Trump exige coalizão naval em Hormuz, aliados recusam e petróleo dispara

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou a pressão sobre aliados para formar uma coalizão naval no Estreito de Hormuz, exigindo que cerca de sete países enviem navios de guerra para garantir a segurança e a abertura da rota. A demanda, porém, encontrou resistência significativa, com Japão, Austrália e Reino Unido recusando publicamente a participação. A situação eleva as preocupações com a estabilidade do fornecimento global de petróleo, com o Brent já superando os 104 dólares o barril. A notícia foi divulgada em meio a uma semana de eventos cruciais, incluindo reuniões do FOMC e negociações comerciais tensas entre EUA e China. Conforme informações divulgadas pelo Campo Grande NEWS, a recusa dos aliados expõe a dificuldade de Trump em formar uma frente unida para lidar com a crise no Golfo Pérsico.

Tensão em Hormuz e Recusa Aliada

Em declarações a bordo do Air Force One no domingo, Trump mencionou que solicitou a participação de “cerca de sete países”, citando esperanças de que “China, França, Japão, Coreia do Sul, o Reino Unido e outros” enviassem embarcações. O objetivo declarado é evitar que o estreito se torne uma “ameaça por uma nação que foi totalmente decapitada”.

No entanto, as respostas dos países mencionados foram majoritariamente negativas ou evasivas. O Primeiro-Ministro japonês, Takaichi, afirmou na segunda-feira que “nenhuma decisão foi tomada sobre o envio de navios de escolta”. A Austrália declarou explicitamente que não enviará navios, e o Primeiro-Ministro britânico, Starmer, garantiu que o Reino Unido “não será arrastado para uma guerra mais ampla”.

A Alemanha, através de seu Ministro das Relações Exteriores, Wadephul, demonstrou ceticismo em relação ao plano. A Coreia do Sul confirmou o recebimento do pedido e declarou estar “deliberando cuidadosamente”. A China, por sua vez, através de seu Ministério das Relações Exteriores, pediu o fim imediato das operações militares na região.

O comandante naval da Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC), Tangsiri, afirmou que o estreito “não foi bloqueado militarmente e está meramente sob controle”, enquanto o Ministro das Relações Exteriores iraniano, Araghchi, indicou a Teerã “aberta” a discutir a passagem segura. O Wall Street Journal reportou que a administração americana planeja anunciar a coalizão ainda esta semana, apesar da falta de compromissos públicos. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a pressão de Trump sobre a OTAN por falta de ajuda foi explícita, com ameaças de um “futuro muito ruim” para a aliança.

Mercados em Alerta com o Petróleo Acima de $104

O preço do petróleo Brent abriu acima de 104,50 dólares o barril na segunda-feira, representando um aumento de mais de 40% desde 28 de fevereiro. Pelo menos 10 petroleiros foram atingidos ou atacados desde o início do conflito, elevando as preocupações com a oferta global. A Agência Internacional de Energia (AIE) atualizou a liberação de suas reservas emergenciais para quase 412 milhões de barris, a maior já registrada, com membros asiáticos liberando reservas imediatamente e as americanas a partir do final de março.

Diálogo EUA-China em Paris: Um Raio de Estabilidade?

Em contrapartida à tensão geopolítica, as conversas entre o Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e o Vice-Premier chinês, He Lifeng, em Paris, foram descritas como “notavelmente estáveis”. As reuniões, que duraram mais de seis horas na sede da OCDE, indicaram a abertura da China para compras de produtos agrícolas, aeronaves Boeing e recursos energéticos americanos, como carvão, petróleo e gás natural. Foram propostos mecanismos como um “Conselho de Comércio” e um “Conselho de Investimento” para gerenciar o comércio bilateral. Essas discussões podem definir “entregas” para a visita esperada de Trump a Pequim entre 31 de março e 2 de abril, embora Trump tenha sinalizado a possibilidade de adiamento caso a questão de Hormuz não seja resolvida. Analistas alertam, no entanto, que as expectativas devem ser modestas, dada a concentração de Washington na guerra com o Irã. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a Xinhua pediu “progresso significativo” para restaurar a confiança mútua.

FOMC e o Dilema da Inflação e Crescimento Lento

A reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) nos dias 17 e 18 de março é vista como a mais crucial do ano. A expectativa é de que as taxas de juros permaneçam inalteradas em 3,50-3,75%, com mais de 99% de probabilidade. O ponto de maior atenção será o novo gráfico de projeções (dot plot) e o resumo das projeções econômicas, que incorporarão o choque do petróleo causado pela guerra. O núcleo do Índice de Preços ao Consumidor (PCE) acelerou para 3,1% em janeiro, e o PIB do quarto trimestre de 2025 foi revisado para baixo, para 0,7%. Goldman Sachs já postergou sua previsão para o primeiro corte de juros para setembro, e Barclays espera apenas uma redução de 0,25 ponto percentual para todo o ano. A incerteza na liderança do Fed aumenta com o fim do mandato de Powell em 15 de maio e a pendência de confirmação de Kevin Warsh.

EUA: Déficit Fiscal Aumenta e Preço da Gasolina Sobe

O déficit orçamentário dos EUA atingiu 1,004 trilhão de dólares até fevereiro, apesar de uma queda de 12% em relação ao ano anterior. O Escritório de Orçamento do Congresso (CBO) projeta um déficit total de 1,9 trilhão de dólares para o ano fiscal. O Tesouro autorizou uma isenção de 30 dias para a compra de petróleo russo sancionado no mar, uma medida pragmática para aumentar a oferta global. Os preços da gasolina nos EUA subiram para 3,58 dólares o galão, um aumento de 21% em um mês, com alertas de que podem chegar a 5 dólares o galão no verão se o conflito persistir. A liberação das reservas estratégicas de petróleo, combinada com os gastos de guerra, pode reverter a melhora fiscal observada no início do ano fiscal.

Canadá Navega Crise Dupla e Baixa Confiança nos EUA

O Canadá enfrenta uma crise dupla com um plano de defesa ártica de 35 bilhões de dólares canadenses e a revisão do acordo CUSMA, que começa em 16 de março. Pesquisas recentes indicam que apenas 9% dos canadenses confiam nos EUA como aliado, o que reflete um baixo ponto na relação bilateral. A Stellantis está realocando 13 bilhões de dólares em produção para os EUA em resposta às pressões comerciais. O Primeiro-Ministro canadense, Mark Carney, discutiu a situação em Hormuz com o colega britânico, Boris Johnson, separadamente da ligação de Trump, evidenciando uma abordagem diplomática independente. A iniciativa ártica posiciona a soberania do norte do Canadá como prioridade estratégica em meio a um realinhamento geopolítico mais amplo.