Romi: Lucro Salta Seis Vezes, Mas Queda Anual Persiste Em Meio a Juros Altos
A Indústrias Romi, centenária fabricante de máquinas industriais e que tradicionalmente dá o pontapé inicial na temporada de divulgação de resultados no Brasil, apresentou um lucro líquido de R$ 13,9 milhões no segundo trimestre de 2026. Embora represente uma queda de 15% em relação ao mesmo período do ano anterior, o resultado é um salto expressivo de quase seis vezes em comparação com o primeiro trimestre, impulsionado pela recuperação nas vendas de máquinas. Conforme informação divulgada pela empresa em 14 de julho, esse desempenho, apesar de ainda refletir um cenário desafiador, acende um sinal de otimismo em meio a uma trajetória de queda de lucros nos últimos cinco anos.
A empresa, que opera há 96 anos, viu seu lucro anual cair de R$ 215 milhões em 2022 para R$ 85 milhões em 2025. Essa retração é atribuída diretamente às elevadas taxas de juros no Brasil, a Selic, que estrangularam a demanda por bens de capital. A Romi, como líder no setor de máquinas-ferramenta na América Latina, é vista como um termômetro puro do impacto da política monetária restritiva na indústria nacional. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a sensibilidade da Romi aos juros é um fator determinante para seu desempenho, pois seus clientes, como fabricantes de autopeças e equipamentos para agronegócio, só realizam investimentos quando há uma perspectiva sólida de demanda futura.
No entanto, o balanço mais recente traz um alento. A recuperação sequencial nas vendas de máquinas no segundo trimestre de 2026 é vista como um indicativo de que os compradores industriais podem estar começando a se posicionar para um ciclo de corte de juros no Brasil. Essa recuperação, embora ainda inicial, é o principal ponto de atenção para investidores e analistas, que buscam confirmação de uma retomada mais robusta. A empresa, com sede em Santa Bárbara d’Oeste, São Paulo, tem uma trajetória sólida, produzindo desde 1930 tornos, centros de usinagem e máquinas injetoras de plástico, além de peças fundidas.
O Cenário de Queda e a Resiliência da Companhia
A trajetória de queda nos lucros anuais da Romi desde 2022 reflete um período de forte contração na indústria brasileira, diretamente impactada pela taxa básica de juros, a Selic, que permaneceu em patamares elevados. A empresa, que tradicionalmente abre a temporada de balanços, viu suas receitas e lucros minguarem à medida que o investimento em bens de capital se tornou menos atrativo para as empresas. Em 2022, o lucro anual foi de R$ 215 milhões, caindo para R$ 164 milhões em 2023, R$ 114 milhões em 2024 e R$ 85 milhões em 2025. Essa sequência de resultados negativos, conforme o Campo Grande NEWS apurou, é um reflexo direto do ambiente macroeconômico adverso.
Apesar do cenário adverso, a gestão da Romi manteve uma estratégia focada em proteger o investimento em tecnologia e preservar o conhecimento técnico de sua força de trabalho. A empresa utilizou seu robusto balanço para absorver os impactos do ciclo econômico, sem comprometer sua capacidade produtiva e inovadora. A família fundadora, que detém cerca de 46% das ações, demonstra confiança na longevidade do negócio, mesmo em seus piores ciclos. A divulgação antecipada dos resultados, tradição da empresa, é vista por muitos como um sinal de confiança em meio à turbulência.
A Aposta em um Ciclo de Cortes de Juros
O ponto central para uma eventual virada na Romi reside na expectativa de um ciclo de cortes na taxa Selic. As máquinas-ferramenta são consideradas um dos indicadores mais honestos da saúde econômica, pois sua aquisição depende de uma visão otimista sobre a demanda futura. Com a inflação sob controle, o mercado antecipa que o Banco Central iniciará um ciclo de redução dos juros, o que, por sua vez, deve estimular o investimento industrial. A recuperação sequencial observada no segundo trimestre de 2026 pode ser o prenúncio dessa retomada, embora um único trimestre não estabeleça uma tendência definitiva. Conforme o Campo Grande NEWS analisou, a queda dos juros é o principal catalisador para a volta dos pedidos na Romi.
O valor das ações da Romi, negociadas próximas às mínimas de 52 semanas, reflete o pessimismo do mercado. Os papéis eram negociados a R$ 6,10, com um múltiplo preço/lucro de 7,5 vezes e preço/valor patrimonial de 0,45. Isso significa que o mercado está avaliando a empresa por menos da metade de seu valor patrimonial, com uma dívida líquida de R$ 197 milhões frente a um patrimônio de R$ 1,2 bilhão. Essa combinação de solidez financeira e desvalorização extrema atrai investidores de valor, que apostam na recuperação futura. A liquidez, no entanto, é um ponto de atenção, com um capital de mercado de R$ 568 milhões e um float restrito.
Indicadores e Próximos Passos
A divulgação do resultado do segundo trimestre de 2026 pela Romi, em 14 de julho, serviu como o tradicional “tiro de partida” para a temporada de balanços no Brasil. O mercado agora aguarda os resultados de outras empresas do setor, como a WEG, que divulga seus números em 22 de julho, para confirmar ou refutar o sinal emitido pela Romi. A evolução do pedido de máquinas e a continuidade da recuperação sequencial no terceiro trimestre de 2026, a serem divulgados em outubro, serão cruciais para determinar se a empresa está realmente entrando em um novo ciclo de crescimento.
A concorrência de importados, especialmente da China, no segmento mais básico de máquinas-ferramenta, também representa um desafio para a Romi, pressionando os preços. Além disso, a complacência do mercado com small caps pode persistir mesmo após uma melhora nos fundamentos. A aposta é que a queda dos juros seja o gatilho que reative a demanda e, consequentemente, os lucros da empresa. A Romi, como um dos últimos setores a sentir o impacto da desaceleração e, portanto, um dos últimos a se recuperar, pode ser a prova definitiva de que a indústria brasileira finalmente acredita no ciclo de afrouxamento monetário.
O Que Observar no Futuro
Os investidores estarão atentos aos próximos números de entrada de pedidos, que são um indicador antecipado da receita futura. A velocidade e a magnitude dos cortes na taxa Selic serão determinantes para reajustar a matemática de investimentos industriais. Acompanhar o terceiro trimestre de 2026, a ser divulgado em outubro, será fundamental para verificar se a recuperação sequencial se consolida. A confirmação desse cenário por outras companhias do setor de bens de capital, como a WEG, dará maior robustez ao sinal emitido pela Romi. A resiliência da empresa, mesmo em seu pior ciclo em uma década, demonstra sua capacidade de adaptação e sua posição de liderança no mercado.
Se as taxas de juros permanecerem elevadas, a seca de pedidos pode se estender, levando o declínio de lucros para o quinto ano consecutivo. A baixa liquidez das ações, com a família fundadora detendo uma participação significativa, pode exacerbar as oscilações de preço. No entanto, o cenário de valorização atual, com ações negociadas abaixo do valor patrimonial e baixo endividamento, apresenta uma oportunidade para investidores com visão de longo prazo, que apostam na capacidade da Romi de se beneficiar da retomada econômica e da queda dos juros no Brasil. A empresa representa um termômetro puro do impacto da política monetária na atividade industrial.


