STF não localiza Mário Frias para depor sobre filme de Bolsonaro

O Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta dificuldades para notificar o deputado federal Mário Frias (PL-SP), que é alvo de uma apuração preliminar relacionada ao envio de emendas parlamentares. O caso envolve a destinação de R$ 2 milhões a uma organização não-governamental (ONG) ligada à produtora responsável pela cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, intitulada “Dark Horse”.

A investigação busca esclarecer um suposto desvio de finalidade na aplicação dos recursos públicos. Mário Frias é apontado como produtor-executivo do filme que retrata a trajetória política de Bolsonaro, e que ainda não foi lançado no mercado.

A notícia sobre a dificuldade na notificação foi divulgada pelo portal G1, que obteve informações sobre as tentativas frustradas do STF em contatar o parlamentar. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a Câmara dos Deputados indicou um endereço residencial para o deputado, mas um oficial de justiça foi informado pelo porteiro do edifício que Frias não reside mais no local há dois anos.

Tentativas de Notificação Frustradas

As tentativas de notificação do STF para Mário Frias têm se mostrado infrutíferas. Na última segunda-feira, 18 de março, um oficial de justiça compareceu ao endereço indicado em Brasília, mas foi informado de que o deputado não mora mais lá há cerca de dois anos. Anteriormente, na quarta-feira, 13 de março, uma ligação para o gabinete de Frias na Câmara dos Deputados obteve como resposta que o parlamentar estava em uma missão internacional, sem previsão de retorno.

O Supremo já havia tentado notificar Mário Frias em outras datas, incluindo 31 de março e os dias 7 e 14 de abril. O caso chegou à mais alta corte do país por meio de uma representação formulada pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP), que levantou as suspeitas sobre a destinação das verbas.

O Filme e as Emendas Parlamentares

O cerne da investigação gira em torno do envio de R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil. Esta entidade tem ligação direta com a Go Up Entertainment, a produtora audiovisual responsável pelas gravações do filme “Dark Horse”. A cinebiografia tem como objetivo retratar a vida política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Mário Frias, apontado como produtor-executivo, sustenta que não há irregularidades nas emendas parlamentares destinadas. Ele alega que um parecer da Advocacia da Câmara dos Deputados atesta a ausência de inconsistências ou vícios formais na aplicação dos recursos. Essa defesa busca demonstrar a legalidade dos atos praticados.

Origem da Investigação

A existência do filme “Dark Horse” e seu financiamento vieram à tona após uma reportagem do site The Intercept. A publicação revelou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, teria solicitado dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para custear as gravações. A conversa entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro teria ocorrido em novembro do ano passado.

Após a divulgação dessas conversas, o senador Flávio Bolsonaro negou qualquer combinação de vantagem indevida com o banqueiro. Ele afirmou que os recursos envolvidos eram de origem privada, buscando desvincular a questão de qualquer irregularidade ou uso indevido de verbas públicas. O caso, contudo, segue sob escrutínio do STF, com o deputado Mário Frias no centro das atenções pela dificuldade em ser notificado.

A complexidade da situação e a impossibilidade de localizar Mário Frias para prestar esclarecimentos adicionam uma camada de mistério à investigação. O Campo Grande NEWS acompanha os desdobramentos deste caso que envolve figuras políticas proeminentes e a produção de um filme sobre o ex-presidente. A falta de comunicação efetiva com o deputado pode impactar o andamento da apuração preliminar conduzida pelo ministro Flávio Dino no STF.

A investigação do STF sobre as emendas parlamentares de Mário Frias e sua relação com a cinebiografia de Bolsonaro é um ponto crucial para a transparência na aplicação de recursos públicos. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a dificuldade em notificar o parlamentar levanta questionamentos sobre a agilidade e eficácia dos processos legais em casos de grande repercussão midiática e política. A expectativa é que o STF encontre uma forma de garantir o direito de defesa de Frias, ao mesmo tempo em que avança nas apurações para esclarecer eventuais irregularidades.