Tapa-buracos em Campo Grande: R$ 500 mil e prisões em operação

Uma operação deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) nesta terça-feira (12) revelou um esquema de corrupção e desvio de verbas públicas que pode ter chegado a R$ 113 milhões. A investigação, batizada de Operação Buraco Sem Fim, mirou contratos de tapa-buracos em Campo Grande, resultando na prisão de figuras importantes da infraestrutura da cidade e na apreensão de centenas de milhares de reais em espécie.

A ação policial atingiu a cúpula da infraestrutura de Campo Grande, com a prisão de Rudi Fiorese, diretor-presidente da Agesul e ex-secretário de obras da capital. Ao todo, sete pessoas foram detidas sob suspeita de participação em fraudes que teriam causado prejuízo aos cofres públicos por meio de pagamentos por serviços feitos parcialmente ou que não teriam sido realizados. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a operação também resultou na apreensão de R$ 429 mil em dinheiro vivo, distribuídos em dois endereços ligados aos investigados.

A investigação do MPMS aponta que o grupo é suspeito de forjar medições para receber por serviços de tapa-buracos que não foram executados. O esquema, segundo o MPMS, teria gerado um rombo de R$ 113 milhões em contratos e aditivos firmados entre 2018 e 2025. A Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso do Sul (Seilog) informou que o governo estadual não é alvo da investigação e que Rudi Fiorese está sendo investigado por fatos relacionados ao período em que atuou na prefeitura de Campo Grande.

Rudi Fiorese e outros detidos na operação

Entre os presos está Rudi Fiorese, que além de diretor-presidente da Agesul, já ocupou o cargo de secretário municipal de Obras de Campo Grande. Ele é suspeito de participação em fraudes ligadas a contratos de tapa-buracos e manutenção de vias. A defesa de Fiorese informou que aguarda acesso aos autos para se manifestar sobre as acusações.

Outras seis pessoas foram presas. São elas: Edvaldo Aquino, que segundo o MPMS é coordenador das ações de tapa-buracos na cidade; Antonio Bittencourt, dono da Construtora Rial LTDA, empresa com mais de R$ 122 milhões em contratos com o município; Mehdi Talayeh, engenheiro da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep); Erick Antônio Valadão de Paula, servidor da Sisep; e Fernando de Souza Oliveira, servidor licenciado da Sisep. Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa completa a lista de detidos. As defesas de alguns dos presos informaram que ainda não tiveram acesso aos autos e só se manifestarão após análise do conteúdo.

Histórico de investigações e dinheiro apreendido

Curiosamente, parte dos presos nesta terça-feira já havia sido alvo de investigações anteriores do MPMS. Em 2023, a Operação Cascalhos de Areia apurou desvios de R$ 300 milhões em contratos de máquinas e vias não pavimentadas. Nomes como Rudi Fiorese, Mehdi Talayeh, Erick Antônio Valadão de Paula e Fernando de Souza Oliveira se repetem nas duas investigações, indicando um padrão de atuação suspeita ao longo do tempo.

Durante a Operação Buraco Sem Fim, foram apreendidos R$ 429 mil em dinheiro em espécie. Em um dos imóveis vasculhados, ligado a um servidor, os agentes encontraram R$ 186 mil. Em outro endereço, foram localizados R$ 233 mil. A quantidade expressiva de dinheiro vivo levanta suspeitas sobre lavagem de dinheiro e movimentações financeiras ilícitas.

Prefeitura de Campo Grande se manifesta

Em nota, a Prefeitura de Campo Grande informou que os contratos em questão referem-se à “manutenção de vias pavimentadas firmados desde 2017, em gestão passada”. No entanto, o MPMS esclarece que as investigações de fraudes miraram contratos e aditivos firmados entre 2018 e 2025. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a prefeitura publicou a exoneração de Edvaldo Aquino e Mehdi Talayeh após suas prisões. A Seilog, por sua vez, confirmou a exoneração de Rudi Fiorese.

A Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso do Sul (Seilog) reiterou que o governo estadual não é alvo da investigação e que Rudi Fiorese está sendo investigado por sua atuação anterior na Secretaria de Obras da Capital. A pasta afirmou que, comprometida com a lisura e transparência, acompanha o desenrolar da investigação e já tomou as providências necessárias, incluindo a exoneração do servidor.

O ex-prefeito e atual vereador Marquinhos Trad, que não é investigado, declarou: “Não há como me manifestar de algo que não sou investigado e nem conhecimento tenho”. A investigação, conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e pelo Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), segue em andamento para elucidar todos os detalhes do esquema e identificar todos os envolvidos nos desvios de verbas públicas, conforme detalhado pelo Campo Grande NEWS.