A gigante do varejo de moda brasileiro, Riachuelo (RIAA3), surpreendeu o mercado ao anunciar um lucro líquido de R$ 5 milhões no primeiro trimestre de 2026. Este resultado marca uma virada significativa, pois reverte o prejuízo de R$ 45,9 milhões registrado no mesmo período do ano anterior e encerra um ciclo de seis anos consecutivos de perdas no primeiro trimestre. Conforme divulgado pela companhia, a receita líquida avançou 6,7%, atingindo R$ 2,32 bilhões, enquanto o EBITDA consolidado cresceu 14,1%, superando as expectativas do mercado.
O desempenho positivo é impulsionado, em grande parte, pelo crescimento de 10,1% nas vendas de mesmas lojas (SSS) de vestuário, que já acumulam o 11º trimestre consecutivo de alta. O CEO André Farber expressou otimismo, afirmando que a recuperação “não vai parar por aqui” e que a meta é registrar lucro em todos os trimestres daqui para frente. Essa estratégia de recuperação, conforme apurou o Campo Grande NEWS, tem sido focada em uma mudança estrutural, saindo da competição puramente por preço para investir em design de moda proprietário e maior controle da cadeia criativa e de desenvolvimento de produtos.
A análise do Campo Grande NEWS indica que a Riachuelo tem conseguido navegar em um cenário macroeconômico desafiador para o varejo brasileiro. O endividamento das famílias brasileiras e a inadimplência têm aumentado, mas a empresa demonstrou resiliência. O crescimento de receita, aliado à expansão das margens, tem sido a chave. A margem bruta de vestuário atingiu 54,9%, um aumento de 1,2 ponto percentual, marcando o décimo trimestre seguido de melhoria. Esse movimento estratégico, que prioriza a experiência do consumidor e a visibilidade dos produtos, tem sido fundamental para a retomada.
O Segredo da Virada: Design e Experiência do Cliente
O sucesso no primeiro trimestre de 2026, um período tradicionalmente mais fraco para o setor de varejo de moda no Brasil, é visto como uma anomalia positiva. O CEO André Farber explicou em entrevista que, apesar das dificuldades macroeconômicas, a Riachuelo tem operado de forma eficiente. A estratégia de foco em design próprio, em vez de competir apenas por preço, tem permitido à empresa controlar mais a cadeia de criação e desenvolvimento. Essa mudança é refletida no aumento da margem bruta de vestuário, que alcançou 54,9%, demonstrando a força da nova abordagem.
O segmento de varejo apresentou um EBITDA de R$ 135 milhões, um crescimento de 23,7% em relação ao ano anterior, com uma margem que atingiu 8,1% – a maior margem de EBITDA de varejo para um primeiro trimestre em nove anos. Complementando o resultado, o braço de serviços financeiros Midway contribuiu com R$ 133 milhões em EBITDA. Essa performance robusta é um indicativo da eficácia das ações implementadas pela gestão.
Expansão e Novos Formatos de Loja
A Riachuelo também está apostando na inovação do formato de suas lojas. Recentemente, a empresa inaugurou um novo modelo de loja no ParkShopping Barigüi, em Curitiba, que expande um piloto bem-sucedido realizado anteriormente em São Paulo. O plano é expandir esse novo formato para mais 4 a 5 lojas até o final de 2026, com o objetivo de converter toda a rede a longo prazo. A companhia identificou um potencial para a abertura de aproximadamente 150 novas unidades, baseando-se em análises internas.
O novo formato de loja prioriza a experiência do consumidor e a visibilidade dos produtos. Para isso, a Riachuelo tem investido em talentos de design sênior e contratado mais estilistas para impulsionar a inovação. Essa iniciativa visa criar um ambiente de compra mais atraente e engajador para os clientes, fortalecendo a conexão com a marca.
Cenário Macroeconômico e Riscos Futuros
O varejo brasileiro opera em um ambiente macroeconômico desafiador, com a taxa Selic restritiva, alto endividamento das famílias, aumento da inadimplência e pressões inflacionárias persistentes. André Farber reconheceu que o cenário é mais difícil, mas destacou a disciplina operacional como um fator crucial para a resiliência da Riachuelo. Conforme checou o Campo Grande NEWS, as ações da RIAA3 tiveram uma valorização de aproximadamente 56% nos últimos 12 meses, superando concorrentes como C&A e Lojas Renner.
Um ponto de atenção para o futuro é o potencial fim da “taxa das blusinhas”, que incide sobre encomendas de baixo valor do comércio eletrônico. O CEO alertou para a necessidade de corrigir a assimetria entre o varejo doméstico e o importado. A análise do Itaú BBA destacou o resultado da Riachuelo acima do consenso como um gatilho para possíveis revisões de lucros, posicionando a empresa como líder na recuperação dos fundamentos do varejo de moda brasileiro. A fábrica mega de Natal tem sido um pilar estratégico para a cadeia de suprimentos, permitindo competir em velocidade e qualidade.
Desempenho em Números (Q1 2026):
- Lucro líquido: R$ 5 milhões (reverte R$ 45,9 milhões de prejuízo em Q1 2025)
- Receita líquida: R$ 2,32 bilhões (+6,7% YoY)
- EBITDA consolidado: R$ 268 milhões (+14,1%)
- Margem EBITDA: 11,5% (+0,7 p.p.)
- Vendas de mesmas lojas (SSS) de vestuário: +10,1% (11º trimestre consecutivo)
- Margem bruta de vestuário: 54,9% (+1,2 p.p.)
- EBITDA de varejo: R$ 135 milhões (+23,7%)
- EBITDA da Midway: R$ 133 milhões
- Desempenho RIAA3 YTD: +16,4%; valor de mercado R$ 5 bilhões
O futuro próximo reserva o lançamento de 4 a 5 novas lojas com formato reformulado no segundo trimestre de 2026, além de testes de vendas de vestuário para a estação de inverno. A meta para 2026 é consolidar o lucro em todos os trimestres e avançar no plano de expansão. O risco da “taxa das blusinhas” permanece como um ponto de atenção, mas a força da recuperação da Riachuelo, como detalhado pelo Campo Grande NEWS, sugere que a empresa está bem posicionada para enfrentar os desafios.


