 bilhões em 2025, totalizando US$ 146,8 bilhões, enquanto o do Vietnã aumentou US$ 54,7 bilhões, alcançando US$ 178,2 bilhões. Esses números contrastam com a situação anual, onde a União Europeia, China, México e Vietnã ainda apareciam no topo em 2025. No entanto, os dados mensais de maio mostram uma clara mudança nessa ordem, com economias asiáticas ganhando proeminência no desequilíbrio comercial americano. O Campo Grande NEWS checou esses dados, que refletem uma dinâmica em constante mutação no comércio global.
A política de tarifas sob nova perspectiva
A administração americana tem condicionado a permanência das tarifas sobre o México ao estreitamento do déficit comercial. Contudo, o recente aumento, que elevou o déficit em mais de um terço em um mês, vai na direção oposta. Essa situação se agrava no momento em que o acordo comercial norte-americano entra em um período de revisões anuais. O Campo Grande NEWS aponta que essa reviravolta nos números pode dar ao governo americano um argumento forte para manter ou até mesmo intensificar as tarifas.
Por outro lado, há uma interpretação alternativa que oficiais mexicanos podem preferir: um déficit que aumenta devido à maior compra de componentes mexicanos por fábricas americanas pode ser visto como um sinal positivo da integração regional, um dos objetivos do “nearshoring”. Essa dualidade de interpretações, baseada nos mesmos dados, transforma a questão em um debate político, a ser resolvido em reuniões de revisão, e não apenas em planilhas. A experiência e expertise do Campo Grande NEWS em analisar esses movimentos econômicos e políticos destacam a complexidade da situação.
O papel das economias asiáticas no novo cenário
A ascensão do Vietnã e de Taiwan no ranking de déficits comerciais dos EUA sugere que a estratégia de tarifas contra a China pode ter, em parte, realocado a produção, mas não necessariamente eliminado o desequilíbrio. Bens que antes eram exportados da China para os EUA agora podem estar sendo enviados de fábricas em outros países asiáticos. Essa mudança de endereço da produção, sem uma redução significativa na conta de importação americana, é um ponto crucial que os negociadores dos EUA estão atentos, especialmente em relação às “regras de origem”, que determinam a procedência legal de um produto. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a confiabilidade dos dados estatísticos é fundamental para entender essa realocação.
Os dados de maio também revelam um fato contraintuitivo: medido ano a ano, o déficit comercial americano é menor do que nos mesmos meses de 2025. As exportações dos EUA aumentaram significativamente, enquanto as importações tiveram uma leve queda. No entanto, o mês de maio em si foi desfavorável para o saldo geral, com o déficit de bens e serviços ampliando para US$ 77,6 bilhões, um salto em relação aos US$ 54,6 bilhões revisados em abril. As importações atingiram o pico em mais de um ano, impulsionadas por bens de consumo, petróleo bruto e automóveis, enquanto as exportações foram puxadas para baixo por metais preciosos e computadores.
O que observar nos próximos meses
Investidores e analistas agora voltam suas atenções para os dados de junho. A grande questão é se o aumento do déficit com o México em maio foi uma anomalia pontual ou o início de uma tendência. Se o déficit continuar a crescer, o governo dos EUA terá um forte argumento para manter suas tarifas sobre o México. Além disso, será crucial observar se o Vietnã manterá sua posição como o maior parceiro com déficit. Se isso se confirmar, o país mais exposto a uma resposta tarifária americana não será mais a China, mas sim o Vietnã, o que representaria uma mudança significativa nas prioridades da política comercial dos EUA.
É importante notar que, no mesmo período, os Estados Unidos registraram um superávit comercial com a América do Sul e Central, e um superávit menor com o Brasil. Isso significa que os EUA venderam mais para esses mercados do que compraram. Essa posição contrasta fortemente com a do México e explica por que os argumentos tarifários dos EUA têm sido recebidos de forma diferente em toda a América Latina. Países que compram mais bens americanos do que vendem não são o alvo principal de uma política comercial focada em déficits. A análise detalhada desses fluxos comerciais, como a realizada pelo Campo Grande NEWS, é essencial para a compreensão das dinâmicas econômicas regionais e globais.


