Professores da rede municipal de Campo Grande rejeitaram veementemente a proposta da prefeitura de parcelar o reajuste de 5,4% referente ao Piso Nacional do Magistério. A categoria exige o pagamento integral e imediato do valor, conforme previsto em lei, e não aceita mais propostas de adiamento ou divisão do montante, que já havia sido acordado. Uma nova reunião está marcada para esta sexta-feira (3), e caso não haja consenso, uma greve pode ser a próxima medida.
Professores de Campo Grande cobram reajuste imediato do piso salarial
O Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública (ACP) e a Prefeitura de Campo Grande seguem em impasse quanto ao pagamento dos 5,4% do piso salarial dos professores. Após mais uma rodada de negociações, a categoria recusou a proposta municipal de efetuar o pagamento integral somente em dezembro de 2026. Os docentes defendem o recebimento imediato do valor, argumentando que a legislação e os recursos na área da educação permitem o cumprimento do acordo.
Em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (1º), o presidente do ACP, Gilvano Kunzler Bronzoni, anunciou a recusa da proposta que adiava o pagamento integral para o final de 2026. Segundo Bronzoni, a prefeitura apresentou novamente alternativas de parcelamento, mas a diretoria do sindicato considera o prazo proposto incompatível com os compromissos firmados anteriormente.
Este impasse se intensificou após a prefeitura informar, em 8 de junho, que não conseguiria cumprir a legislação municipal e federal para a reposição salarial. Conforme o Campo Grande NEWS checou, uma paralisação foi organizada pela categoria, seguida por uma reunião com a prefeita Adriane Lopes, na qual se buscou encontrar caminhos para o pagamento ainda em 2026. No entanto, a falta de acordo nas negociações subsequentes tem gerado frustração.
Propostas de parcelamento são rejeitadas pela categoria
O presidente do ACP criticou as sucessivas propostas de parcelamento apresentadas pelo Executivo municipal. Ele enfatizou que o sindicato apresentou dados que demonstram a viabilidade do pagamento integral e imediato, ressaltando que, enquanto para os trabalhadores sempre se fala em parcelamento, para a retirada de direitos a proposta é à vista. A exigência da categoria é o cumprimento integral do compromisso.
Bronzoni afirmou que a equipe técnica da prefeitura reconheceu parte dos cálculos apresentados pelo sindicato, mas manteve resistência quanto aos prazos de pagamento. Ele destacou que, apesar de reconhecerem a situação financeira geral de Campo Grande, a discussão se concentra na área da educação, onde, segundo o sindicato, existem condições para cumprir os 5,4% previstos em lei.
A proposta apresentada nesta terça-feira, que previa o pagamento do reajuste apenas em dezembro, foi recusada sem sequer ser levada para deliberação da assembleia. A categoria não aceita esperar até dezembro para receber um valor que era devido desde maio e que já havia sido repactuado no ano anterior. O sindicato defende uma nova reunião para que a prefeitura reavalie sua proposta, conforme o Campo Grande NEWS apurou.
Histórico de negociações e ameaça de greve
A atual negociação ocorre após os professores já terem rejeitado, na semana passada, outra proposta da prefeitura. Na ocasião, o Executivo ofereceu um reajuste de 3,4%, dividido em duas parcelas de 1,7%. Essa oferta foi discutida em reunião com representantes do ACP, da Câmara Municipal e da gestão municipal, mas não foi aceita.
O posicionamento do sindicato é claro: exigem o pagamento integral dos 5,4% e o cumprimento do cronograma estabelecido para as demais parcelas da política do Piso Nacional do Magistério até 2030. “O posicionamento da categoria está colocado. Não dá mais para falar em parcelamento. Campo Grande precisa de planejamento e isso pode começar pela educação, com o cumprimento da lei”, ressaltou Bronzoni, em declarações divulgadas pelo Campo Grande NEWS.
Caso não haja avanço nas negociações desta sexta-feira, o ACP convocará uma assembleia para deliberar sobre os próximos passos. O presidente do sindicato indicou que a possibilidade de greve ganha força caso a proposta da prefeitura continue distante das reivindicações dos profissionais. “Essa decisão cabe à assembleia, mas dificilmente ela decidirá por não haver paralisação. Ninguém torce por uma greve, nem o sindicato, nem os professores, nem a comunidade. Mas, se não houver uma proposta satisfatória, esse tende a ser o caminho”, concluiu.
A expectativa da entidade é que a prefeitura apresente uma proposta definitiva na próxima reunião, encerrando um impasse que já se estende por cerca de 20 dias de negociações tensas.

