A convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo, anunciada na última segunda-feira (18) no Rio de Janeiro, colocou Neymar no centro das atenções. Comentaristas do núcleo de Esportes da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) analisaram a lista do técnico Carlo Ancelotti, discutindo a inclusão do atacante, que não vestia a camisa amarela desde outubro de 2023 e enfrentou diversas lesões ao longo do ciclo. A decisão gerou diferentes opiniões entre os especialistas, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.
Comentaristas da EBC debatem lista da Seleção Brasileira
A presença de Neymar na lista final da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo gerou um amplo debate entre os comentaristas da EBC. Enquanto alguns veem a convocação como uma aposta na experiência e no nome do jogador, outros questionam seu momento atual e o impacto de fatores externos na decisão do técnico Carlo Ancelotti.
A lista final, divulgada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) em suas redes sociais, gerou expectativas e discussões sobre as escolhas do comandante. A inclusão de atletas que se destacaram em ligas estrangeiras e a ausência de outros que brilharam no cenário nacional também foram pontos de análise.
O cenário da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo é de grande expectativa, e as análises dos especialistas da EBC oferecem um panorama detalhado sobre as forças e os pontos de interrogação da equipe. Acompanhe os diferentes pontos de vista sobre as decisões de Ancelotti.
Neymar: Aposta na experiência ou questão de marketing
Para Sergio du Bocage, a escolha por Neymar não chega a ser uma surpresa, mas confirma que o grupo de atletas que irá para o Mundial, apesar de ter boa qualidade, não é formado por protagonistas como o próprio camisa 10 “já foi um dia”, na visão do jornalista. Bocage pondera que, aos 34 anos, o ritmo de Neymar no Santos pode não ser o mesmo exigido por uma Copa do Mundo.
“Aos 34 anos, ele [Neymar] pode estar em um bom ritmo no Santos, mas não sei se no mesmo patamar que uma Copa exige. Como são 26 jogadores [convocados], o Neymar acabou entrando. Talvez, se fossem 23 [como era até 2018], ele não fosse chamado pelo Ancelotti”, avaliou Bocage. Essa perspectiva sugere que o aumento do número de convocados pode ter influenciado a inclusão do jogador.
Em contrapartida, Bruno Mendes e Marcelo Smigol consideraram a convocação de Neymar correta. Mendes destacou o peso da camisa 10 e a importância do jogador no futebol mundial. “Ele veste uma camisa 10 pesada, é um jogador que tem importância no futebol e que é respeitado no mundo do futebol”, ressaltou.
Smigol, por sua vez, admitiu que Neymar não está em sua melhor forma, mas viu a convocação como positiva para que ele tenha a chance de mostrar seu valor. “Apesar de achar que não está jogando uma bola redonda para ser convocado, achei bom ele [Ancelotti] ter chamado [o Neymar], para botá-lo para jogar. Se não chama, é pior. Se perde, iriam dizer: ‘ah, não chamou o Neymar’. Agora que chamou, em algum momento terá que colocá-lo e a gente verá se o Neymar pode ajudar a seleção brasileira”, analisou Smigol.
Rodrigo Ricardo trouxe uma perspectiva diferente, considerando a presença de Neymar uma surpresa e atribuindo a convocação a fatores extracampo, como questões comerciais e pressão de patrocinadores. “Acho que [Neymar] foi mais convocado por questões comerciais, pressão de patrocinadores, pela própria opinião pública. Metade [do público] gostaria que ele fosse e outra metade que não. O Ancelotti não quis entrar nessa bola dividida”, argumentou Ricardo.
Ele também apontou que Neymar não havia sido convocado anteriormente por Ancelotti e que suas atuações recentes pelo Santos não justificariam a chamada. “Ele vai para compor elenco, pela experiência e o nome que ele tem”, concluiu Ricardo.
Rachel Motta também não acredita que Neymar inicie a Copa como titular. Ela projeta que ele atuará como atacante, mas questiona como Ancelotti encaixará Neymar no esquema tático, especialmente considerando a posição de Vinícius Júnior na ponta esquerda. “O Neymar, provavelmente, não será utilizado no meio-campo. Deve jogar como atacante, mas não dá para ele cair pela ponta esquerda, que é a posição do Vinícius Júnior. Então, o grande questionamento é: como será o esquema do Ancelotti com o Neymar?”, projetou.
Surpresas e ausências marcantes na lista de Ancelotti
Além de Neymar, outros nomes na lista de Ancelotti geraram comentários. As convocações do goleiro Weverton e do atacante Rayan foram destacadas. Rodrigo Ricardo considerou a convocação de Rayan uma boa surpresa, dado seu bom desempenho na Premier League em sua primeira temporada na Europa. “O Rayan acho que foi uma boa surpresa, porque ele está fazendo uma grande Premier League e logo em sua primeira temporada na Europa. Está em um momento ascendente”, afirmou.
