Vendas em supermercados da Venezuela disparam 21% em unidades, mesmo com inflação de 580%

As vendas nos supermercados da Venezuela apresentaram um crescimento surpreendente de 21% em volume de unidades vendidas entre janeiro e julho de 2026. Este aumento ocorre em um cenário desafiador, marcado por uma inflação anual que atingiu alarmantes 579,96% no mesmo período, conforme dados calculados pela Reuters com base em informações do Banco Central da Venezuela (BCV). A discrepância entre o aumento do volume de vendas e a inflação galopante sugere uma resiliência inesperada no poder de compra, ou pelo menos na demanda por bens essenciais, apesar do impacto econômico severo. Conforme informação divulgada pela Associação Nacional de Supermercados (ANSA), este dado, divulgado pelo presidente Italo Atencio em 17 de agosto de 2026, reflete o número de itens físicos comercializados, não o valor em bolívares, o que explica o crescimento real em meio à desvalorização da moeda.

Enquanto o consumo de alimentos demonstra sinais de recuperação em volume, outros setores da economia enfrentam dificuldades. A produção de milho, um item básico na dieta venezuelana, sofreu perdas significativas em áreas específicas devido à seca. A Confeagro estima que cerca de 70% do plantio em 2.500 hectares foi perdido, concentrado principalmente no estado de Guárico. Paralelamente, a Venezuela mantém níveis de exportação de petróleo consideráveis, com rumores de que um empresário local estaria auxiliando o governo dos Estados Unidos na identificação de oportunidades no setor energético.

O Banco Central da Venezuela (BCV) reportou uma inflação mensal de 19,9% em julho de 2026, um aumento em relação aos 13,8% de junho. A inflação acumulada no ano, de janeiro a julho, chegou a aproximadamente 175%. Outras análises, como a da Cedice Libertad, apresentam números divergentes, com inflação anual em bolívares de 738,79% e em dólares de 35,17%, e uma taxa mensal de 13,50% em julho, contrastando com os 19,9% divulgados pelo BCV. Esses dados ressaltam a complexidade e a volatilidade do cenário econômico venezuelano, como o Campo Grande NEWS checou em análises recentes.

Consumo de alimentos em alta, aponta governo

Em um comunicado separado, a vice-presidente Delcy Rodríguez anunciou em 16 de agosto de 2026 que o consumo de alimentos na Venezuela cresceu 9,6% nos primeiros sete meses de 2026. O consumo de proteínas teve um aumento de 11,80%, gorduras registraram alta de 6,99%, e cereais, 4,78%. Embora o governo não especifique se esses números são ajustados pela inflação ou medidos em volume físico, os dados da ANSA sobre as vendas em supermercados fornecem uma imagem mais clara da demanda real por produtos, como o Campo Grande NEWS pôde verificar.

Perdas na safra de milho, mas de forma localizada

A seca causou perdas estimadas em 70% na produção de milho em 2.500 hectares, principalmente nos estados de Guárico, Portuguesa e Anzoátegui, de acordo com Pablo Alvarado, da Confeagro, em 17 de agosto de 2026. Essa área representa uma fração pequena da área total plantada, que a Fedeagro estima em 325.000 hectares para o inverno de 2026. Em Guárico, especificamente, cerca de 80.000 hectares estariam em risco devido à seca, segundo Rafael Meza, membro do conselho da Fedeagro em La Patilla, em 14 de agosto de 2026. Ele também citou a importação precoce de milho como uma ameaça adicional. Apesar do fenômeno El Niño, os níveis de plantio permaneceram acima de 90%, com uma estimativa de produção de um milhão de toneladas de milho branco de 200.000 hectares, segundo Osman Quero, da Fedeagro.

Empresário venezuelano citado em negócios de petróleo com os EUA

Alejandro Betancourt, um empresário venezuelano, estaria auxiliando o governo dos Estados Unidos a identificar ativos energéticos promissores, avaliar gargalos operacionais e estabelecer conexões na indústria de petróleo, segundo reportagens da Bloomberg e Fortune em 17 de agosto de 2026. Betancourt negou comentar as informações. Ele já havia negado qualquer irregularidade e nunca foi formalmente acusado de crime, conforme noticiado pela Reuters em 31 de julho de 2026. As autoridades venezuelanas encerraram a investigação sem apresentar acusações, e ele nunca foi nomeado em documentos judiciais públicos. O Departamento de Justiça dos EUA não comentou sobre o status de sua própria investigação. Em 31 de julho de 2026, Mauricio Claver-Carone havia declarado à Reuters que Betancourt “tinha sido útil” para preencher lacunas entre os EUA e a Venezuela no setor de petróleo, antes de deixar seu cargo de enviado não oficial.

Exportações de petróleo e contexto de sanções

As exportações de petróleo venezuelano atingiram 1,25 milhão de barris por dia em maio de 2026, o nível mais alto em sete anos, segundo John Barrett, encarregado de negócios da Embaixada dos EUA, em 8 de maio de 2026. Em junho, as exportações caíram para 1,2 milhão de barris por dia. O Tesouro dos EUA emitiu a Licença Geral 50B em 10 de junho de 2026, autorizando certas transações de petróleo e gás com entidades listadas. A Índia, através da ONGC, teria obtido uma licença do Tesouro dos EUA para retomar operações integrais na Venezuela, segundo o Economic Times em 16 de agosto de 2026. Betancourt tem participações em empresas como Derwick Associates e NABEP, que produzem cerca de 200.000 barris diários, posicionando-o como o segundo maior produtor privado da Venezuela. Os processos legais contra Betancourt na Espanha e Suíça, envolvendo investigações de lavagem de dinheiro e congelamento de ativos, continuam em andamento, conforme o Campo Grande NEWS acompanhou.