O Hospital de Câncer Alfredo Abrão, em Campo Grande, recebeu um novo tomógrafo avaliado em R$ 2,15 milhões, que promete revolucionar o atendimento oncológico. O equipamento, que integra um pacote de investimentos de R$ 18,25 milhões em modernização tecnológica, tem o potencial de reduzir o tempo de realização de exames de até 15 minutos para cerca de 3 minutos. Com essa agilidade, a unidade pretende dobrar a capacidade de atendimento atual, que é de aproximadamente 1,6 mil tomografias por mês, conforme divulgou o Campo Grande NEWS.
Novo tomógrafo promete agilizar diagnósticos e tratamentos
O moderno aparelho, da marca Canon e modelo Aquilion Serve SP, chegou ao hospital nesta segunda-feira (21) e já está em fase de instalação. A expectativa é que os primeiros exames sejam realizados já na primeira quinzena de outubro, após a conclusão da montagem e o treinamento da equipe médica e técnica. A iniciativa visa não apenas acelerar diagnósticos, mas também oferecer um procedimento menos desconfortável para os pacientes.
Segundo Cláudio Melgar de Andrade, coordenador do setor de Radiodiagnóstico, o novo tomógrafo será instalado em uma sala humanizada, pensada para tornar a experiência do paciente mais tranquila. “Hoje, um paciente leva em torno de 10 a 15 minutos para fazer o exame completo. Com o novo tomógrafo, esse tempo pode cair para dois ou três minutos”, explicou Andrade. Ele ressalta que isso permitirá a realização de mais tomografias de alta complexidade, essenciais desde a investigação inicial da doença até o planejamento de cirurgias e radioterapia.
O Hospital Alfredo Abrão é uma referência no atendimento oncológico pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e atende cerca de 600 pacientes diariamente. A capacidade aumentada de realizar exames é crucial em uma área onde o tempo pode ser decisivo para o sucesso do tratamento. A meta de dobrar o número de tomografias, no entanto, ainda dependerá de recursos para custear os procedimentos adicionais, como destacou Andrade. “A intenção é dobrar os atendimentos. Isso depende também do financiamento e do quanto conseguimos custear, mas o equipamento nos dá capacidade para atender mais pacientes em menos tempo”, afirmou.
Investimento em tecnologia para reduzir deslocamentos
A aquisição do tomógrafo foi viabilizada por meio de recursos intermediados pelo deputado federal Geraldo Resende, junto ao Ministério da Saúde. O parlamentar destacou a importância do novo equipamento: “A chegada deste tomógrafo é uma conquista importante para os pacientes e para os profissionais do Hospital Alfredo Abrão. Nosso trabalho tem sido garantir equipamentos modernos, ampliar a capacidade de atendimento e oferecer mais segurança e qualidade a quem enfrenta o câncer”, declarou Resende.
O tomógrafo é apenas uma parte de um grande plano de modernização tecnológica do hospital, que soma R$ 18,25 milhões. O objetivo principal dessa renovação é melhorar a estrutura em Campo Grande e, principalmente, reduzir a necessidade de pacientes do SUS viajarem para outros estados em busca de exames e tratamentos de alta complexidade. Essa iniciativa, como apurado pelo Campo Grande NEWS, visa trazer mais conforto e acessibilidade aos pacientes.
Acelerador linear e outros equipamentos em mira
Outro equipamento crucial que já chegou ao hospital é um acelerador linear, utilizado na radioterapia. Sua instalação está prevista para começar a atender pacientes em janeiro de 2027, após a conclusão da construção do bunker, uma estrutura de proteção especial. Segundo Sueli Lopes Teles, presidente do hospital, essa nova tecnologia poderá reduzir significativamente o número de sessões de radioterapia necessárias em alguns tratamentos.
“Um paciente que faz 30 sessões poderá fazer de oito a dez sessões. Isso vai reduzir a fila e o tempo de tratamento”, explicou Teles. O coordenador operacional, Luciano Gasparini Nachif, complementou que o novo acelerador permite direcionar a radiação com maior precisão, possibilitando doses maiores em cada sessão e, consequentemente, diminuindo os dias de tratamento. Essa otimização não só alivia o desgaste dos pacientes, mas também libera vagas para outros em tratamento.
O hospital informou que em 2023 foram realizadas 18.112 sessões de radioterapia em 1.269 pacientes. A fila de espera é administrada pelas secretarias municipal e estadual de Saúde.
Ressonância magnética e PET-Scan: o futuro do diagnóstico oncológico
Além do tomógrafo e do acelerador linear, o Alfredo Abrão também aguarda a instalação de um aparelho de ressonância magnética, que produz imagens detalhadas de órgãos e estruturas corporais, auxiliando na identificação e acompanhamento de tumores. Outro avanço previsto é a aquisição de um PET-Scan, equipamento selecionado pelo Ministério da Saúde, cuja liberação depende de etapas administrativas federais.
O PET-Scan combina imagens anatômicas com informações sobre a atividade metabólica das células, sendo fundamental na oncologia para detectar lesões, verificar metástases e avaliar a resposta ao tratamento. A incorporação dessas tecnologias reforçará a capacidade de diagnóstico em Mato Grosso do Sul, diminuindo a necessidade de deslocamento de pacientes para outros centros, conforme destacou o Campo Grande NEWS em reportagem anterior.
Regionalização: atendimento oncológico mais perto de casa
Esses investimentos no Hospital Alfredo Abrão fazem parte de uma estratégia maior de regionalização da assistência oncológica no estado. O plano busca modernizar as unidades em Campo Grande e, ao mesmo tempo, levar serviços especializados para outras regiões. Em Dourados, prevê-se a implantação de um serviço de oncologia no Hospital Universitário da UFGD, e em Três Lagoas, o fortalecimento do atendimento no Hospital Nossa Senhora Auxiliadora com a implantação da radioterapia.
Na capital, os investimentos também contemplam a ampliação da radioterapia no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul e a modernização da assistência no Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian. A chegada desses novos equipamentos representa a esperança de diagnósticos mais rápidos, tratamentos mais precisos e, crucialmente, menos viagens desgastantes para pacientes que já enfrentam uma batalha difícil pela vida. O desafio agora é concretizar as instalações, garantir o financiamento dos procedimentos e transformar a tecnologia disponível em atendimento efetivo e de qualidade para todos.

