Salários em MS: Judiciário e MP no topo, artistas e corretores na base

Salários em MS: Judiciário e MP no topo, artistas e corretores na base

Em Mato Grosso do Sul, assim como em grande parte do Brasil, as carreiras ligadas ao Poder Judiciário, Ministério Público e Tribunais de Contas despontam com os maiores rendimentos médios. Em contrapartida, profissões como a de artista popular e corretor de imóveis figuram na base da pirâmide salarial. Essa disparidade foi evidenciada por um levantamento da Receita Federal, que analisou os dados do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) de 2025.

O estudo, intitulado “Grandes Números do IRPF 2025”, aponta que em Mato Grosso do Sul, membros do Judiciário e de Tribunais de Contas alcançam uma média salarial de R$ 40.445,44. Logo em seguida, aparecem os membros do Ministério Público, com uma média de R$ 39.403,21. Na outra extremidade da lista, corretores de imóveis recebem, em média, R$ 1.075,01, e artistas populares, R$ 1.148,28. Essa realidade salarial se repete em 26 dos 27 estados brasileiros, com a única exceção sendo Sergipe, onde titulares de cartório lideram a renda média.

O levantamento da Receita Federal considera não apenas os salários base, mas também bônus, gratificações, indenizações e outras verbas adicionais. Essa inclusão de diferentes tipos de rendimentos ajuda a explicar os altos valores registrados em carreiras do serviço público, especialmente nos setores jurídico e de fiscalização. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a análise detalhada dos rendimentos revela a complexidade da remuneração no país.

O topo da pirâmide salarial em Mato Grosso do Sul

De acordo com os dados da Receita Federal, as profissões com os maiores rendimentos médios em Mato Grosso do Sul são:

Membros do Poder Judiciário e de Tribunal de Contas, com uma média de R$ 40.445,44, lideram o ranking. Em seguida, figuram os membros do Ministério Público (procuradores e promotores), com R$ 39.403,21. Servidores das carreiras de auditoria fiscal e de fiscalização recebem, em média, R$ 28.959,85. Advogados do setor público, procuradorias e consultoria jurídica aparecem com R$ 28.803,88. Médicos têm uma média de R$ 18.733,40, enquanto servidores das carreiras do Poder Judiciário recebem R$ 15.830,00.

Professores do ensino superior apresentam uma média salarial de R$ 15.242,65. Servidores das carreiras do Banco Central, CVM e Susep ganham R$ 14.914,20. Delegados de polícia e carreiras policiais civis registram uma média de R$ 14.508,17, e servidores das carreiras do Ministério Público completam o grupo com R$ 13.834,06.

A base da pirâmide salarial em Mato Grosso do Sul

Na outra ponta da escala salarial, diversas ocupações apresentam rendimentos significativamente mais baixos. Artistas e diretores de espetáculos recebem, em média, R$ 2.206,86. Cenógrafos e decoradores de interiores têm uma média de R$ 2.185,95. Produtores de espetáculos aparecem com R$ 2.172,25.

Pescadores, caçadores e extrativistas florestais registram uma média de R$ 1.837,04. Cantores e compositores ganham R$ 1.734,73, enquanto produtores na exploração agropecuária recebem R$ 1.718,49. Decoradores e vitrinistas têm uma média de R$ 1.432,30.

Trabalhadores de serviços de embelezamento e cuidados pessoais recebem R$ 1.148,28. Administradores de imóveis apresentam uma média de R$ 1.075,01. Fechando a lista das ocupações com menores rendimentos médios, apresentadores, artistas populares e modelos ganham R$ 1.010,89.

A disparidade salarial e o debate nacional

A diferença entre os maiores e menores rendimentos médios em Mato Grosso do Sul chega a ser de 38 vezes, evidenciando uma profunda desigualdade. Essa disparidade se alinha a um debate nacional sobre os chamados “penduricalhos” salariais, que ganhou força após decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). O STF buscou impor limites a indenizações e adicionais no Judiciário, além de reforçar regras de transparência nos contracheques.

O crescimento desses pagamentos adicionais tem um impacto direto no aumento dos gastos públicos com remuneração, muitas vezes ultrapassando o teto constitucional. O levantamento do Campo Grande NEWS sobre a realidade salarial do estado reforça a importância de se discutir a equidade na distribuição de renda e a gestão dos recursos públicos.

O cenário em Mato Grosso do Sul reflete a tendência nacional, onde carreiras de Estado e do setor jurídico concentram as maiores rendas médias, enquanto ocupações em serviços e atividades informais permanecem na base da pirâmide. O fato de esse padrão se repetir em quase todos os estados brasileiros, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, sugere a necessidade de políticas públicas mais abrangentes para mitigar essas disparidades salariais.

A análise detalhada dos dados da Receita Federal, como destacada pelo Campo Grande NEWS, permite um entendimento mais aprofundado sobre a estrutura de remuneração no país e a importância de se buscar um equilíbrio cada vez maior entre as diferentes profissões e setores da economia, garantindo assim um desenvolvimento mais justo e equitativo para todos os cidadãos.