Soldado da PM e comparsa presos com 650 celulares Xiaomi sem nota fiscal

Um soldado da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, identificado como Jonathan de Jesus Andrade, e seu comparsa, Wagner de Oliveira Sutel, foram presos em flagrante pela Polícia Federal na madrugada desta quarta-feira (19). A ação ocorreu na região de Sanga Puitã, distrito de Ponta Porã, a aproximadamente 320 quilômetros de Campo Grande, onde transportavam uma carga expressiva de 652 celulares da marca Xiaomi, todos sem nota fiscal.

A prisão aconteceu durante uma abordagem de rotina da PF, que estava focada em fiscalizar rotas frequentemente utilizadas para o transporte de produtos ilícitos, como drogas, armas e mercadorias de descaminho e contrabando. Conforme informações apuradas pelo Campo Grande NEWS, os policiais federais, ao retornarem para a delegacia, receberam uma denúncia de que alguns veículos estariam aguardando o fim das fiscalizações em um posto de combustível do lado paraguaio da fronteira para cruzar sem serem pegos.

Diante da informação, as viaturas retornaram à BR-463 e abordaram dois carros que trafegavam juntos em sentido a Dourados. Jonathan de Jesus Andrade conduzia um Volkswagen Gol, onde foram encontrados 349 aparelhos celulares. Já Wagner de Oliveira Sutel dirigia um Chevrolet Corsa, com outros 303 celulares. Ambos admitiram que estavam juntos e que a carga, adquirida no Paraguai, seria entregue em Dourados a mando de um cidadão paraguaio.

O destino final dos aparelhos era Dourados, onde os condutores aguardariam instruções sobre o local exato da entrega. Eles relataram que receberiam uma quantia em dinheiro pelo transporte. A carga estava acondicionada em grandes caixas de papelão, distribuídas tanto nos porta-malas quanto sobre os bancos traseiros dos veículos, demonstrando a dimensão do contrabando.

Celulares sem comprovação de origem

A ausência de documentação fiscal e aduaneira que comprovasse a regular importação e circulação dos produtos no Brasil foi um dos pontos cruciais para a autuação. A Polícia Federal apreendeu todos os 652 celulares Xiaomi, que, segundo os envolvidos, foram comprados nas proximidades da linha da fronteira com o Paraguai. O valor estimado da carga, considerando o preço médio dos aparelhos, pode ultrapassar centenas de milhares de reais.

Além dos celulares, com o soldado Jonathan de Jesus Andrade foram encontrados R$ 6.850 em espécie. Um detalhe que chamou a atenção foi a localização de uma arma que, de acordo com as informações apuradas, apresentava o brasão institucional da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul. Este fato levanta sérias questões sobre a conduta do policial envolvido.

Polícia Militar se manifesta sobre o caso

A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, em nota oficial, informou que o crime será apurado pelos órgãos competentes. A corporação declarou ainda que já foram adotadas medidas administrativas contra o militar preso. “Ressaltamos que a PMMS não coaduna com qualquer comportamento individual inadequado por parte de seus integrantes”, afirmou a nota, buscando dissociar a instituição do ato isolado do policial.

Tanto os veículos apreendidos quanto a carga de celulares e os dois homens foram encaminhados para a Delegacia de Polícia Federal em Ponta Porã, onde permanecerão à disposição da justiça para as providências cabíveis. A investigação deve aprofundar sobre a origem exata dos celulares e a participação de outros indivíduos no esquema de contrabando, incluindo o suposto mandante paraguaio.

O caso ressalta a constante atuação da Polícia Federal no combate ao crime transfronteiriço e a importância das fiscalizações em rotas estratégicas. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a região de Ponta Porã é conhecida por ser um corredor de passagem para mercadorias contrabandeadas, o que exige vigilância contínua das autoridades. A força policial reafirma seu compromisso em coibir essas práticas ilegais que prejudicam a economia e a segurança do país.

A notícia sobre a prisão do policial militar e seu comparsa com uma grande quantidade de celulares sem nota fiscal repercutiu na região. O Campo Grande NEWS continua acompanhando o desenrolar das investigações e trará novas informações assim que forem divulgadas pelas autoridades. A sociedade espera que a justiça seja feita e que os responsáveis sejam devidamente punidos, servindo de exemplo para inibir futuras ações criminosas como esta, que envolvem a quebra de confiança em agentes públicos. O caso também expõe a fragilidade dos controles de fronteira e a audácia de criminosos que se valem de posições de poder para facilitar atividades ilícitas.