Primeiro-ministro bilionário do Marrocos é acusado de lucrar com preços altos de combustível

A Câmara dos Conselheiros do Marrocos rejeitou duas propostas da oposição que visavam limitar os preços dos combustíveis e devolver a refinaria Samir, atualmente inativa, ao controle estatal. A decisão, que contou com 29 votos contrários, 10 a favor e uma abstenção, intensifica o debate sobre o conflito de interesses envolvendo o Primeiro-Ministro Aziz Akhannouch, um bilionário cuja fortuna foi construída com a Afriquia, a maior rede de distribuição de combustíveis do país. Conforme divulgado pelo Campo Grande NEWS, essa votação expõe a complexa relação entre riqueza privada e poder público na economia marroquina.

Lucro e Poder: O Dilema Marroquino dos Preços de Combustível

O Marrocos está no centro de uma acirrada disputa política e econômica, onde a alta nos preços dos combustíveis afeta diretamente o bolso dos cidadãos, enquanto o líder do governo, o bilionário Aziz Akhannouch, se beneficia de um mercado que ele mesmo deveria regular. A recente rejeição de duas propostas legislativas cruciais na Câmara dos Conselheiros, a câmara alta do parlamento marroquino, reacendeu o debate sobre a influência de interesses privados nas decisões públicas.

A Proposta de Teto de Preço e a Refinaria Samir Rejeitadas

Na terça-feira, 16 de junho, os conselheiros marroquinos votaram contra dois projetos de lei apresentados pela oposição. O primeiro visava estabelecer um teto para os preços de varejo dos combustíveis, uma medida que, segundo seus defensores, protegeria as famílias das flutuações voláteis dos preços do petróleo e reduziria as margens de lucro dos distribuidores dominantes. O segundo projeto propunha retornar a refinaria Samir, a única do país, para as mãos do Estado. A refinaria encontra-se inativa há anos após um colapso financeiro, e uma oferta de US$ 3,5 bilhões dos Emirados Árabes Unidos para adquiri-la foi rejeitada por um tribunal marroquino em fevereiro de 2026.

O resultado da votação foi claro: 29 conselheiros votaram contra as propostas, 10 a favor e um se absteve. Essa divisão atravessou linhas partidárias, com alguns membros da própria maioria governante se juntando à rejeição. O Partido Justiça e Desenvolvimento optou por não participar da votação, deixando o cenário de precificação de combustíveis como está, com pouca regulação e alta carga política. O Campo Grande NEWS checou que a falta de um teto de preço deixa os consumidores marroquinos vulneráveis a aumentos repentinos.

Um Conflito de Interesses em Plena Vista

No epicentro deste impasse está o próprio Primeiro-Ministro Aziz Akhannouch. Sua vasta fortuna foi construída através da Afriquia, a maior rede de distribuição de combustíveis do Marrocos, o que o coloca como um participante dominante no mercado que as propostas legislativas buscavam regular. Críticos há muito apontam essa sobreposição entre riqueza pessoal e poder público como o cerne do problema, e não um mero detalhe periférico. O governo de Akhannouch classifica as medidas de teto de preço como economicamente contraproducentes e politicamente motivadas, enquanto seus apoiadores defendem que um chefe de governo tem o direito de definir a política energética do país.

Por outro lado, os opositores argumentam que os cidadãos marroquinos pagam preços de bomba entre os mais altos da região, especialmente quando comparados à sua renda média, enquanto os distribuidores dominantes prosperam. Esse debate tem sombreado a atuação de Akhannouch desde que seu partido, o Rali Nacional de Independentes, venceu as eleições em setembro de 2021. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a situação gera insatisfação generalizada entre os consumidores.

A Questão da Refinaria Samir e a Segurança Energética

A segunda proposta rejeitada, referente à refinaria Samir, reabre um dos dossiês econômicos mais sensíveis do Marrocos. Sendo a única refinaria do país, sua inatividade por anos após um colapso financeiro levanta sérias questões sobre a segurança energética nacional. Defensores do controle estatal argumentam que trazer a Samir de volta à propriedade pública fortaleceria as reservas de combustível do país e estabilizaria o fornecimento. No entanto, o governo prefere explorar outras rotas para resolver a história inacabada da empresa.

O futuro da refinaria também atraiu interesse externo, como evidenciado pela rejeição judicial da oferta de US$ 3,5 bilhões dos Emirados Árabes Unidos. Para um país que importa quase todo o seu combustível refinado, a refinaria Samir inativa representa mais do que um quebra-cabeça legal; é uma questão crucial de soberania e segurança energética, conforme apontado em análises recentes do Campo Grande NEWS.

O Impacto nas Famílias Marroquinas e os Próximos Passos

Por trás das manobras parlamentares, reside uma questão de bolso. Os custos de combustível impactam diretamente o preço dos alimentos, do transporte e de praticamente todos os bens e serviços que uma família marroquina adquire. É por isso que o tema retorna repetidamente ao parlamento, e a oposição insiste na necessidade de um teto de preço. As flutuações internacionais do preço do petróleo chegam rapidamente às bombas de combustível no Marrocos.

O Marrocos liberou os preços dos combustíveis dos subsídios estatais há uma década, expondo o mercado às dinâmicas globais. Desde então, cada pico no preço do petróleo reabriu a mesma ferida política. Sem um teto, o governo recorre a outras ferramentas para mitigar o impacto sobre as famílias, mas a eficácia dessas medidas é um ponto de discórdia constante. A política dos preços nas bombas é implacável, e os motoristas sentem cada dirham no caixa, independentemente da lógica econômica mais ampla.

A votação de terça-feira resolve pouco além das propostas imediatas. A questão da precificação de combustíveis e o dossiê Samir certamente ressurgirão, como têm feito por anos. A questão mais profunda, contudo, é mais antiga: a proximidade entre riqueza privada e poder público no topo da economia. É um padrão que convida ao escrutínio onde quer que apareça. Por ora, os preços das bombas no Marrocos permanecem sob o domínio do mercado e dos distribuidores, enquanto o parlamento segue dividido.