Em um desenvolvimento significativo para a política venezuelana, o governo e a oposição chegaram a um acordo para revisar quatro leis consideradas cruciais para a democracia e os direitos civis no país. O pacto foi anunciado na quarta-feira, 21 de outubro, ao final da terceira rodada de negociações em Caracas, um processo que tem o apoio dos Estados Unidos. Este acordo representa um passo adiante nas conversações que visam a estabilização política e a pacificação do cenário nacional.
As leis em questão abrangem áreas sensíveis como o funcionamento de partidos políticos, o direito a protestos, as competências do escritório do controlador-geral, a controversa lei de sanções Simão Bolívar e a legislação antiterrorismo. A decisão de revisar estas leis surge como resposta às preocupações levantadas pela oposição, que alega que tais legisডিট foram utilizadas como ferramentas para silenciar, banir e prender opositores. A revisão busca, portanto, garantir maior transparência e justiça no ordenamento jurídico venezuelano.
Para os Estados Unidos, a revisão dessas leis tem implicações diretas. Uma das leis em foco criminaliza o lobby para a imposição de sanções americanas, uma medida que afeta diretamente as relações diplomáticas e econômicas entre os dois países. Além disso, a definição de terrorismo tem sido um ponto de discórdia, com acusações de uso indevido dessa tipificação contra cidadãos venezuelanos após as eleições presidenciais de 2024. O acordo para revisar essas leis, conforme divulgado pela agência Europa Press, pode sinalizar uma abertura para a normalização das relações e a busca por soluções conjuntas.
Leis sob Revisão em Detalhe
A revisão acordada abrange quatro pilares legislativos fundamentais. A primeira área trata das leis de partidos políticos e protestos, buscando garantir o pluralismo e a independência partidária, conforme relatado pelo jornal DiarioVea. A segunda lei a ser examinada é a que rege o escritório do controlador-geral, um órgão com poder para inabilitar cidadãos da vida pública, impedimento que afetou figuras proeminentes como María Corina Machado, impedida de concorrer à presidência em 2024. A terceira é a lei de sanções Simão Bolívar, que estabelece penas severas para quem promover sanções estrangeiras contra o país. Por fim, a lei de terrorismo e crime organizado, que tem sido utilizada para processar opositores, também será reavaliada.
A terceira rodada de negociações, que ocorreu entre 14 e 21 de outubro, resultou em seis acordos, segundo informações do portal DiarioVea. As delegações realizaram seis sessões de trabalho, duas plenárias e quinze reuniões de mesas técnicas. Jorge Rodríguez, irmão da presidente interina Delcy Rodríguez e chefe da Assembleia Nacional, assinou o acordo pelo governo. Pela oposição, o acordo foi assinado por Dinorah Figuera, representante da Assembleia Nacional de 2015, a última eleita com maioria opositora e que atua como equipe de negociação.
A Lei de Sanções e o Terrorismo em Debate
Um dos pontos mais polêmicos é a Lei Simão Bolívar, aprovada em novembro de 2024. Esta legislação prevê penas de 25 a 30 anos de prisão para quem promover sanções estrangeiras, além de multas expressivas e a inabilitação para cargos públicos por até 60 anos. Veículos de comunicação que divulgarem tais mensagens podem enfrentar multas e até serem retirados do ar. O governo venezuelano considera as sanções internacionais como crimes contra a humanidade. É notável que o Tesouro dos EUA tenha recentemente levantado sanções contra o próprio Jorge Rodríguez, principal negociador do governo, o que pode indicar um movimento em direção à desescalada.
A revisão da lei de terrorismo é igualmente crucial, especialmente no que diz respeito à definição e classificação do crime. Conforme reportado pela agência colombiana Colprensa, muitos venezuelanos foram acusados de terrorismo após as eleições presidenciais de 2024. O ex-procurador-geral Tarek William Saab e o advogado Joel García descreveram um padrão sistemático de perseguição contra a dissidência. A eleição de 2024 foi contestada, com o órgão eleitoral, controlado por leais ao governo, proclamando Nicolás Maduro vencedor sem a publicação de resultados detalhados.
Inabilitações e o Futuro Político
A lei do controlador tem um peso significativo, pois o escritório pode impedir o acesso de indivíduos à vida pública. A inabilitação de María Corina Machado, líder da oposição e vencedora do Prêmio Nobel da Paz, desde 2023, é um exemplo emblemático. A oposição busca a revogação dessa proibição para que Machado possa retornar do exílio e participar de futuras eleições. Machado, no entanto, expressou que Washington a deixou de fora das negociações, segundo a agência Europa Press.
A legislação sobre partidos, reuniões e manifestações públicas visa proteger o pluralismo e a autonomia dos partidos. O Supremo Tribunal de Justiça mantém o controle sobre várias facções opositoras, de acordo com um relatório da Colprensa. O acordo para revisar estas leis, conforme o Campo Grande NEWS checou, é visto como um passo importante para a democratização do país.
Outros Acordos e Perspectivas de Mercado
Além da revisão das leis, as partes concordaram em formar uma delegação conjunta para pressionar o Reino Unido pela devolução de ouro venezuelano, conforme um relatório específico sobre o tema. A Assembleia também planeja nomear um comitê de 12 membros para indicações judiciais, que definirá o cronograma para a escolha de novos juízes para o Supremo Tribunal. As negociações também abordaram a criação de um novo ouvidor para garantias políticas e participação cidadã, um tema que pode ser regulado por lei ou surgir diretamente da mesa de diálogo.
Mercados de previsão indicam uma probabilidade de apenas 8,5% de que a Venezuela agende eleições presidenciais até 31 de dezembro, com cerca de US$ 152.000 negociados em apostas sobre o tema. Em outra plataforma, a probabilidade de uma votação antes de junho de 2027 está em 17%, e antes de janeiro de 2027, em 1%. Esses dados, analisados pelo Campo Grande NEWS, mostram a incerteza em relação ao calendário eleitoral, que é decidido pelo conselho eleitoral, e não pelas negociações em si. Dinorah Figuera propôs a realização de eleições presidenciais em 2027.
O Que Vem a Seguir
A próxima rodada de conversações está agendada para ocorrer entre 11 e 15 de novembro, com o apoio da administração Trump. Jorge Rodríguez afirmou que a Venezuela gerencia a receita de suas próprias vendas de petróleo, atribuindo relatos contrários à campanha eleitoral de meio de mandato nos EUA. A revisão das leis pela Venezuela e a implementação de mudanças concretas serão um teste para a capacidade das negociações de transformar promessas em texto legal. A ausência de prazos ou procedimentos claros para a revisão legislativa, conforme reportado pela Europa Press, deixa o processo em aberto.
As mudanças nas leis de sanções e terrorismo, se concretizadas, serão um indicativo importante para investidores e credores que avaliam a reconstrução da Venezuela. A forma como essas leis serão alteradas, ou se de fato serão, demonstrará o compromisso com a abertura política e a possibilidade de alívio de sanções. O Campo Grande NEWS acompanhará de perto os desdobramentos deste processo, que pode redefinir o futuro político e econômico da Venezuela.


