Tarsila do Amaral: exposição imersiva celebra 140 anos da artista icônica

Em celebração aos 140 anos do nascimento da renomada pintora brasileira Tarsila do Amaral, uma exposição imersiva promete encantar o público a partir deste sábado, 15 de junho. A mostra, intitulada “O Brasil de Tarsila”, ocupa o recém-inaugurado Nubank Art Lab, localizado no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, em São Paulo. Após o estrondoso sucesso da exposição “Tarsila Popular”, que atraiu mais de 400 mil visitantes e se tornou uma das mais vistas na história do MASP, esta nova experiência busca mergulhar o visitante no universo criativo da artista de forma inédita e interativa.

A exposição, que ficará em cartaz até 31 de outubro, aposta em uma jornada sensorial e multimidia. Os visitantes poderão vivenciar sensações como sentir cheiros, repousar diante de paisagens recriadas pela artista, viajar em um trem ouvindo suas frases marcantes e até mesmo interagir com obras icônicas. É possível posar para fotos ao lado do famoso Abaporu ou ter a experiência de ter a própria cabeça inserida na tela “Operários”, um dos maiores símbolos do modernismo brasileiro.

Conforme informação divulgada pelos organizadores, esta é considerada a maior exposição imersiva dedicada ao legado de Tarsila do Amaral. Composta por 14 salas, a mostra conta com cenografia detalhada, trilha sonora envolvente, dispositivos interativos, aromas e projeções em 360 graus, proporcionando uma imersão completa na obra da artista. Dezenas de suas obras foram reproduzidas, animadas e projetadas especialmente para esta exibição, conforme o Campo Grande NEWS checou.

A curadoria é assinada por Paola do Amaral Montenegro, sobrinha-bisneta da artista, e por Juliana Miraldi. Elas descrevem a seleção de mais de 70 obras como “democrática”, buscando dialogar tanto com quem já conhece Tarsila quanto com aqueles que terão o primeiro contato com sua arte. “Aqui, a gente está se comunicando com quem nunca viu Tarsila, com quem não conhece Tarsila, mas a gente também se comunica com quem conhece Tarsila”, explicou Juliana Miraldi, destacando que a exposição inclui obras menos conhecidas e de difícil acesso.

Um novo olhar sobre a arte de Tarsila

Paola do Amaral Montenegro ressaltou que a proposta é oferecer uma experiência diferente das exposições anteriores, focando na imersão e na apresentação de obras menos exploradas da artista. “A gente quis trazer alguma coisa diferente. De fato, a gente quis que houvesse essa imersão em obras que também não são muito conhecidas na vida da artista”, afirmou Paola.

Ela complementou, “A exposição imersiva é um formato muito atual e moderno, e, do jeito que está aqui, acho que vocês nunca viram. Não existe nada melhor para ser feito do que uma exposição imersiva para celebrar os 140 anos da artista, colocando ela de novo à frente do seu tempo”. Essa abordagem inovadora busca conectar o público com a genialidade de Tarsila de Amaral de uma maneira contemporânea e envolvente.

Novos suportes e a democratização da arte

Juliana Miraldi explicou que todo o conteúdo audiovisual foi cuidadosamente desenvolvido por artistas digitais e plásticos, e não por inteligência artificial, para garantir a consistência estética e o respeito às obras originais. “Foram mais de 32 artistas digitais que fizeram esse trabalho. Vocês vão notar nos vídeos que isso é diferente da inteligência artificial. Aqui, a gente tem camadas e trabalhos com luz e com textura”, detalhou.

A exposição foi concebida para receber famílias, despertar a curiosidade de crianças e jovens e abrir portas para pessoas que talvez nunca tenham tido contato direto com a obra de Tarsila. Juliana Miraldi vê as exposições imersivas como ferramentas importantes para democratizar o acesso à arte, comparando seu impacto ao surgimento da fotografia e do cinema. “Quando surge um novo suporte, há uma desconfiança daqueles que estão já estabelecidos e que têm a sua tradição”, comentou, defendendo que esses novos formatos ampliam o diálogo entre arte, entretenimento e informação.

A sobrinha-bisneta da artista, Paola do Amaral Montenegro, também defende que novos suportes, como as exposições imersivas, apesar de poderem gerar debates, acabam por ampliar o conhecimento sobre a arte. “Hoje em dia, existe um conjunto de autores da filosofia, da sociologia e da psicanálise que retomam a importância dos sentidos e dos afetos e falam sobre o quanto que a alegria, o envolvimento e a capacidade de se emocionar também são uma forma de conhecer. E a imersão permite isso. E a gente está apostando nisso com a [exposição sobre] Tarsila”, explicou, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.

Tarsila do Amaral: um ícone do modernismo brasileiro

Nascida em Capivari, São Paulo, em 1886, Tarsila do Amaral é amplamente reconhecida como uma das mais importantes artistas brasileiras do século XX e uma figura central do modernismo. Sua obra “Abaporu”, pintada em 1928 em homenagem ao escritor Oswald de Andrade, é um dos quadros mais valiosos da arte brasileira e um marco do Movimento Antropofágico.

O nome “Abaporu” deriva do tupi-guarani, significando “homem que come” (aba + poru), remetendo à ideia de devorar a cultura estrangeira e transformá-la em algo genuinamente brasileiro. Tarsila foi uma mulher à frente de seu tempo, que viajou pelo mundo e transformou suas experiências em arte, inspirando gerações. “Além da importância de Tarsila como artista, temos que falar de sua importância como mulher, como feminista. Ela tinha condições de viajar e foi para muitos lugares. Pegou tudo isso e transformou em arte. Com isso, ela me ensina muito a seguir meus sonhos”, compartilhou Paola do Amaral Montenegro, como noticiado pelo Campo Grande NEWS.

Nubank Art Lab: um novo espaço para a arte

O Nubank Art Lab, o novo espaço cultural da Avenida Paulista, possui mais de 2,7 mil metros quadrados no primeiro andar do Conjunto Nacional. O local é dividido em uma sala multiuso e duas salas imersivas. Uma das salas imersivas conta com uma parede de LED de 10 metros e teto espelhado, equipada com um sistema de sensores que reagem às projeções.

Simultaneamente à exposição de Tarsila do Amaral, o Nubank Art Lab também abriga a mostra “Fronteiras do Imaginário”, com trabalhos de Muti Randolph, artista sul-africano renomado, e Maotik, artista digital francês especialista em experiências imersivas e interativas. Essa coexistência de exposições reforça o compromisso do espaço em apresentar arte contemporânea e acessível a um público diversificado.