Venezuela reabilitada: De país falho a parceiro em 8 meses, EUA e França celebram acordos

Venezuela reabilitada: De país falho a parceiro em 8 meses, EUA e França celebram acordos

Em uma reviravolta diplomática sem precedentes, a Venezuela foi retirada da lista de países que “falharam demonstradamente” no combate ao narcotráfico pelos Estados Unidos. A decisão, anunciada em 16 de setembro, abre caminho para um diálogo mais estreito e acordos estratégicos, culminando no anúncio de um encontro entre o presidente americano Donald Trump e a interina presidente venezuelana Delcy Rodríguez na Assembleia Geral da ONU. A mudança de status, que ocorreu em apenas oito meses desde a captura de Nicolás Maduro, indica uma transição de “alvo” para “parceiro” na política externa dos EUA.

Conforme informação divulgada pelo The Latin America Defense Monitor, a decisão americana foi justificada por “passos positivos tomados sob a interina Presidente Delcy Rodríguez”, citando a operação que resultou na morte de Niño Guerrero, líder do Tren de Aragua. A reabilitação venezuelana não se limita ao combate às drogas, abrangendo também o desbloqueio de 17 sites de notícias censurados e a assinatura de um acordo com a petrolífera francesa TotalEnergies. Essa nova dinâmica, impulsionada por recursos e cooperação em contranarcóticos, redefine o cenário de segurança na região e levanta questões sobre o futuro das relações com Washington.

O Campo Grande NEWS checou que a Venezuela, que em janeiro teve seu ex-presidente capturado, agora se posiciona como um ator central em novas alianças. O país, que ainda enfrenta incertezas sobre a legalidade do mandato de Rodríguez, busca consolidar sua posição diplomática e econômica. A proximidade com os Estados Unidos, apesar das controvérsias sobre a base legal do atual governo, sugere um alinhamento estratégico que pode influenciar outros países latino-americanos a reavaliar suas próprias relações com Washington.

Colômbia em xeque: ELN mantém reféns e governo endurece postura

Enquanto a Venezuela avança em sua reabilitação, a Colômbia enfrenta um teste de fogo com a crise de reféns gerada pelo ELN. O grupo guerrilheiro confirmou a posse de quatro pessoas sequestradas em 17 de agosto, incluindo um major do exército, dois policiais e um civil, propondo uma troca. No entanto, o presidente de la Espriella rejeitou a oferta, exigindo a libertação incondicional e reforçando as operações militares.

A resposta do governo colombiano foi contundente, com um ataque aéreo que resultou na morte de um alto comandante do ELN. Em uma reunião de segurança em Cartagena, o presidente anunciou a transferência da autoridade marítima DIMAR para a costa e nomeou os comandantes que serão caçados em Bolívar, sinalizando uma estratégia de pressão intensificada. A decisão de não negociar com grupos terroristas, conforme o Campo Grande NEWS checou, visa a desarticular redes financeiras e impor um ultimato: rendição ou “data de expiração”.

Equador: General demitido e tribunais questionam presença militar dos EUA

O Equador protagoniza um momento de “empurrão institucional” contra a presença militar dos Estados Unidos no país. O presidente Noboa demitiu o chefe da força aérea, General Salazar, após este solicitar regras legais para os voos militares americanos na base aérea de Taura. A medida, oficializada por decreto, surge em meio a uma série de decisões judiciais que favorecem tripulantes de embarcações apreendidas em operações antidrogas dos EUA.

A liberação de 56 tripulantes por tribunais equatorianos, em duas semanas, levanta questionamentos sobre a legalidade das interdições americanas. Essa sequência de eventos, que inclui a expectativa de duas fragatas americanas e um pacote de segurança de US$ 45 milhões pendente em Washington, sinaliza um debate emergente sobre a soberania e os limites da cooperação militar. A demissão do general, em vez de uma resposta legal, aponta para uma resolução política que prioriza a continuidade da parceria com os EUA, mas a questão legal paira no ar.

EUA intensificam ataques a barcos no Caribe com número de mortos incerto

A campanha de ataques a barcos suspeitos de narcotráfico pelos Estados Unidos continua implacável. No período de 16 a 19 de setembro, foram registrados novos ataques com mortes, mas o número total de vítimas permanece incerto. Relatórios indicam mais de 230 mortos em pelo menos 75 ataques, segundo rastreamento de fontes abertas, enquanto outras fontes citam um número próximo a 180. A falta de um registro oficial público e a divergência nos métodos de contagem geram lacunas na prestação de contas.

A ausência de detalhes sobre as identidades das vítimas, as evidências que levaram aos ataques e a revisão legal de cada operação torna a campanha um ponto de atenção. Para os governos regionais, a questão prática é a interdição em águas compartilhadas sem compartilhamento de inteligência. Conforme o Campo Grande NEWS checou, os tribunais equatorianos são a primeira instituição a formalmente questionar esse registro, abrindo um precedente para a responsabilização.

UNITAS LXVII: Exercício naval multinacional em curso no Peru

O exercício naval UNITAS LXVII, o mais antigo da América, segue em sua segunda semana em Callao, Peru. Reunindo 24 países, mais de 5.700 militares e dezenas de embarcações, o evento migrou das fases de porto para treinamento de tiro real, com foco em operações anfíbias e de infantaria naval. A participação do navio de combate litoral USS Minneapolis-Saint Paul destaca a colaboração entre as forças americanas e peruanas.

O Peru, ao sediar o maior exercício da região e se tornar um aliado significativo dos EUA, busca consolidar sua posição como um “âncora” na arquitetura de segurança do Pacífico. A realização das fases anfíbias e fluviais é particularmente relevante, pois simula cenários de operações reais na região. A continuidade desse protagonismo, contudo, depende da resolução de escândalos e da estabilidade política para grandes acordes de defesa.