Arquiteta morre em queda de caminhonete; marido aponta suicídio
A arquiteta Ely Quevedo, de 53 anos, morreu na manhã desta segunda-feira (13) após cair de uma caminhonete em movimento na BR-262, em Campo Grande. O marido da vítima, que conduzia o veículo, relatou à polícia que Ely teria se jogado do carro. A Polícia Civil abriu investigação para apurar as circunstâncias da morte, considerando as hipóteses de acidente, suicídio ou feminicídio.
Horas antes do trágico evento, Ely compartilhou em suas redes sociais uma mensagem de força: “Segundamos. Senhor, a sua guerreira já está de pé”. As publicações recentes da arquiteta eram marcadas por reflexões sobre amor-próprio, superação e a importância de recomeços, utilizando hashtags como ‘#vivaavida’.
A arquiteta mantinha um perfil ativo, onde dividia conquistas pessoais, sua rotina de exercícios e pensamentos sobre a fase de transformação que atravessava. “Vivo um processo de reconstrução e aprendizado. Focada e grata a Deus primeiramente e depois a todos aqueles que realmente se importam e caminham comigo, nesse processo”, escreveu em uma de suas postagens. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essas mensagens pintam um quadro de alguém que buscava ativamente o autoconhecimento e o bem-estar.
Reflexões sobre amor-próprio e recomeços
As palavras de Ely Quevedo nas redes sociais transmitiam um forte senso de valorização pessoal. Em uma publicação, ela aconselhava: “Pense em você, se coloque em primeiro lugar, respeite seu tempo, valorize seus sentimentos […] Escolha você sempre que precisar e jamais priorize uma relação ou uma pessoa que te machuque e faça você duvidar de si”.
Essa fase de autodescoberta também se refletia em sua evolução física. Ely compartilhava fotos comparativas mostrando seu progresso em um processo de emagrecimento e adoção de novos hábitos. “Sigo firme. Falta muito… mas cheguei bem além de onde eu estive”, declarou, demonstrando persistência em sua jornada de mudança.
A rotina de treinos era uma constante em sua vida, frequentemente compartilhada com leveza e bom humor. Registros a mostravam fantasiada em treinos temáticos, como em uma ocasião de vôlei, onde comentou: “Fui ‘fada’ por algumas horas e adorei ter asas”. A mensagem “Se permita” se repetia, incentivando a si mesma e a seus seguidores a buscar novas experiências e a autovalorização.
Rede de apoio e celebração da vida
O perfil de Ely evidenciava uma sólida rede de apoio. Amigos e seguidores interagiam constantemente, enviando mensagens de incentivo e reconhecimento. “Você me motiva de um tanto que você nem sabe”, comentou uma seguidora, evidenciando o impacto positivo que Ely exercia sobre as pessoas ao seu redor.
Em seu aniversário, há cerca de cinco semanas, Ely publicou uma mensagem de gratidão: “Sou imensamente grata a Deus, por mais um ciclo que se inicia. Sou o reflexo de todo amor que recebo. Aprendi cuidar de mim, me celebrar e a melhorar”. Ela também deixou uma reflexão profunda: “Bendita seja nossa vontade diária de ser melhor do que ontem e não melhor do que ninguém”.
A irmã de Ely, Elke Sinara, conversou com o Campo Grande NEWS e a descreveu como uma mulher apaixonada pela vida. “Era uma mulher incrível, amava a vida, amava jogar vôlei, fazer corrida e amava a família”, resumiu, ainda visivelmente abalada. A declaração reforça a imagem de uma pessoa vibrante e dedicada aos seus afetos e paixões.
Investigação em andamento
O acidente fatal ocorreu na manhã de segunda-feira (13), na BR-163, saída para Cuiabá, em Campo Grande. Ely estava na caminhonete com o marido quando ocorreu a queda. Equipes de resgate tentaram reanimá-la por aproximadamente 40 minutos, mas sem sucesso. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a principal versão apresentada pelo motorista é a de que a arquiteta teria se jogado do veículo.
No entanto, a Polícia Civil não descarta outras hipóteses e trabalha com as possibilidades de acidente, suicídio ou feminicídio. A delegada Analu Lacerda Ferraz, adjunta da 1ª DEAM, informou que a investigação aguardará a conclusão de exames periciais, necroscópicos e a análise de imagens e outros elementos coletados no local para confrontar as versões e estabelecer a verdade real dos fatos.
A polícia reforça a importância de buscar ajuda em casos de crises emocionais. Em Campo Grande, o GAV (Grupo Amor Vida) oferece apoio pelo telefone 0800 750 5554. O CVV (Centro de Valorização da Vida) atende pelo 188. Em situações emergenciais, os números 190 (Polícia Militar) e 193 (Corpo de Bombeiros) estão disponíveis. A violência contra mulheres e outras vulnerabilidades não pode ser silenciada.

