Terceirização da Saúde em Campo Grande: Vereadores e População Pressionam Contra Proposta

A proposta de terceirização da saúde pública em Campo Grande gerou intensa discussão em audiência pública realizada na Câmara Municipal. Vereadores, representantes do Executivo, sindicatos, conselhos e usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) participaram do debate, evidenciando um forte posicionamento contrário à medida. A principal preocupação gira em torno da gestão e do futuro do atendimento à população.

O vereador Landmark Rios tem sido uma voz ativa na mobilização contra a terceirização. Ele percorreu unidades de saúde, ouviu servidores e moradores, e coletou assinaturas em um abaixo-assinado. Durante a audiência, Rios reforçou que o problema da saúde pública não reside no modelo público em si, mas sim na **falta de investimento e de gestão eficaz**. Ele destacou a sobrecarga dos servidores, a precariedade da estrutura e os baixos salários, que levam profissionais a realizar plantões extras para complementar a renda.

Rios enfatizou a importância de fortalecer a porta de entrada do SUS, onde o cidadão busca o primeiro atendimento. “É nas unidades de saúde que começa o cuidado. É ali que a população precisa ser acolhida”, afirmou. O parlamentar alertou ainda para o risco de a própria população, diante das dificuldades diárias, começar a defender a privatização. “Tenho recebido mensagens de usuários do SUS defendendo a privatização. Olha o tamanho do absurdo”, lamentou, ressaltando que essa situação não pode justificar o desmonte do sistema público.

Vereadores Expressam Indignação e Questionam a Proposta

Durante a audiência, o secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, apresentou o projeto de reorganização da rede pública, que prevê a implantação de uma Organização Social de Saúde (OSS) para gerir as unidades dos bairros Tiradentes e Aero Rancho. Segundo Vilela, o objetivo é **melhorar a eficiência da gestão e ampliar a capacidade de atendimento**, enfrentando limitações como rigidez em contratações e burocracia em licitações. O gasto atual nas unidades é de R$ 4,3 milhões mensais, e o modelo proposto prevê metas de desempenho, atendimento gratuito e melhoria em indicadores como tempo de espera.

No entanto, a proposta enfrentou forte resistência. O vereador Dr. Lívio, que secretariou a audiência, manifestou acreditar que o projeto **não será aprovado pela Câmara**, dada a compreensão majoritária entre os parlamentares de que a medida não deve avançar. Ele ressaltou, contudo, a importância do debate democrático e a necessidade urgente de melhorias na gestão da saúde de Campo Grande.

O vereador Veterinário Francisco também criticou veementemente a proposta. Como ex-servidor público, ele conhece de perto as dificuldades enfrentadas pelos profissionais da saúde, como a **falta de medicamentos, equipamentos básicos e vagas hospitalares**. Para ele, a audiência deveria focar em soluções estruturais e na valorização dos servidores, como um plano de cargos e salários, em vez de discutir privatização. “Participei da criação do SUS e afirmo: é o melhor sistema de saúde do mundo. Não precisa ser modificado. O que falta é gestão”, declarou, considerando o projeto de privatização “morto antes de nascer”.

Controle Social e Usuários do SUS Alertam para Riscos

O presidente do Conselho Municipal de Saúde, Jader, destacou o papel do **controle social** e questionou a insistência do Executivo em avançar com o projeto, mesmo após o posicionamento contrário do conselho. Ele enfatizou que a decisão do conselho reflete a realidade vivenciada nas unidades de saúde e pelos usuários do SUS. “Isso passa uma mensagem preocupante: a de que o controle social pode ser ouvido, mas não necessariamente considerado”, alertou.

Maria Auxiliadora Ribeiro Fortunato, vice-presidente do Fórum das Entidades Representativas dos Usuários do SUS, alertou que a terceirização pode transformar o cuidado em **meta e número para empresas privadas**. Ela ressaltou a necessidade de acesso a leitos, exames e remédios, e criticou a transferência da gestão para terceiros. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a falta de acesso a esses serviços básicos é a principal queixa da população.

Ronaldo de Souza Costa, superintendente do Ministério da Saúde em Mato Grosso do Sul, reforçou o princípio constitucional do SUS: “Saúde é um direito de todos e dever do Estado. O SUS é um sistema que não comporta lucro.” Ele expressou preocupação com a **precarização dos serviços** e cobrou maior responsabilidade do poder público na execução direta dos serviços.

Márcio Godoy, do Sisem (Sindicato dos Servidores Municipais), criticou a falta de transparência e o **ausência de debate prévio com a população** sobre a proposta. Ele argumentou que a terceirização enfraquece mecanismos de controle, como os concursos públicos, e que o plano de governo da prefeita não previa tal medida. A análise detalhada do Campo Grande NEWS indica que a discussão sobre a gestão da saúde pública em Campo Grande está longe de terminar, com fortes argumentos de ambos os lados.

O debate sobre a terceirização da saúde em Campo Grande evidencia a tensão entre a busca por eficiência administrativa e a defesa incondicional do Sistema Único de Saúde. A audiência pública, conforme noticiado pelo Campo Grande NEWS, serviu como um palco para que as diversas vozes da sociedade civil e do legislativo municipal pudessem se manifestar, fortalecendo a necessidade de um debate transparente e centrado nas necessidades da população. A expectativa é que o diálogo continue, buscando as melhores soluções para garantir o acesso universal e de qualidade à saúde em Campo Grande.