Virada de Lula na capital fluminense
O resultado das eleições presidenciais na cidade do Rio de Janeiro revelou uma profunda divisão geográfica no voto do carioca. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguiu uma virada sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, vencendo na capital com 51,54% dos votos válidos contra 48,46% do adversário.
Essa reviravolta, que superou uma desvantagem de quase 138 mil votos do primeiro turno, foi impulsionada por vitórias expressivas em bairros tradicionais da Zona Sul e da área central. Em contrapartida, Flávio Bolsonaro manteve e ampliou sua hegemonia na Zona Oeste, incluindo em bairros populosos como Campo Grande e Santa Cruz.
A análise detalhada por zona eleitoral mostra como cada região da cidade se comportou, pintando um retrato claro das diferentes realidades políticas que convivem na capital fluminense. Os dados refletem um cenário de polarização que se materializou no mapa de votação da cidade.
Zona Sul e Centro: a base da vitória de Lula
A força de Lula no Rio de Janeiro esteve concentrada em bairros de maior renda e na região central. Na Zona Sul, o presidente obteve suas vitórias mais expressivas. Na 16ª Zona Eleitoral, que inclui bairros como Laranjeiras, Catete, Cosme Velho e Santa Teresa, ele alcançou impressionantes 69,98% dos votos.
Em Botafogo, Flamengo e Urca (4ª Zona Eleitoral), Lula conquistou 65,36% dos votos. A tendência se repetiu em áreas icônicas como Leblon, Copacabana e Ipanema, onde o petista marcou 56,83%.
A região central também foi um pilar importante para a virada. Nos bairros do Centro, Caju, Gamboa e São Cristóvão, Lula obteve 64,01% dos votos válidos, mostrando uma forte adesão ao seu nome nessas localidades.
Zona Oeste: o domínio de Flávio Bolsonaro
Se a Zona Sul foi de Lula, a Zona Oeste se mostrou um território amplamente favorável a Flávio Bolsonaro. O senador teve seu melhor desempenho proporcional na 9ª Zona Eleitoral, que engloba parte da Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e Vargem Grande, onde somou 60,24% dos votos.
Essa vantagem se estendeu por toda a região, especialmente em Campo Grande, um conhecido reduto bolsonarista. Conforme o Campo Grande NEWS checou, Flávio venceu com folga nas quatro zonas eleitorais que cobrem o bairro, um dos mais populosos da cidade.
Os números de Campo Grande são claros. Na 246ª Zona Eleitoral, por exemplo, Flávio teve 48.149 votos contra 36.685 de Lula. A análise dos dados, como apurado pelo Campo Grande NEWS, confirma a força do bolsonarismo na região, que se manteve sólida entre o primeiro e o segundo turno.
As exceções que confirmam a regra
Apesar do domínio de Flávio Bolsonaro na Zona Oeste e Sudoeste, houve uma notável exceção. Na 179ª Zona Eleitoral, que abrange bairros como Cidade de Deus, Rio das Pedras e Anil, Lula foi o mais votado, com 56,21% dos votos.
Essa área, que inclui comunidades de grande densidade populacional, destoou do padrão da região e contribuiu com votos importantes para a vitória final do presidente na capital. A performance de Lula nesta zona eleitoral específica mostra a complexidade do cenário político carioca.
A divisão no mapa eleitoral do Rio, com uma Zona Sul progressista e uma Zona Oeste conservadora, reflete um debate político que transcende as eleições. A apuração detalhada, como verificado pelo Campo Grande NEWS, oferece um panorama fundamental para entender as diferentes forças que moldam o futuro da cidade.


