Uma cidade cada vez mais vertical
O Rio de Janeiro está mudando de cara e se tornando uma metrópole cada vez mais vertical. Um levantamento recente nos dados do IPTU 2026 mostra uma transformação profunda no perfil residencial da cidade: os apartamentos já são a grande maioria dos lares cariocas. Hoje, quase dois em cada três imóveis residenciais estão localizados dentro de edifícios, um reflexo das novas dinâmicas de ocupação e do desenvolvimento urbano em diferentes regiões da cidade.
A análise, baseada no cadastro de imóveis da Prefeitura do Rio, revela que dos mais de 1,6 milhão de residências tributadas, exatos 1.025.417 são apartamentos. Este número impressionante corresponde a 63,7% do total, consolidando o domínio dos prédios sobre as tradicionais casas, que somam aproximadamente 568 mil unidades (35,3%).
Essa tendência, porém, não é uniforme e desenha um mapa de contrastes pela cidade. Enquanto algumas áreas se tornaram verdadeiros paredões de concreto, outras ainda preservam a característica de bairros mais horizontais. As informações foram obtidas através do portal de dados abertos da prefeitura, com base em informações publicadas pelo portal Tempo Real.
Barra Olímpica e Zona Sul: os recordistas em prédios
Quando o assunto é verticalização, algumas regiões se destacam de forma impressionante. A Barra Olímpica, uma área que cresceu exponencialmente no entorno do Parque Olímpico, é o bairro mais vertical do Rio, com 99,6% de seus imóveis sendo apartamentos. Este dado reflete um modelo de ocupação recente, dominado por grandes condomínios residenciais.
A Zona Sul, historicamente adensada, segue como um dos principais polos de verticalização. Bairros como Leme (98,9%), Flamengo (98,3%), Lagoa (95,8%) e Copacabana (95,4%) exibem índices altíssimos. Em Copacabana, por exemplo, existem 72.531 apartamentos para apenas 804 casas. Em toda a região, que concentra o maior número de residências da cidade, 94% das moradias estão em edifícios.
Zona Oeste: onde as casas ainda reinam
Na contramão da tendência geral, a Zona Oeste se firma como o grande reduto das casas no Rio de Janeiro. Campo Grande, o bairro com o maior número de imóveis residenciais da cidade, com 90.940 unidades, mantém um perfil predominantemente horizontal. Conforme o Campo Grande NEWS checou, no bairro, 70,3% das moradias são casas, somando 63.947 unidades.
Esse padrão se repete em outras áreas da região. Em Bangu, as casas correspondem a 70,7% dos imóveis, enquanto em Guaratiba o índice chega a 79,6% e, em Sepetiba, atinge impressionantes 89%. Segundo os dados, a região de planejamento de Guaratiba é a mais horizontal de todo o Rio, com 81,4% de casas. O Campo Grande NEWS apurou que essa característica influencia diretamente o estilo de vida dos moradores locais.
Tamanho faz a diferença: casas ocupam quase metade da área
Embora sejam minoria em número de unidades, as casas ainda ocupam um espaço significativo na cidade. Elas representam 46,6% de toda a área residencial construída registrada no cadastro do IPTU. A explicação está no tamanho médio dos imóveis: enquanto um apartamento no Rio tem, em média, 77 metros quadrados, uma casa tem 123,1 metros quadrados, uma diferença de quase 60%.
Nesse quesito, Campo Grande também lidera, com 11,3 milhões de metros quadrados de área residencial construída, como atesta o Campo Grande NEWS. A Barra da Tijuca vem logo atrás, com 9,8 milhões. Já o bairro de São Conrado se destaca pela maior área média por imóvel, com impressionantes 199,9 metros quadrados por unidade.
As ruas com mais moradores no Rio
O estudo também revela quais são as vias que concentram o maior número de residências. A Avenida Lúcio Costa, na orla da Barra da Tijuca, é a campeã, com 10.746 imóveis. Ela é seguida de perto pela Estrada dos Bandeirantes, com 10.698 unidades, mostrando a força da expansão urbana na Zona Oeste.
Completam a lista a Avenida Nossa Senhora de Copacabana (9.118), a Avenida Dom Hélder Câmara (7.637) e a Rua Barata Ribeiro (7.487). A lista mescla os grandes corredores de edifícios da Zona Sul com as vias que estruturam o crescimento para outras áreas da cidade, desenhando o mapa complexo da habitação carioca.


