Concurso Público: Alems usa média de notas para rebater anulação por queda de energia

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) se posicionou contra os pedidos de suspensão e anulação do concurso público realizado em 29 de março de 2026. Candidatos denunciaram prejuízos após uma queda de energia durante a aplicação das provas no Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS), em Campo Grande. No entanto, a ALEMS e a Fundação Carlos Chagas (FCC), banca organizadora, afirmam que não há evidências de impacto negativo. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a FCC alega que o incidente foi um caso fortuito e que o desempenho dos candidatos afetados superou a média geral, garantindo a lisura do certame.

Queda de energia no concurso: Alems e FCC negam prejuízos

Em um ofício encaminhado à 67ª Promotoria de Justiça da Capital, a Assembleia Legislativa declarou que o episódio foi um “caso fortuito isolado” e que a isonomia, lisura e regularidade do certame não foram comprometidas. A decisão se baseia em análises estatísticas apresentadas pela própria Fundação Carlos Chagas.

A organização do concurso detalhou que, dos 7.405 candidatos presentes em 22 locais de prova no período vespertino, apenas 487 estavam no IFMS, onde ocorreu a interrupção de energia. A banca organizadora sustenta que estudos estatísticos indicaram um desempenho dentro da média esperada entre os candidatos que enfrentaram o problema.

Segundo o levantamento, a média de acertos no IFMS foi de 35,91 pontos, superando a média geral dos demais locais, que ficou em 35,37 pontos. Este dado é central para o argumento de que não houve desequilíbrio no processo seletivo, conforme checado pelo Campo Grande NEWS.

Desempenho no IFMS ficou acima da média geral

Um parecer técnico do Núcleo de Análise e Processamento de Dados da FCC concluiu que o IFMS se posicionou na 11ª colocação entre os 22 locais de aplicação das provas. O desempenho registrado foi 0,39 ponto acima da média de colégios de porte equivalente. O documento enfatiza que “não há evidência quantitativa de impacto negativo nos resultados agregados” e nenhum desvio expressivo foi identificado em áreas ou cargos avaliados.

A Fundação Carlos Chagas também detalhou as medidas emergenciais adotadas durante o apagão. Entre elas, estão a abertura das janelas das salas, o remanejamento de candidatos, o uso de lanternas de celulares dos fiscais em modo avião, a aquisição emergencial de spots de iluminação e o reforço das equipes de coordenação e apoio operacional. A FCC assegura que essas ações garantiram condições adequadas para a continuidade da prova até o encerramento.

Apenas 28% dos afetados no IFMS recorreram administrativamente

Outro ponto levantado pela ALEMS é que apenas 137 dos 487 candidatos presentes no IFMS ingressaram com recursos administrativos relatando prejuízo. Isso representa 28,13% dos participantes do local. Para a organizadora, este dado demonstra que a maioria dos candidatos aceitou as medidas adotadas, conforme noticiado pelo Campo Grande NEWS.

A FCC reforçou que a anulação e reaplicação do exame causariam prejuízos a milhares de candidatos, incluindo aqueles vindos de outros estados, além de comprometer o cronograma do concurso. A instituição reitera que todas as normas editalícias foram respeitadas e que as medidas emergenciais preservaram a lisura do processo seletivo.

Candidatos contestam e buscam nova prova

Apesar do posicionamento oficial, candidatos seguem contestando a condução da prova. No dia 6 de abril, participantes iniciaram um abaixo-assinado pedindo a reaplicação do exame. O documento, encaminhado à FCC, reúne mais de 28 mil assinaturas de candidatos que alegam ter sido prejudicados pela falta de energia no IFMS.

A advogada Talita Souza, uma das candidatas que aderiram ao movimento, afirma ter sido prejudicada. Ela argumenta que o desempenho estatístico apresentado pela banca não elimina os impactos individuais. “Eles alegam principalmente que não houve prejuízo porque o desempenho dos candidatos do IFMS foi equivalente aos outros locais. Todavia, eu e outros colegas fomos prejudicados sim. Me planejei para fazer a prova com calma, mas, com o estrondo e o abalo psicológico, tive que fazer tudo com rapidez. Uso óculos e já não conseguia mais enxergar. Eles nem acionaram a Energisa e o que fizeram fere diretamente o princípio da isonomia”, declarou.

Talita também argumenta que a igualdade de condições vai além da média geral de desempenho. “Mesmo que a média tenha sido parecida, isso não significa automaticamente que não houve prejuízo. O critério em concursos públicos não é só o resultado final coletivo, mas também igualdade de condições”, disse.

Entenda o incidente no IFMS

A interrupção de energia no IFMS começou por volta das 14h40, logo após o início das provas vespertinas, atingindo inicialmente cinco salas do andar superior. A falha teve origem no quadro de distribuição elétrica. As demais salas do bloco permaneceram sem impactos até as 16h, quando uma explosão durante tentativa de reparo interrompeu a energia também nesses ambientes.

Em abril, a Fundação Carlos Chagas negou oficialmente o pedido de reaplicação da prova, classificando-o como “improcedente” e mantendo o cronograma do concurso. A fundação reiterou que a interrupção de energia foi um “caso fortuito” e que todos os procedimentos ocorreram em conformidade com o edital.

O caso ainda segue em discussão no Ministério Público, que recebeu denúncias de candidatos apontando irregularidades na aplicação das provas do concurso público, conforme acompanhado pelo Campo Grande NEWS.