Terceirização na saúde de Campo Grande: debate adia plano após eleições

A possibilidade de terceirizar a gestão de unidades de urgência e emergência em Campo Grande volta a ser tema de discussão entre vereadores e secretários municipais, mas a pauta foi adiada para após as eleições. A decisão foi comunicada pelo Secretário Municipal de Saúde, Marcelo Vilela, em reunião a portas fechadas na Câmara Municipal nesta terça-feira (14). O abastecimento de medicamentos na rede pública também foi abordado.

Saúde em Campo Grande: Terceirização suspensa e falta de remédios em debate

Em um encontro que gerou expectativas, vereadores de Campo Grande se reuniram com os secretários municipais de Saúde, Marcelo Vilela, e de Governo, Ulisses Rocha, para discutir pontos cruciais da saúde pública na cidade. A terceirização da gestão de unidades de urgência e emergência, um projeto que já enfrentou resistência e protestos, foi um dos temas centrais. Além disso, a persistente questão do desabastecimento de medicamentos na rede pública também foi trazida à tona, com revelações preocupantes sobre a disponibilidade de itens essenciais.

Segundo o Secretário de Saúde, Marcelo Vilela, o assunto da terceirização está, por ora, “encerrado”. Ele justificou a suspensão temporária devido à proximidade da campanha eleitoral, afirmando que a intenção é evitar que o debate seja politizado. No entanto, Vilela assegurou que a prefeitura não desistiu de buscar soluções para melhorar a assistência à população, citando a análise de modelos já em prática em outras cidades brasileiras e a intenção de continuar as discussões internamente e com o Legislativo.

Por outro lado, o Secretário de Governo, Ulisses Rocha, confirmou que a ideia de terceirizar a gestão das unidades de saúde não foi abandonada pela administração municipal. Ele admitiu que o tema se tornou “estigmatizado” após o fracasso de um projeto de lei anterior na Câmara, que foi votado contra pela maioria dos parlamentares. Apesar disso, Rocha declarou que a gestão continua analisando alternativas e modelos de contratação que possam otimizar o serviço público, embora nenhum detalhe específico tenha sido revelado sobre quais modelos estão sendo considerados.

O presidente da Câmara, Epaminondas Neto, conhecido como Papy (PSDB), criticou a falta de diálogo direto da prefeita Adriane Lopes (PP) com os parlamentares sobre a proposta de terceirização. Segundo ele, essa ausência de comunicação contribuiu significativamente para o insucesso da iniciativa. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a falta de articulação política foi um fator determinante para a rejeição do projeto.

Melhorias estruturais e aquisição de equipamentos previstas

Em paralelo às discussões sobre modelos de gestão, o Secretário de Saúde, Marcelo Vilela, destacou que a prefeitura tem planos concretos para a melhoria da infraestrutura das unidades de saúde. Ele mencionou a previsão de reformas e a aquisição de novos equipamentos para todas as unidades municipais. Essa ação, segundo Vilela, está prevista para iniciar nos próximos meses e deve ser concluída até o final do ano.

“Nos próximos meses, estamos esperando a licitação terminar para fazer a requalificação de todas as nossas unidades porque isso é exigido pelo Ministério da Saúde para recebimento de recursos. Isso deve melhorar um pouco as estruturas”, explicou o secretário. A medida visa não apenas aprimorar as condições de atendimento, mas também atender às exigências federais para a liberação de verbas.

Escassez de medicamentos: investigação sobre suposto boicote

A reunião também abordou a grave questão do desabastecimento de medicamentos, um problema que tem gerado denúncias desde 2023. O Secretário de Governo, Ulisses Rocha, levantou a possibilidade de um “boicote” por parte de alguns servidores, uma declaração polêmica que motivou sua convocação à Câmara. Na reunião, Rocha detalhou a investigação em andamento sobre casos em que medicamentos estariam disponíveis nas unidades, mas servidores teriam informado o contrário.

“Havia algumas unidades, inclusive com testemunhos, onde servidores disseram que não havia determinado medicamento, mas tinha. E foi mais de um caso. A Secretaria Municipal de Saúde, assim como a Controladoria Municipal, estão apurando. Já existe uma sindicância em curso e isso deve avançar depois para um processo administrativo disciplinar”, afirmou Rocha. Ele fez questão de ressaltar que a maioria dos servidores é dedicada e realiza seu trabalho com excelência, mas que casos isolados estão sendo investigados.

Um documento apresentado durante a reunião revelou dados alarmantes sobre a disponibilidade de remédios. Constata-se que os estoques estão zerados em 27,57% dos medicamentos que o Município tem obrigação de fornecer, totalizando 67 itens em falta de um universo de 243. Desses, 52 aguardam entrega dos fornecedores, enquanto outros 15 necessitam de novos processos de compra. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a lista completa dos medicamentos em falta não foi divulgada.

A situação do desabastecimento de medicamentos, que já foi normalizada em alguns períodos, volta a preocupar a população. A investigação sobre a conduta de servidores, caso confirmada, pode ter sérias implicações disciplinares e administrativas. O Campo Grande NEWS continuará acompanhando os desdobramentos desta questão, buscando informações precisas e atualizadas sobre a saúde pública na capital.