Rachel Motta explicou a convocação de Weverton pelas falhas recentes de Bento e Hugo Souza em suas atuações. “O Weverton, com certeza, ganhou a vaga por conta das falhas do Bento [goleiro do Al-Nassr, da Arábia Saudita, ex-Athletico-PR] e do Hugo Souza [Corinthians] nas últimas atuações pelos clubes. São falhas que, quando você pensa em um jogador de nível de seleção brasileira, nível mundial, não poderiam acontecer”, analisou.
Bruno Mendes elogiou a performance de Rayan na Premier League e a convocação de Weverton, considerando que Alisson está lesionado e Ederson em uma temporada irregular. Mendes também elogiou a inclusão do zagueiro Léo Pereira, do Flamengo. “O Rayan está mantendo um bom nível de futebol, mesmo na Premier League. E o Weverton, para mim, poderia ser titular, com Alisson [do Liverpool, da Inglaterra] machucado [recupera-se de uma lesão muscular na coxa direita] e Ederson [do Fenerbahçe, da Turquia] em uma temporada irregular”, completou.
A presença de Lucas Paquetá dividiu opiniões. Rodrigo Ricardo questionou sua convocação, pois ele não vinha jogando bem e não havia sido lembrado por Ancelotti anteriormente. “[Paquetá] É outro que não vinha jogando tão bem, caiu de nível e não tinha sido lembrado pelo Ancelotti nas últimas convocações”, avaliou.
Em contraste, Bocage defendeu Paquetá, afirmando que ele ganhou a posição de Andrey Santos, que caiu de rendimento, enquanto Paquetá tem jogado bem no Flamengo. Rachel Motta considerou Paquetá uma ótima opção, ressaltando sua experiência no futebol europeu e sua capacidade de criação, mesmo que seja reserva. “[Paquetá] É uma ótima opção. Ele é um jogador com experiência no futebol europeu, que conhece o elenco, conhece o cenário de pressão. A gente sabe que o Paquetá será banco, mas é uma excelente opção de criação”, elaborou.
Pedro e João Pedro, ausências sentidas
Entre os jogadores que não foram lembrados, a ausência de Pedro, artilheiro do Campeonato Brasileiro, foi a que mais chamou atenção dos analistas da EBC. Bocage acredita que Ancelotti deu preferência a Igor Thiago, possivelmente por sua adaptação ao futebol europeu. “O Pedro ficou fora porque o Ancelotti deu preferência ao Igor Thiago [atacante do Brentford, da Inglaterra]. Acredito que ele tenha considerado que quem joga na Premier League está mais acostumado a esse futebol que se pratica na Europa. Eu lamento a ausência do Pedro, que já esteve em uma Copa, mas é opção do Ancelotti”, comentou.
Rodrigo Ricardo também lamentou a ausência de Pedro, sugerindo que ele poderia ser útil pelo momento e pela falta de um centroavante de referência. “Acho que o Pedro, pelo momento e por não termos um jogador de referência, talvez pudesse ser usado. Mas listas sempre agradam e desagradam”, disse.
Bruno Mendes resumiu o sentimento geral ao afirmar que, apesar das escolhas de Ancelotti, as ausências de Pedro e João Pedro são sentidas. “Evidentemente que o Ancelotti tem que fazer opções, mas o Pedro e o João Pedro [atacante do Chelsea] são ausências sentidas”, resumiu.
Brasil busca o hexa com boas chances, segundo comentaristas
Apesar das discussões e das escolhas pontuais, os comentaristas da EBC acreditam que o Brasil tem condições de buscar o título da Copa do Mundo nos Estados Unidos, México e Canadá. Marcelo Smigol confia nas decisões de Ancelotti e na necessidade de o país conquistar mais um título. “Achei que a convocação foi boa. Ninguém sabe melhor que o Ancelotti quem ele vai usar e de quem ele precisa para ganhar a Copa. O que a gente precisa, agora, é torcer pela seleção que vai representar nosso país. Precisamos muito ganhar uma Copa”, projetou.
Rodrigo Ricardo concluiu que, embora não seja uma seleção espetacular, o Brasil possui um bom material humano e pode fazer um bom papel, com chances de conquistar o hexacampeonato. “O Ancelotti tem bom material humano. Não é uma seleção espetacular, mas pode fazer bom papel e, se der sorte e tudo se encaixar, trazer o hexa sonhado”, finalizou.


