Punta del Este: US$ 1,17 bilhão em imóveis de luxo em 2025

Punta del Este, o renomado balneário uruguaio, está redefinindo seu status, deixando de ser apenas um refúgio de verão para se tornar um centro de poder econômico e de luxo na América Latina. A cidade tem atraído um fluxo expressivo de indivíduos de alta renda, impulsionado por investimentos imobiliários robustos e políticas fiscais favoráveis. Em apenas o primeiro semestre de 2025, as vendas de imóveis de luxo na região ultrapassaram a impressionante marca de US$ 1,17 bilhão, conforme dados divulgados pelo Global Property Guide.

Punta del Este: O novo Mônaco da América do Sul

O balneário uruguaio, frequentemente apelidado de “Mônaco da América do Sul”, tem passado por uma transformação notável. A cidade deixou de ser um destino sazonal para argentinos e se consolidou como um hub de alta temporada e permanência para indivíduos de alta renda de toda a região e do mundo. Essa ascensão é ancorada por fatores como a busca por estabilidade política, transações em dólar e um regime tributário atrativo.

O mercado imobiliário de luxo em Punta del Este reflete essa pujança. Casas de frente para o mar são negociadas entre US$ 7 milhões e US$ 20 milhões, enquanto apartamentos de alto padrão alcançam preços de US$ 7.000 a US$ 10.000 por metro quadrado. Esses valores colocam a cidade em pé de igualdade com destinos de luxo globais como Miami Beach e mercados mediterrâneos europeus.

Essa valorização é também impulsionada pelo aumento da demanda por residências permanentes. Desde o fim de 2020, mais de 2.300 estrangeiros obtiveram isenção de impostos sobre renda de fonte estrangeira no Uruguai, um benefício fiscal que atrai investidores e residentes. A área de Punta del Este-Maldonado, em particular, registrou um aumento de aproximadamente 15.000 novos residentes permanentes após a pandemia, evidenciando a crescente atratividade do local.

O Gigante Cipriani e a Nova Fronteira do Luxo

Um dos marcos mais significativos dessa expansão é o desenvolvimento do Cipriani Ocean Resort Club Residences & Casino, um projeto de US$ 500 milhões. A primeira fase, com um hotel de luxo de 64 quartos à beira-mar, tem previsão de abertura para o final de 2025. A segunda fase prevê a adição de uma extensão de hotel com 120 suítes e três torres residenciais, além de um cassino, restaurantes, centro de bem-estar e um exclusivo beach club. Este empreendimento, liderado por Giuseppe Cipriani, promete redefinir a hospitalidade de luxo na América do Sul.

O projeto Cipriani se alinha com duas tendências fortes em Punta del Este: a proliferação de torres residenciais de marcas conhecidas na costa atlântica e a concentração de empreendimentos hoteleiros de luxo integrados a cassinos em locais estratégicos, onde a oferta é limitada pela regulamentação e pela paisagem.

Conforme o Campo Grande NEWS checou, a diversidade de compradores em Punta del Este é notável. Sandra Sofio, parceira da Engel & Völkers, detalha que o mix de compradores é composto por aproximadamente 33% de investidores sul-americanos, 25% de uruguaios, 22% de norte-americanos e 20% de europeus. A demanda tradicional da Argentina e do Brasil está sendo complementada por um interesse crescente da América do Norte e da Europa.

Novas Regras para Residência Fiscal e o Impacto no Mercado

O governo uruguaio, sob a gestão de Orsi, implementou uma nova reforma fiscal, conhecida como “Feriado Fiscal 2.0”, que entrou em vigor em 1º de janeiro de 2026. Esta medida eleva o patamar de investimento imobiliário para obter residência fiscal a US$ 2 milhões, um aumento significativo em relação aos US$ 559.000 anteriores. Uma alternativa para a obtenção da residência é o investimento anual de US$ 100.000 em um fundo de inovação apoiado pelo governo, por um período de até 11 anos.

Essa recalibração visa atrair investimentos de maior valor agregado, que contribuam mais significativamente para a economia local e para o erário público. Residentes que permaneçam no país por pelo menos seis meses ao ano mantêm a isenção fiscal sem a necessidade de investimentos adicionais em imóveis ou fundos de inovação. Conforme o Campo Grande NEWS checou, esta política é projetada para impulsionar a atividade econômica e fiscal na região.

A reforma fiscal pode influenciar o fluxo de novos residentes, com potenciais compradores já em processo de planejamento acelerando seus investimentos para se beneficiarem das regras anteriores. O sucesso da absorção do projeto Cipriani também será um termômetro crucial para o mercado, indicando se há saturação ou contínuo crescimento no segmento de luxo.

A Economia de Eventos e a Infraestrutura de Apoio

Além do mercado imobiliário, Punta del Este se destaca como um destino proeminente para casamentos de alto padrão e eventos corporativos. Estima-se que cerca de 250 casamentos sejam organizados anualmente entre outubro e abril, com custos iniciais a partir de US$ 100.000 para eventos de dois dias para 150 convidados. Profissionais como Mônica Hirsch, uma das principais organizadoras da cidade, já possuem agendas lotadas com eventos que exigem planejamento com um ano de antecedência.

A infraestrutura de apoio também acompanhou esse crescimento. Empresas de iluminação e som, como a de Fernando Mosteiro, expandiram suas operações para atender à demanda. “Casamentos de destino são uma fonte de receita muito importante para o país e para a região”, afirma Mosteiro, que viu sua equipe crescer de 10 para 30 pessoas em uma década.

O ecossistema de luxo em Punta del Este é complementado por clubes de polo em expansão, vinícolas que sediam eventos, resorts integrados a cassinos e escritórios de gestão de patrimônio para atender à riqueza expatriada. O aeroporto regional de Laguna del Sauce se tornou um indicador da presença de jatos privados de luxo, com aeronaves que variam de US$ 800.000 a US$ 50 milhões. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a cidade se consolidou como um destino integral para o estilo de vida de alta renda.

Os próximos anos em Punta del Este serão definidos pela adaptação às novas regras fiscais, pela absorção do mercado imobiliário de luxo e pelas condições macroeconômicas da Argentina e do Brasil. A cidade se estabeleceu como um mercado institucionalizado com volume de transações quantificável e um pipeline de desenvolvimento de marcas, consolidando sua posição como um centro de riqueza na América Latina.