O comércio bilateral entre os Estados Unidos e a Venezuela experimentou um salto expressivo de 22,78% no primeiro trimestre de 2026, atingindo US$ 3,293 bilhões. Este crescimento, impulsionado principalmente pela exportação de petróleo venezuelano após a reabertura de canais comerciais formais, marca o período de maior intercâmbio comercial entre os dois países desde 2019, conforme dados divulgados pela Câmara de Comércio e Indústria Venezuelano-Americana (VenAmCham).
Crescimento Impulsionado pelo Petróleo e Insumos
A retomada das exportações de petróleo venezuelano para os EUA foi o principal motor deste aumento. As exportações totais da Venezuela para os Estados Unidos somaram US$ 1,875 bilhão, um acréscimo de 15,40% em relação ao mesmo período de 2025. Deste valor, o petróleo bruto representou impressionantes 96,53%, totalizando US$ 1,810 bilhão. Em contrapartida, as exportações não petrolíferas sofreram uma contração de 8,42%, caindo para apenas US$ 65 milhões, com o café mantendo-se como a principal categoria.
Por outro lado, as importações venezuelanas dos Estados Unidos também registraram um crescimento substancial de 34,14%, alcançando US$ 1,418 bilhão. Os insumos para o setor petrolífero, como diluentes, combustíveis e produtos químicos operacionais, foram os maiores responsáveis por essa alta, representando 56,68% do total, com US$ 804 milhões importados, um aumento de 45,24%. As importações não petrolíferas, incluindo alimentos, maquinário e equipamentos, totalizaram US$ 614 milhões, um avanço de 21,93%, refletindo uma recuperação econômica mais ampla na Venezuela.
Superávit Comercial em Contração
Apesar do aumento geral no comércio, a Venezuela encerrou o primeiro trimestre de 2026 com um superávit comercial de US$ 457 milhões, uma queda em relação aos US$ 568 milhões registrados no mesmo período de 2025. Essa redução é atribuída à expansão mais rápida das exportações americanas para a Venezuela (+34,14%) em comparação com o crescimento das exportações venezuelanas (+15,40%), indicando uma normalização assimétrica dos fluxos comerciais.
Presença Corporativa e Conectividade Aérea
A atividade econômica no país caribenho também tem visto um aumento na presença de empresas americanas. A Chevron continua suas operações sob licenças existentes do Tesouro dos EUA, e pelo menos nove outras empresas americanas assinaram acordos com a Venezuela nos últimos meses, elevando para dez o número de empresas americanas ativas no país. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a retomada dos voos da American Airlines entre os dois países, após uma suspensão de nove anos, também foi celebrada, restaurando a conectividade aérea direta.
O Contexto Pós-Maduro e as Previsões para Investidores
Esses dados comerciais representam a primeira confirmação concreta do novo arranjo econômico pós-Maduro. A VenAmCham, com base em dados da Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos, destacou que o crescimento foi impulsionado pelo componente energético, em um contexto de flexibilização regulatória seletiva e reativação de canais comerciais formais. A dependência da Venezuela de exportações de petróleo, conhecida como “exposição estrutural”, foi novamente evidenciada.
A asimetria no crescimento comercial reflete as realidades operacionais do reinício de um setor petrolífero que esteve por muito tempo interrompido. O petróleo venezuelano, especialmente o do Cinturão do Orinoco, exige diluentes importados para ser transportável, e a capacidade de refino da PDVSA foi significativamente degradada, gerando demanda por importação de gasolina e diesel para consumo interno. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a recuperação econômica venezuelana, apesar do colapso do bolívar, tem impulsionado a importação de bens essenciais e de capital.
Para os investidores, os próximos meses serão cruciais. Acompanhar os dados comerciais do segundo trimestre de 2026 será fundamental para determinar se a trajetória de recuperação é estrutural ou um evento isolado impulsionado por licenças. Novas autorizações do Tesouro dos EUA para outros setores, como petroquímicos e mineração, poderiam expandir ainda mais os canais de comércio. A sensibilidade ao preço do petróleo também será um fator importante, assim como a trajetória das exportações não petrolíferas, cuja contração é vista com preocupação.
A expansão do número de empresas americanas com operações na Venezuela, além das dez atuais, sinalizaria uma confiança corporativa genuína. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a análise desses indicadores fornecerá uma visão mais clara sobre a sustentabilidade da recuperação econômica venezuelana e a evolução das relações comerciais com os Estados Unidos.


