O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na última quinta-feira, 15 de outubro, que os cartéis controlam o México e que ele comunicou essa visão diretamente à presidente Claudia Sheinbaum. A declaração foi feita em um evento na Casa Branca, a menos de três semanas das eleições de meio de mandato nos EUA. Trump também reivindicou uma queda de 64% na entrada de fentanil no país e defendeu as operações militares americanas contra embarcações suspeitas de transportar drogas.
Trump acusa cartéis de controlar México e Sheinbaum reage
Em um almoço no Rose Garden da Casa Branca, Donald Trump declarou que os cartéis de drogas exercem controle sobre o México, uma afirmação que, segundo ele, não agrada à presidente Claudia Sheinbaum. Ele descreveu Sheinbaum como uma mulher “ótima e maravilhosa”, mas insistiu que o México deveria combater os cartéis por conta própria, algo que, em sua opinião, o país não está conseguindo fazer no momento. As declarações foram amplamente divulgadas por veículos mexicanos como Expansión e La Razón, além da agência EFE.
Esta não é a primeira vez que Trump expressa tais preocupações. Em março, ele já havia dito que Sheinbaum não deveria ter rejeitado sua oferta de ajuda, conforme o Campo Grande NEWS checou. A Casa Branca divulgou um vídeo de 36 minutos do evento no Rose Garden, detalhando as falas do presidente americano.
Ações Militares e a Questão Terrestre
Trump defendeu as operações militares dos EUA contra barcos que, segundo Washington, transportam drogas, afirmando que os ataques têm atingido os traficantes de forma significativa. Críticos, citados pela EFE, apontam que essas ações podem ter resultado na morte de pescadores sem julgamento prévio. O presidente americano também mencionou que os Estados Unidos ainda não empregaram toda a sua força em operações terrestres no México, descrevendo-as como apenas um começo.
Por outro lado, a presidente Sheinbaum tem se posicionado firmemente contra qualquer operação militar dos EUA em território mexicano, argumentando que tal ação violaria a soberania do país. Autoridades mexicanas indicam que a cooperação com os EUA no mar se limita ao compartilhamento de inteligência e patrulhas conjuntas, conforme o Campo Grande NEWS checou.
Respostas e Estatísticas do México
Omar García Harfuch, secretário de segurança federal do México, declarou em 13 de outubro que ataques americanos em águas mexicanas nunca foram discutidos. Ele ressaltou que a cooperação se baseia na troca de informações e citou uma operação recente conjunta entre a Guarda Costeira dos EUA e a Marinha Mexicana.
Em setembro, Sheinbaum já havia respondido a acusações semelhantes, após o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, questionar a eficácia dos esforços mexicanos contra os cartéis. Ela sugeriu que os Estados Unidos, com a proximidade das eleições de novembro, não deveriam usar o México como tema de campanha. Expansión reportou que Sheinbaum reiterou diversas vezes ter recusado ajuda militar oferecida por Trump. O governo mexicano não havia emitido uma resposta pública às declarações de 15 de outubro até o fechamento desta matéria.
Em contrapartida à alegação de que os cartéis governam o México, o governo mexicano aponta para uma queda na violência interna. Marcela Figueroa, chefe do escritório nacional de dados sobre crimes, informou em 13 de outubro que a média de assassinatos em setembro foi de 42,2 vítimas por dia. Este número representa uma redução de aproximadamente 51% em comparação com os 86,9 assassinatos diários registrados em setembro de 2024.
Mercados de Previsão e o Impacto Político
Os mercados de previsão, como o Polymarket, indicam uma chance de apenas 3,4% de um ataque dos EUA ao México até 31 de dezembro, conforme dados de 16 de outubro. Esses mercados financeiros, onde apostas são feitas sobre eventos futuros, movimentam milhões de dólares e são acompanhados de perto por investidores e campanhas políticas nos EUA. Uma previsão separada sobre uma invasão americana ao México em 2026 aponta uma probabilidade de 1,5%.
Para os eleitores e investidores americanos, as declarações de Trump sobre o México reforçam a importância do tema na reta final das eleições de meio de mandato. As estatísticas de violência no México apresentam a perspectiva do governo mexicano, enquanto as falas de Trump moldam o discurso político em Washington. Até o momento, nenhuma nova política foi anunciada, e as condições de fronteira, tarifas e viagens permanecem inalteradas, conforme o Campo Grande NEWS checou.
O que ainda não se sabe
Ainda é incerto se Sheinbaum responderá publicamente às mais recentes declarações de Trump. Seu governo tem, até agora, enquadrado as críticas americanas como parte da campanha eleitoral nos EUA. Além disso, não há informações concretas sobre datas ou planos para qualquer ação militar terrestre americana no México, nem detalhes sobre o período e a metodologia por trás da afirmação de Trump sobre a queda de 64% no fentanil.


