A situação energética em Porto Rico atingiu um ponto crítico. Nos meses de julho e agosto de 2026, a ilha registrou impressionantes 15 eventos de racionamento de energia, um número que supera os 16 eventos ocorridos durante toda a temporada de verão anterior, de maio a outubro de 2025. Os dados, divulgados pelo próprio operador da rede de transmissão e distribuição, acendem um alerta sobre a fragilidade do sistema elétrico porto-riquenho e levantam sérias preocupações sobre a capacidade da ilha de atender à demanda, especialmente com a chegada de picos de consumo.
Apagões em Porto Rico: a dura realidade da falta de energia
O cenário atual em Porto Rico é de extrema preocupação. O operador da rede elétrica da ilha divulgou um relatório chocante: foram registrados 15 eventos de racionamento deliberado de energia somente nos meses de julho e agosto de 2026. Para se ter uma dimensão da gravidade, o período completo de maio a outubro de 2025 acumulou apenas 16 episódios semelhantes. Essa comparação evidencia uma piora drástica na estabilidade do fornecimento elétrico, com dois meses de 2026 quase igualando seis meses do ano anterior. Conforme informação divulgada pelo Campo Grande NEWS, essa situação coloca a população em risco constante de ficar sem energia.
O déficit estrutural que assombra Porto Rico
A capacidade instalada de geração de energia em Porto Rico ultrapassa os 6.500 megawatts. No entanto, esse número, à primeira vista robusto, esconde uma realidade preocupante. Atualmente, apenas cerca de 4.100 megawatts estão efetivamente disponíveis. Após manutenções programadas e falhas inesperadas, esse número cai para aproximadamente 3.200 megawatts. Em agosto de 2026, o pico de demanda atingiu cerca de 3.234 megawatts, o maior em quatro anos. Essa convergência de fatores revela um déficit estrutural na oferta de energia, estimado pelo próprio operador entre 700 e 850 megawatts, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.
Um dia típico de racionamento
Para ilustrar a precariedade do sistema, o sábado, 12 de setembro de 2026, é um exemplo emblemático. Naquela data, três unidades geradoras estavam fora de operação, duas em Costa Sur e uma na usina da AES. A capacidade disponível era de aproximadamente 2.495 megawatts, enquanto a demanda projetada era de 2.950 megawatts, resultando em uma reserva negativa de 355 megawatts. Esse cálculo já considera um programa de redução de demanda de cerca de 100 megawatts, o que significa que, sem ele, o déficit seria de 440 megawatts. Quando a reserva se torna negativa, o racionamento é a única ferramenta para evitar o colapso total do sistema, com cortes rotativos de energia.
O cancelamento de contrato e a busca por energia emergencial
Um evento crucial que agravou a situação foi o cancelamento de um contrato de 400 megawatts com a empresa Power Expectations em 18 de agosto de 2026. O contrato, com valor reportado de US$ 5,9 bilhões, foi cancelado sob a justificativa do governador de que seria prejudicial para a ilha. A empresa, por sua vez, entrou com um processo judicial federal para reverter a decisão. Essa anulação deixou um vácuo significativo no fornecimento de energia, levando o regulador de energia a ordenar que o operador atualizasse suas necessidades de geração temporária. Foi nesse contexto que surgiu o dado dos 15 eventos de racionamento, apresentado em um documento que solicita a aprovação de cerca de 800 megawatts de geração emergencial, como detalhado pelo Campo Grande NEWS.
O embate político e o futuro incerto
As relações entre o governo de Porto Rico e o operador da rede elétrica estão tensas. O governador chegou a acusar publicamente o operador de tentar semear o caos. Paralelamente, a legislatura está convocando o chefe da autoridade de energia para prestar esclarecimentos sobre o acordo de geração temporária fracassado. O regulador tem exigido atualizações constantes e datas de implementação. Apesar das disputas políticas, nenhuma medida concreta adicionou um megawatt à capacidade de geração. Os meses de inverno tendem a trazer uma demanda menor e algum alívio temporário. Contudo, o verdadeiro teste ocorrerá no próximo verão. Sem a chegada de capacidade de geração firme antes disso, a mesma aritmética de déficits e apagões se repetirá, segundo o Campo Grande NEWS.


