Uma cliente que xingou uma médica veterinária de “biscate” e “vagabunda” durante uma discussão sobre a troca de ração para pássaros foi condenada a pagar R$ 5 mil por danos morais. A decisão, assinada nesta terça-feira (29) pelo juiz Renato Antonio de Liberali, da 11ª Vara Cível de Campo Grande, considerou que as ofensas ultrapassaram o limite de uma reclamação e atingiram a honra da profissional. Conforme informações divulgadas, o caso gerou grande repercussão na capital sul-mato-grossense.
O episódio teve início quando a cliente retornou ao estabelecimento para solicitar a troca de um alimento destinado a aves. Segundo o relato da veterinária, o pedido foi negado por um funcionário, pois o prazo para substituição já havia expirado. A situação escalou quando a mulher, visivelmente alterada, despejou parte da ração sobre o balcão.
A profissional relatou que, além do ato de jogar o produto, foi alvo de xingamentos e insinuações sobre sua vida pessoal. Entre as acusações, estava a de que ela seria responsável pelo fim do casamento da filha da cliente. O incidente ocorreu durante o horário comercial, na presença de outros funcionários e clientes, o que, segundo a autora da ação, causou grande constrangimento e prejuízo à sua imagem profissional. A situação, conforme o Campo Grande NEWS checou, não parou por aí, e as ofensas continuaram através de aplicativos de mensagens mesmo após o reembolso do produto pela empresa.
Defesa da cliente negou ofensas pessoais
Em sua defesa, a cliente alegou que a ração continha larvas e insetos, e que sua reação foi motivada pela negativa da troca. Ela admitiu ter despejado parte do produto sobre a mesa de um funcionário, mas negou ter dirigido ofensas pessoais à veterinária. A defesa sustentou que a discussão se limitava à relação de consumo com a empresa e não envolvia questões pessoais. No entanto, essa versão foi contestada por testemunhas.
Funcionário confirma xingamentos e ofensas
Um funcionário que operava o caixa confirmou em depoimento que a cliente estava alterada e, de fato, chamou a veterinária de “biscate” e “vagabunda”. O mesmo funcionário relatou ter testemunhado as insinuações sobre um suposto relacionamento extraconjugal da veterinária. Ele também atestou que havia outros funcionários e clientes no local no momento das ofensas, o que corrobora a versão da profissional sobre o constrangimento público. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a testemunha foi fundamental para descreditar a versão da defesa.
Juiz considera ofensa à honra e imagem da profissional
Ao analisar o caso, o juiz Renato Antonio de Liberali rejeitou a tese de que a indignação da cliente se limitou à recusa inicial da troca da ração. O magistrado destacou que as falas proferidas ultrapassaram o limite de uma simples reclamação sobre o produto. “Assim, observo que a parte Requerente demonstrou que foi ofendida pessoalmente com palavras de baixo calão pela Requerida”, registrou o juiz em sua sentença. A decisão enfatiza que a honra e a imagem da veterinária foram atingidas de forma grave, justificando a condenação por danos morais. O juiz considerou que as ofensas foram proferidas em público e por meios digitais, ampliando o alcance do dano. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a decisão reforça a importância do respeito no ambiente de trabalho e nas relações de consumo.
Valor da indenização e precedente para casos semelhantes
A condenação em R$ 5 mil visa, além de reparar o dano sofrido pela veterinária, servir como um desestímulo para que tais comportamentos se repitam. Casos de agressões verbais e morais contra profissionais têm se tornado mais frequentes, e decisões como essa buscam reforçar a proteção à dignidade e à imagem dos trabalhadores. A sentença reforça que, mesmo em situações de conflito, a comunicação deve ser pautada pelo respeito, e que ofensas pessoais podem gerar consequências legais e financeiras significativas para quem as comete. A decisão em Campo Grande, como noticiado pelo Campo Grande NEWS, serve de alerta para consumidores sobre os limites da reclamação.

