A Sabesp, recém-privatizada gigante do saneamento de São Paulo, deu um passo concreto em direção a uma aquisição intermunicipal de grande porte. A empresa contratou o banco Bradesco para estruturar uma potencial oferta de mais de R$ 10 bilhões pela Copasa, a companhia de saneamento de Minas Gerais. Esta movimentação sinaliza uma estratégia agressiva de expansão e intensifica a disputa pelo controle da Copasa, com a Aegea Saneamento, apoiada por fundos robustos, também avaliando uma proposta concorrente.
A decisão da Sabesp em buscar a Copasa eleva a privatização da empresa mineira de um patamar de especulação corporativa para uma concreta guerra de lances. A notícia, divulgada inicialmente pelo Bloomberg e repercutida pelo The Rio Times, indica que a Sabesp está focada em consolidar sua posição no setor, que passa por um intenso processo de reestruturação sob o novo marco regulatório de saneamento de 2020.
Sabesp avança em aquisição bilionária da Copasa
A contratação do Bradesco pela Sabesp para assessorar na potencial aquisição da Copasa marca uma fase decisiva no processo. A ação demonstra a intenção de crescimento inorgânico da companhia paulista, que busca expandir suas operações para além de seu estado de origem. O setor de saneamento no Brasil tem visto uma onda de consolidação, impulsionada pela necessidade de investimentos massivos para universalizar o acesso à água tratada e coleta/tratamento de esgoto.
A Copasa, com uma capitalização de mercado de aproximadamente R$ 19,6 bilhões, representa um ativo estratégico de grande valor. O estado de Minas Gerais, que detém 50,03% das ações, tem a expectativa de levantar mais de R$ 10 bilhões com a venda, conforme o modelo de privatização estabelecido. A estrutura da oferta permite que um investidor de referência adquira uma participação significativa, com possibilidade de aumento posterior, visando garantir a eficiência e a gestão do novo controlador.
Conforme o Campo Grande NEWS checou, a Copasa publicou recentemente um manual para a fase preliminar de seleção do investidor de referência, com a privatização completa prevista para a segunda metade de 2026. A renovação do contrato de concessão de Belo Horizonte, que representa cerca de 40% da receita da Copasa, removeu um risco significativo e destravou o calendário de leilões. Essa renovação é crucial para a avaliação do ativo e para atrair os maiores lances.
Aegea Saneamento entra na disputa pela Copasa
A concorrência pela Copasa promete ser acirrada. A Aegea Saneamento, que já é a maior operadora privada de saneamento no Brasil e conta com o apoio financeiro do fundo soberano de Singapura, GIC, e do braço de investimentos do grupo Itaú, a Itaúsa, também está avaliando uma oferta. A presença da Aegea no páreo eleva o nível da disputa, colocando frente a frente os dois maiores operadores de água do país pelo controle da estatal mineira.
Analistas do setor apontam que a movimentação da Sabesp faz sentido estratégico. Após sua própria privatização em 2024, com a Equatorial Energia como investidor de referência, o CEO da Sabesp, Carlos Piani, tem expressado um forte apetite por oportunidades de crescimento inorgânico. Piani já declarou em teleconferências recentes que a empresa busca “grandes negócios”, onde “tamanho importa”.
O balanço financeiro da Sabesp suporta uma aquisição de grande porte. A empresa apresenta um baixo índice de alavancagem, o que lhe confere margem para assumir dívidas e financiar a operação. Além disso, a Sabesp antecipou metas de universalização de serviços para 2026, demonstrando disciplina operacional e capacidade de gestão, fatores que podem pesar a seu favor na negociação com o governo de Minas Gerais.
Impacto na consolidação do saneamento brasileiro
A disputa entre Sabesp e Aegea pela Copasa é vista como um teste crucial para o sucesso do marco regulatório de saneamento de 2020 e para o cumprimento da meta de universalização até 2033. O déficit de investimento no setor no Brasil é estimado em R$ 700 bilhões, e transações de grande porte como a da Copasa são fundamentais para atrair o capital privado necessário.
O edital final do leilão da Copasa é esperado para o segundo trimestre, e a fase de ofertas vinculantes definirá se a Sabesp ou a Aegea estará em melhor posição para liderar a próxima etapa da consolidação do saneamento brasileiro. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, os licitantes têm solicitado ao governo de Minas Gerais a inclusão de uma cláusula de “direito de igualar a oferta”, que permitiria aos investidores estratégicos igualar preços de mercado na segunda fase da oferta. Essa cláusula visa evitar críticas semelhantes às da privatização da Sabesp em 2024, onde a venda de ações adicionais a um preço fixo, mesmo com a valorização do mercado, gerou controvérsia.
Uma eventual fusão das operações da Sabesp e da Copasa criaria a maior companhia de saneamento do Brasil, unindo duas das maiores empresas do setor no Sudeste. Essa consolidação pode servir de modelo para outras privatizações estaduais, impulsionando o cumprimento das metas de universalização e atraindo investimentos para um setor vital para a saúde pública e o desenvolvimento socioeconômico do país. A expectativa é que o resultado deste leilão defina os próximos passos para a atração de capital em larga escala para o saneamento.
A complexidade da operação, envolvendo cifras bilionárias e a participação de grandes players do mercado, destaca a importância estratégica da Copasa. A decisão final sobre quem adquirirá a companhia mineira terá repercussões significativas para o futuro do setor de saneamento no Brasil. O Campo Grande NEWS continuará acompanhando de perto os desdobramentos deste processo, que pode redefinir o cenário do saneamento em nível nacional.


